AGRONEGÓCIO
Dólar, prêmios e Chicago em queda devem dificultar comercialização de soja
Publicado em
21 de maio de 2024por
Da RedaçãoA tendência para o mercado brasileiro de soja é de um dia menos movimentado, com preços ajustando-se devido ao recuo das cotações em Chicago, dos prêmios e do dólar. Esse cenário pode levar os produtores a retraírem suas vendas, prejudicando a comercialização da soja.
Na segunda-feira, o mercado registrou bons negócios, especialmente durante a manhã, com os preços variando de estáveis a mais altos. Segundo a Safras Consultoria, os vendedores estavam mais ativos no início da sessão, mas posteriormente se retraíram aguardando melhores cotações.
Preços Regionais
- Passo Fundo (RS): A saca de 60 quilos subiu de R$ 130,00 para R$ 132,00.
- Região das Missões (RS): A cotação avançou de R$ 129,00 para R$ 131,00 a saca.
- Porto de Rio Grande (RS): O preço aumentou de R$ 137,00 para R$ 139,00 a saca.
- Cascavel (PR): A saca valorizou de R$ 128,50 para R$ 130,00.
- Porto de Paranaguá (PR): O preço cresceu de R$ 138,00 para R$ 140,00.
- Rondonópolis (MT): A saca manteve-se em R$ 123,00.
- Dourados (MS): O preço subiu de R$ 121,00 para R$ 122,00 a saca.
- Rio Verde (GO): A saca estabilizou em R$ 121,00.
Chicago
Os contratos futuros de soja com vencimento em julho registraram uma queda de 0,86%, sendo negociados a US$ 12,37¼ por bushel. O mercado está realizando parte dos lucros acumulados nos últimos dois pregões, com as cotações pressionadas pelo avanço do plantio nos Estados Unidos e por um cenário externo desfavorável, incluindo a queda do petróleo em Nova York e as bolsas europeias operando no vermelho.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, até 19 de maio, 52% da área prevista para o plantio de soja já havia sido semeada, superando a expectativa do mercado de 49%. Na semana anterior, o plantio estava em 35%, enquanto no mesmo período do ano passado, era de 61%. A média histórica é de 49%.
Prêmios
Os preços FOB da soja nos portos brasileiros subiram na segunda-feira, acompanhando a alta consistente dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). No entanto, os prêmios recuaram em um dia de pouca movimentação.
Os prêmios de exportação da soja para junho estavam entre +25 e +35 centavos de dólar sobre Chicago no Porto de Paranaguá. Para julho de 2024, o prêmio variou entre +35 e +55 centavos, e para agosto de 2024, estava entre +45 e +60 centavos, conforme dados da Safras & Mercado. O preço FOB para junho ficou entre US$ 467,70 e US$ 471,40 por tonelada, comparado a US$ 461,50 e US$ 465,90 no dia anterior.
Câmbio
O dólar comercial operava em baixa de 0,12%, cotado a R$ 5,0977. O índice dólar (DXY) subia 0,03%, alcançando 104,60 pontos.
Indicadores Financeiros
As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa: Xangai, -0,42%; Tóquio, -0,31%. Na Europa, as principais bolsas também operavam em baixa: Paris, -1,04%; Frankfurt, -0,54%; Londres, -0,46%. O petróleo WTI para junho registrava uma queda de 1,69%, sendo negociado a US$ 78,45 por barril.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
16 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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