AGRONEGÓCIO
Dólar inicia semana em alta no Brasil com tensão no Oriente Médio e cautela dos investidores
Publicado em
9 de março de 2026por
Da Redação
O dólar começou a semana em valorização frente ao real no mercado brasileiro, refletindo um cenário internacional mais tenso e maior cautela dos investidores. A escalada das tensões no Oriente Médio tem impulsionado os preços do petróleo no mercado internacional e ampliado a busca global por ativos considerados mais seguros, movimento que favorece a moeda norte-americana.
Na abertura das negociações desta segunda-feira (9), o dólar à vista registrava alta próxima de 0,5%, sendo negociado na faixa de R$ 5,27. Na última sexta-feira, a moeda americana havia encerrado o pregão em queda, cotada próxima de R$ 5,24.
No mercado futuro da B3, os contratos de dólar com vencimento em abril — os mais negociados no momento — também apresentavam avanço no início do dia, refletindo a cautela dos agentes financeiros diante do cenário externo.
Conflitos internacionais elevam aversão ao risco
A valorização do dólar ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que tem provocado maior volatilidade nos mercados globais. O cenário elevou os preços do petróleo, com o barril superando a marca de US$ 100 em alguns momentos, pressionando economias dependentes de importação de energia e ampliando a aversão ao risco.
Em períodos de incerteza internacional, investidores costumam migrar recursos para ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a própria moeda norte-americana, movimento que tende a pressionar moedas de países emergentes, como o real.
Banco Central realiza leilão de swaps cambiais
No mercado doméstico, investidores também acompanham a atuação do Banco Central no câmbio. A autoridade monetária programou para esta segunda-feira a realização de um leilão de até 50 mil contratos de swap cambial tradicional, operação destinada à rolagem de contratos com vencimento previsto para 1º de abril.
Os swaps cambiais funcionam como instrumentos de proteção no mercado, ajudando a reduzir oscilações mais bruscas da moeda e oferecendo liquidez ao sistema financeiro.
A taxa de referência PTAX divulgada pelo Banco Central indica o dólar próximo de R$ 5,28 na venda, refletindo a média das negociações realizadas no mercado cambial brasileiro.
Mercado acompanha projeções econômicas
Outro ponto de atenção dos investidores é o Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central que reúne as projeções de economistas e instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
Na edição mais recente, o mercado revisou levemente para baixo a estimativa do dólar para o fim de 2026, passando de R$ 5,42 para R$ 5,41. As projeções também indicam expectativa de inflação medida pelo IPCA próxima de 3,9% neste ano e taxa Selic ao redor de 12%.
Essas estimativas servem como referência para investidores avaliarem o cenário econômico e as perspectivas para o câmbio nos próximos meses.
Bolsa brasileira também sente impacto externo
O ambiente internacional de maior cautela também tem influenciado o desempenho da bolsa brasileira. Na última sessão, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de aproximadamente 0,7%, encerrando o pregão aos 179 mil pontos.
No acumulado recente, os indicadores apresentam o seguinte desempenho:
- Dólar
- Semana: +2,97%
- Mês: +2,97%
- Ano: -3,68%
- Ibovespa
- Semana: -4,41%
- Mês: -4,41%
- Ano: +12%
Perspectivas para o câmbio
Analistas apontam que o comportamento do dólar nas próximas sessões dependerá principalmente do cenário internacional, da evolução dos conflitos no Oriente Médio e do fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.
Além disso, as ações do Banco Central e os indicadores econômicos globais devem continuar influenciando as decisões dos investidores e a volatilidade da moeda no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
12 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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