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Dólar e Bolsa Reagem a Decisões de Política Monetária no Brasil e nos EUA

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Dólar Inicia o Dia em Baixa

O dólar abriu o dia em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,6990, após um dia de alta de 0,62%, fechando o pregão anterior a R$ 5,7458. No acumulado, a moeda americana registra alta de 1,63% na semana e 1,21% no mês, mas uma perda de 7,02% no ano.

Ibovespa Registra Leve Queda

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, caiu 0,09%, encerrando o dia em 133.398 pontos. Em termos acumulados, o índice apresenta uma queda de 1,28% na semana e de 1,24% no mês, mas ainda registra um expressivo ganho de 10,90% no ano.

Decisão do Copom e Seus Efeitos no Mercado Brasileiro

Na quarta-feira (7), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic para 14,75% ao ano, um aumento de 0,50 ponto percentual. Com essa decisão, os juros atingem seu maior patamar em duas décadas. O Copom justificou o aumento devido a fatores como as consequências da política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, e a expansão fiscal do governo brasileiro. Embora o Comitê não tenha sinalizado novas altas para a próxima reunião, enfatizou a necessidade de cautela devido à elevada incerteza econômica.

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A Decisão do Federal Reserve e Suas Implicações

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter a taxa de juros inalterada, na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. A decisão, unânime entre os membros do comitê, esteve em linha com as expectativas do mercado. Em seu comunicado, o Fed destacou que as incertezas econômicas aumentaram, em grande parte devido à política tarifária de Trump. A medida marca a terceira reunião consecutiva em que o banco central opta por não fazer ajustes nas taxas de juros, refletindo a cautela diante de um cenário global volátil.

Tensões Políticas e Econômicas nos EUA

Após o anúncio do Fed, o presidente Donald Trump fez críticas agressivas ao presidente do banco central, Jerome Powell, chamando-o de “idiota” e “atrasado demais”. Apesar dessas declarações, Trump afirmou que, “tirando isso”, ainda mantém uma boa relação com Powell. Além disso, o ex-presidente dos EUA sinalizou que um acordo comercial com o Reino Unido poderia ser fechado, em resposta ao que tem sido chamado de “tarifaço” de Trump, uma política tarifária que ainda gera incertezas no mercado internacional.

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Impactos das Decisões no Mercado Financeiro

O aumento da Selic no Brasil, aliado à política fiscal do governo e aos efeitos econômicos das tensões comerciais globais, continuou a influenciar o mercado financeiro. No Brasil, a alta nos juros visa conter a inflação, enquanto no exterior, o Fed demonstrou prudência diante das incertezas políticas e comerciais geradas por Trump.

As reações do mercado a esses eventos sugerem um cenário de cautela para os investidores, com um olhar atento para as próximas movimentações econômicas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, especialmente em relação às políticas monetárias e fiscais que podem ter implicações duradouras para a economia global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação cresce, mas excesso de carne derruba renda

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O Brasil nunca vendeu tanta carne suína, mas o avanço dos embarques não chegou ao bolso do produtor. A produção cresceu mais do que a capacidade de consumo dos mercados interno e externo, derrubou as cotações e levou o suíno vivo ao menor preço real em 24 anos na principal referência paulista.

Entre janeiro e julho, o país exportou 925,6 mil toneladas de carne suína, aumento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também cresceu, mas apenas 5,8%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A diferença mostra que o valor recebido por tonelada já vinha diminuindo.

Os dados parciais de agosto aprofundaram esse movimento. Nos primeiros 15 dias úteis do mês, o volume médio embarcado por dia aumentou 2,4% na comparação anual. O preço médio da carne exportada, entretanto, caiu 9,2%, provocando uma redução de 7% na receita diária.

Isso significa que o mercado internacional está retirando mais carne do Brasil, mas pagando menos pelo produto. As exportações ajudam a escoar parte da produção, porém perderam capacidade de sustentar os preços pagos pelos frigoríficos aos criadores.

Dentro do país, o aumento da oferta foi ainda mais intenso. O abate chegou a 15,58 milhões de suínos no segundo trimestre, alta de 3,2% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo continuou elevado em julho e agosto, enquanto o consumo doméstico não avançou na mesma proporção.

Com mais animais disponíveis, os frigoríficos conseguiram preencher as escalas sem disputar lotes. A indústria reduziu as propostas de compra, e o efeito chegou rapidamente ao produtor independente, que negocia diretamente o suíno terminado e está mais exposto às oscilações do mercado.

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Na região paulista conhecida como SP-5, o animal posto na indústria foi negociado por uma média de R$ 4,97 por quilo em agosto. Depois de descontada a inflação, esse foi o menor preço da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada em março de 2002.

Até então, a menor média real havia sido registrada em julho de 2006, quando o quilo equivalia, em valores atualizados, a R$ 5,06. Em julho deste ano, o suíno paulista valia R$ 5,18 por quilo.

A diferença de R$ 0,21 por quilo entre julho e agosto parece pequena, mas representa uma perda de R$ 25,20 na comercialização de um animal de 120 quilos. Em uma carga com 100 suínos desse peso, a redução da receita chega a R$ 2.520 em apenas um mês, antes do desconto de transporte, impostos e demais despesas.

Outro levantamento, realizado pela consultoria Safras & Mercado, mostra que o preço médio do suíno vivo no Centro-Sul caiu de R$ 5 para R$ 4,77 por quilo em agosto. Para um animal de 120 quilos, a retração representa R$ 27,60 a menos na receita bruta do produtor.

A queda do animal vivo foi mais intensa que a desvalorização da carne. A carcaça recuou 2,91% no mês, para R$ 7,50 por quilo, enquanto o pernil perdeu 1,19% no atacado e terminou agosto cotado a R$ 9,49. Essa diferença indica que uma parcela maior do ajuste recaiu sobre o criador.

No Rio Grande do Sul, representantes da suinocultura afirmam que produtores já estão vendendo abaixo do custo de produção. O problema não teria sido provocado por uma disparada das despesas com ração, uma vez que milho e farelo de soja permaneceram relativamente estáveis, mas pela forte queda no valor pago pelo suíno a partir do segundo trimestre.

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A situação também mostra que crescimento da produção não significa necessariamente aumento da renda. Quando o número de animais avança mais depressa que o consumo, o resultado pode ser uma disputa entre produtores para colocar o suíno no frigorífico, com transferência de renda do campo para as etapas seguintes da cadeia.

O ajuste não acontece rapidamente. Os animais que já estão nas granjas continuarão chegando ao peso de abate, mesmo que os produtores reduzam agora o alojamento ou interrompam planos de expansão. Essa característica biológica prolonga os períodos de excesso de oferta.

O último trimestre costuma trazer alguma recuperação do consumo, favorecida pelas festas de fim de ano. Uma reação também poderá ocorrer se as exportações mantiverem o crescimento e recuperarem valor. Ainda assim, representantes do setor avaliam que uma eventual alta pode não ser suficiente para devolver imediatamente a rentabilidade às propriedades.

O desafio da suinocultura, portanto, deixou de ser apenas produzir e exportar mais. Para que o crescimento seja sustentável, a expansão dos plantéis precisa acompanhar a capacidade real de consumo e a disposição dos compradores de pagar pela carne. Sem esse equilíbrio, o recorde de produção aparece nas estatísticas, enquanto o prejuízo permanece na granja.

Fonte: Pensar Agro

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