AGRONEGÓCIO

Do alto dos Andes para as regiões tropicais do Brasil: estudo da UFLA avalia produtividade da fruta physalis

Publicado em

Já ouviu falar da fruta exótica physalis? Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e do Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado), em Goiás, realizaram um estudo para avaliar, em regiões tropicais no Brasil, o desempenho agronômico dessa fruta típica de países Andinos. Os resultados evidenciaram que a espécie P. angulata é a mais adequada para plantios que objetivam frutas para o consumo in natura, graças ao seu sabor mais doce. E a P. ixocarpa, usada como ingrediente em molhos, geleias e sorvetes, é indicada para plantios que visam a um maior volume de colheita.

O estudo confirma que essa fruta de cor laranja é uma opção lucrativa para a diversificação de plantações em regiões tropicais do Brasil. Os motivos? O gasto de implantação é baixo, especialmente quando comparado ao cultivo de uvas ou morangos. A colheita é rápida, ocorrendo apenas 4 a 5 meses após a semeadura. E suas características nutracêuticas podem ser utilizadas tanto na prevenção quanto no tratamento de doenças.

Em 2022, foram plantadas, com sementes disponibilizadas pelos pesquisadores da UFLA, duzentas árvores de cinco espécies de physalis em um campo experimental da UniCerrado. Acompanhando a evolução do cultivo, os pesquisadores registraram, com uma balança digital, a massa fresca dos frutos; com um paquímetro digital, o comprimento e o diâmetro deles; e com um refratômetro, a quantidade de açúcares (Brix). As espécies de physalis avaliadas nesse estudo foram: a P. peruviana, a P. ixocarpa, a P. minima, a P. pubescens, a P. angulata.

Leia Também:  Agrodefesa realiza capacitação para profissionais da Vigilância Sanitária de Goiânia

fruta-physalis-tab

Os dados evidenciaram que, em comparação com as demais, a espécie P. ixocarpa apresentou superioridade média em comprimento (27,29 mm), diâmetro (24,62 mm), massa fresca (0,47 kg) e produtividade estimada (3,14 t.ha-1). A espécie P. angulata também se destacou, apresentando frutos com maior teor de açúcares (Brix). Apesar de os frutos de P. minima serem bastante pequenos em comprimento (06,98 mm) e diâmetro (06,42 mm), foi a espécie que apresentou o maior número de frutos por planta (68,80).

Essas informações são fundamentais para estabelecer novos cultivos e para o estudo da viabilidade econômica do plantio dessa cultura em regiões tropicais no Brasil. O pesquisador Pedro Peche, do Departamento de Agricultura (DAG) da UFLA e um dos autores desse trabalho, destaca que, em nível nacional, os materiais científicos sobre physalis são iniciais. “Portanto, este trabalho poderá servir de base para futuras pesquisas no campo da agricultura de physalis”, avalia.

Publicado em 2023 com o título “Adaptabilidade e seleção de espécies de physalis para regiões tropicais” na revista Magistra, o estudo teve como objetivo verificar o desempenho agronômico de cinco espécies de physalis, visando determinar sua adaptabilidade e selecionar as promissoras para o cultivo em regiões de clima tropical.

Leia Também:  Binatural impulsiona desenvolvimento sustentável no Cerrado com potencial de gerar R$ 405 bilhões ao ano até 2030

Os autores desta pesquisa são Daniel Henrique Ferreira da Cunha e Givago Coutinho, ambos professores da UniCerrado, juntamente com Paulo Henrique Sales Guimarães, professor do Departamento de Estatística (DES) da UFLA, e Pedro Maranha Peche, professor do DAG da mesma Instituição. A frutífera vem sendo estudada na UFLA desde 2010, pelo grupo de pesquisa liderado pelo professor Rafael Pio do DAG.

Fonte: Comunicação UFLA

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

Published

on

Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

Leia Também:  Impactadas pela redução na oferta de fruta, exportações de suco de laranja registram queda no primeiro semestre da safra 2023/2024

A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

Leia Também:  Governo diz que avalia repasse de recursos para aeroporto do RS

O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA