AGRONEGÓCIO
Diversificação entre cana, grãos e pecuária vira estratégia para reduzir riscos no agronegócio
Publicado em
25 de maio de 2026por
Da Redação
A diversificação produtiva vem se consolidando como uma das principais estratégias de gestão de risco no agronegócio brasileiro. Em um ambiente marcado por instabilidade climática, oscilações cambiais, volatilidade dos preços internacionais e aumento dos custos de produção, produtores e empresas agrícolas ampliam a aposta na combinação entre culturas e atividades para proteger resultados e aumentar a resiliência financeira.
A integração entre soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, feijão e pecuária permite reduzir a dependência de uma única cadeia produtiva e oferece maior flexibilidade na gestão operacional e na alocação de capital.
Diversificação reduz exposição aos ciclos do mercado
O modelo tem ganhado espaço especialmente entre grandes grupos agrícolas, que passaram a estruturar operações mais amplas e integradas para enfrentar ciclos distintos de mercado.
A BrasilAgro, uma das principais empresas brasileiras do setor de propriedades agrícolas, é um exemplo desse movimento. A companhia atua em diferentes frentes produtivas, combinando desenvolvimento de terras, produção agrícola e gestão ativa de ativos biológicos, com operações em grãos, cana-de-açúcar e pecuária.
Os resultados recentes da empresa mostram como a diversificação pode ajudar a equilibrar receitas em cenários distintos de mercado.
Soja e milho compensam queda na receita da cana
Nos nove primeiros meses do ano-safra 2025/26, a BrasilAgro registrou receita líquida total de R$ 637,3 milhões. Desse montante, R$ 635,8 milhões vieram da operação agrícola.
A soja liderou o faturamento da companhia, com receita de R$ 277,4 milhões, seguida pela cana-de-açúcar, com R$ 164,1 milhões, e pelo milho, que gerou R$ 61,9 milhões.
O desempenho das culturas reforça como diferentes segmentos podem reagir de maneiras distintas dentro de um mesmo ciclo agrícola.
Enquanto a receita da cana-de-açúcar recuou 31% no período, refletindo queda de 28% no volume faturado, as demais culturas apresentaram crescimento. Excluindo a cana, a receita líquida das operações agrícolas aumentou 15%, passando de R$ 409,3 milhões para R$ 471,6 milhões, impulsionada principalmente pelas vendas de soja e milho.
Estratégia aumenta resiliência das operações
Segundo o CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, a diversificação deixou de ser apenas uma alternativa operacional e passou a representar uma ferramenta estratégica para aumentar previsibilidade e reduzir vulnerabilidades no setor agrícola.
De acordo com o executivo, produtores que trabalham com culturas e atividades de ciclos distintos conseguem tomar decisões mais estratégicas, diluir riscos e aproveitar melhor as oportunidades de mercado.
A lógica ganha ainda mais relevância em um cenário de maior seletividade financeira no agro, marcado por juros elevados, aumento da pressão sobre margens e eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Integração melhora eficiência das propriedades
Além da mitigação de riscos, a diversificação também traz ganhos operacionais importantes dentro das fazendas.
A integração entre agricultura e pecuária permite otimizar o uso das áreas produtivas, melhorar o aproveitamento de máquinas, infraestrutura e equipes, além de diluir custos fixos ao longo do ano.
O modelo também oferece maior flexibilidade para reagir rapidamente a mudanças climáticas, oscilações de preços ou alterações na demanda global por commodities.
Gestão estratégica ganha protagonismo no agro
Com o avanço da profissionalização do campo, cresce a percepção de que o resultado agrícola depende cada vez menos de uma única variável.
Produtividade, clima, logística, câmbio, custos de insumos e estratégia comercial passaram a compor uma equação mais complexa para produtores e empresas do setor.
Nesse contexto, a construção de um portfólio diversificado de culturas e atividades se fortalece como uma das principais ferramentas para garantir maior estabilidade financeira e competitividade no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Erros em notas fiscais travam créditos de ICMS no agro e ampliam prejuízos financeiros no campo
Published
13 minutos agoon
25 de maio de 2026By
Da Redação
A gestão tributária voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro diante do aumento de inconsistências em notas fiscais eletrônicas que vêm comprometendo o aproveitamento de créditos de ICMS no setor. Erros considerados simples, mas recorrentes, têm provocado bloqueios fiscais, perda de valores milionários e dificuldades financeiras para produtores rurais e empresas ligadas à cadeia agroindustrial.
Levantamento da Confederação Nacional dos Contadores mostra que mais de 60% das empresas brasileiras já emitiram notas fiscais com erros ou divergências. Outros 15% sequer souberam informar se os documentos estavam corretos. Paralelamente, dados da IOB indicam que cerca de 70% das empresas analisadas no primeiro semestre de 2024 apresentaram algum tipo de inconsistência tributária.
No agronegócio, onde o volume de operações fiscais é elevado e o fluxo financeiro depende diretamente da regularidade tributária, o impacto dessas falhas é ainda mais significativo.
Segundo o contador e especialista em gestão tributária no agro, Altair Heitor, o problema está principalmente na qualidade da emissão fiscal.
“Não basta emitir a nota fiscal. Ela precisa estar tecnicamente correta. Um único erro pode comprometer toda a operação e impedir o aproveitamento do crédito tributário”, afirma.
Erros fiscais mais comuns bloqueiam créditos de ICMS
Entre as principais inconsistências identificadas estão erros na classificação fiscal dos produtos (NCM), preenchimento incorreto do CFOP, falhas no CST e ausência do destaque correto do imposto.
Dados do setor apontam que aproximadamente 55,6% das falhas estão justamente nesses campos considerados essenciais para validação do crédito tributário.
Na prática, isso significa que muitos produtores rurais e empresas deixam de recuperar valores importantes por problemas operacionais que poderiam ser evitados com maior controle documental e revisão técnica.
Além da perda financeira direta, inconsistências fiscais podem gerar autuações, multas e bloqueios futuros de créditos tributários.
Fiscalização digital aumenta rigor sobre operações do agro
O avanço da fiscalização eletrônica pelos fiscos estaduais reduziu significativamente a margem para correções posteriores.
Atualmente, os sistemas estaduais realizam cruzamento automático de informações fiscais em tempo real, identificando divergências imediatamente após a emissão dos documentos.
Segundo especialistas, esse cenário se torna ainda mais crítico durante períodos de maior movimentação no campo, como comercialização de safra e fechamento de grandes operações agrícolas.
“Em muitos casos, o produtor só descobre o problema quando tenta utilizar o crédito e encontra o bloqueio fiscal”, explica Altair Heitor.
A situação é agravada pelo fato de que muitos estados vêm endurecendo os critérios para homologação dos créditos acumulados de ICMS.
Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual anunciou recentemente a liberação de até R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados por meio do programa ProAtivo, reforçando o potencial financeiro desses recursos para empresas que mantêm regularidade fiscal.
Mesmo assim, parte significativa do setor produtivo continua sem acesso aos créditos devido às falhas documentais.
Falta de integração operacional amplia perdas financeiras
Especialistas apontam que boa parte dos problemas fiscais no agronegócio está relacionada à ausência de integração entre os setores contábil, fiscal e operacional das empresas.
Sem padronização de processos e revisão constante, a emissão de notas fiscais acaba sendo realizada de forma manual e vulnerável a erros recorrentes.
Além disso, muitos produtores ainda não mantêm rotinas estruturadas de auditoria fiscal preventiva, o que dificulta a identificação antecipada de inconsistências.
O resultado é o acúmulo de créditos não aproveitados, perda de capital de giro e aumento da dependência de financiamentos externos.
Medidas podem evitar perdas e proteger o caixa do produtor
Especialistas em gestão tributária defendem que a recuperação e preservação dos créditos de ICMS exigem organização documental, monitoramento contínuo e suporte técnico especializado.
Entre as principais medidas recomendadas para reduzir riscos estão:
- Revisão periódica das notas fiscais: A análise recorrente da documentação permite identificar inconsistências e corrigir falhas antes de eventuais autuações fiscais.
- Padronização do preenchimento fiscal: Uniformizar informações como NCM, CFOP e CST reduz divergências e melhora a consistência dos documentos.
- Organização documental: Notas fiscais, livros fiscais e registros contábeis precisam estar completos e compatíveis para sustentar o direito ao crédito.
- Atualização constante sobre mudanças tributárias: Alterações na legislação e nos entendimentos das secretarias estaduais impactam diretamente a validação dos créditos fiscais.
- Suporte técnico especializado: Consultorias e equipes com foco em gestão tributária ajudam a reduzir riscos operacionais e ampliar o aproveitamento dos créditos acumulados.
Crédito de ICMS ganha importância estratégica no agro
Em um cenário de custos elevados, juros altos e maior pressão sobre as margens do produtor rural, os créditos tributários passaram a representar uma importante ferramenta de liquidez para o agronegócio.
Segundo especialistas, a correta gestão fiscal pode transformar créditos acumulados em fonte relevante de capital para investimentos, custeio e equilíbrio do fluxo de caixa.
“O crédito de ICMS é um ativo financeiro legítimo. Quando bem administrado, ele deixa de ser um valor parado e passa a apoiar decisões estratégicas dentro da operação agrícola”, conclui Altair Heitor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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