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Desafios no mercado de trigo: Preços abaixo da paridade de importação exigem ação dos produtores

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O mercado brasileiro de trigo enfrentou negociações pontuais na última semana, com os preços situando-se em torno de R$ 1.200 por tonelada nas regiões de produção. O analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, destaca que essas cotações indicam um ponto de suporte, evidenciado pelo abastecimento dos moinhos e pela necessidade de muitos produtores liberarem espaço em seus armazéns.

Mesmo com a urgência de adquirir trigo internacional para atender à moagem nos principais estados produtores do sul do país, os preços domésticos encontram-se abaixo da paridade de importação em relação ao trigo argentino. Atualmente, essa paridade seria próxima de R$ 1.295/tonelada e de R$ 1.300/tonelada no interior gaúcho e paranaense, respectivamente, conforme destaca Bento.

O analista enfatiza que a percepção de que os preços domésticos devem ter na paridade de importação sua principal referência é reforçada pelos volumes expressivos comprados no exterior pelos principais estados produtores do Sul brasileiro.

No cenário internacional, o relatório de oferta e demanda de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe novos números para as safras 2022/23 e 23/24 de trigo global. A produção mundial de trigo em 2023/24 é estimada em 785,74 milhões de toneladas, um ligeiro aumento em relação a janeiro. Os estoques finais globais em 2023/24 foram estimados em 259,44 milhões de toneladas.

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Quanto à produção nos Estados Unidos, o relatório destaca uma estimativa de 1,812 bilhão de bushels para 2023/24, mantendo-se estável em relação a janeiro. Os estoques finais do país foram projetados em 658 milhões de bushels. Em ambos os casos, as estimativas ficaram em linha com as expectativas do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Oferta recorde de soja no Brasil e nos EUA pressiona preços globais na safra 2026/27

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A perspectiva de uma oferta global abundante de soja na safra 2026/27 mantém a pressão sobre os preços internacionais da commodity. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca a possibilidade de colheitas recordes no Brasil e nos Estados Unidos como principal fator de risco para as cotações nos próximos meses.

De acordo com as estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em junho, a produção brasileira deverá alcançar 186 milhões de toneladas na temporada 2026/27. Já a safra norte-americana está projetada em 121 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior.

O cenário reforça a expectativa de ampla disponibilidade da oleaginosa no mercado global, o que tende a limitar movimentos de alta nos preços, especialmente na Bolsa de Chicago (CBOT).

Esmagamento recorde ajuda a sustentar demanda

Apesar do aumento expressivo da oferta, a demanda por processamento da soja segue aquecida. O USDA estima um esmagamento recorde nos Estados Unidos, alcançando 74,8 milhões de toneladas.

O avanço é impulsionado principalmente pela crescente demanda por óleo de soja destinado à produção de biocombustíveis, segmento que vem ganhando relevância na matriz energética global.

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No cenário mundial, o esmagamento deve superar em aproximadamente 14 milhões de toneladas o volume registrado na safra 2025/26. Esse crescimento contribui para manter a valorização relativa dos derivados, especialmente farelo e óleo, em comparação ao grão.

China continua no centro das atenções do mercado

Segundo Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a principal incógnita para o mercado permanece sendo a capacidade da China de absorver simultaneamente os grandes volumes ofertados por Brasil e Estados Unidos.

“O acordo firmado em maio amplia o potencial de demanda pela soja norte-americana, mas o impacto efetivo ainda depende da confirmação das compras chinesas e do comportamento do mercado nos próximos meses”, avalia o especialista.

Como maior importadora mundial da commodity, a China continua exercendo influência decisiva sobre o equilíbrio global entre oferta e demanda.

Risco baixista ainda predomina para os preços

Na avaliação do Itaú BBA, o viés para os preços segue predominantemente baixista para a temporada 2026/27. A combinação entre uma possível safra recorde no Brasil e uma produção elevada nos Estados Unidos pode ampliar os estoques globais e limitar a recuperação das cotações.

Para que ocorra uma valorização mais consistente na CBOT, seria necessário algum fator capaz de reduzir significativamente a oferta mundial.

Entre os principais elementos monitorados pelo mercado estão eventuais problemas climáticos durante o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos ou na América do Sul.

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El Niño pode alterar cenário da soja

Um dos fatores que merece atenção é a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño nos próximos meses. Caso o evento climático ganhe intensidade, poderão ocorrer impactos negativos sobre a produtividade das lavouras sul-americanas, especialmente em importantes regiões produtoras.

Segundo o relatório, esse risco ainda não está totalmente precificado pelo mercado e poderia alterar significativamente as projeções atuais de oferta global.

Além disso, novas compras de soja norte-americana por parte da China também poderiam oferecer suporte às cotações internacionais, reduzindo parte da pressão gerada pelo cenário de ampla produção.

Mercado seguirá atento ao clima e à demanda

Embora a expectativa de produção recorde mantenha o mercado sob pressão, o comportamento do clima e o ritmo das importações chinesas continuarão sendo os principais direcionadores dos preços da soja na safra 2026/27.

Diante desse cenário, produtores, exportadores e agentes do mercado permanecem atentos aos desdobramentos climáticos e comerciais que poderão redefinir o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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