AGRONEGÓCIO
Decreto Legislativo pretende derrubar aumento do Imposto sobre Operações Financeiras
Publicado em
28 de maio de 2025por
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nesta terça-feira (27.05) um manifesto em apoio ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 214/2025, que pretende sustar os efeitos do Decreto 12.466/2025 (saiba mais aqui). A medida do governo federal elevou a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para operações de crédito, o que, segundo a bancada ruralista, atinge diretamente o setor agropecuário.
Apresentado pelo deputado federal Zucco, o PDL foi anunciado durante a tradicional reunião-almoço da FPA. Na avaliação do parlamentar, a elevação do IOF dificulta o acesso ao crédito, encarece a produção e compromete a competitividade do agro nacional. “Estamos falando de aumento dos custos operacionais, maior dificuldade para custeio e investimento, especialmente para os pequenos e médios produtores”, alertou.
Zucco afirmou que pretende se reunir ainda hoje com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para articular a votação em regime de urgência. O objetivo é acelerar a tramitação do projeto, que susta integralmente o decreto presidencial.
Na segunda-feira (26), Motta já havia criticado o aumento do IOF. Em uma publicação nas redes sociais, declarou: “O Executivo não pode gastar sem freio e depois passar o volante para o Congresso segurar. O Brasil não precisa de mais imposto. Precisa de menos desperdício.”
Segundo a FPA, a medida agrava o custo do financiamento rural e prejudica o acesso ao crédito por parte de cooperativas, empresas e produtores que atuam fora das linhas de financiamento oficial. O manifesto destaca que, embora o IOF tenha função regulatória, a mudança traz impactos práticos semelhantes ao aumento da carga tributária — sem passar pelo crivo do Congresso Nacional.
“Esse decreto onera o setor produtivo, impõe insegurança jurídica e vai na contramão do esforço que o Parlamento tem feito para garantir crédito mais acessível ao agro”, afirma o presidente da FPA, Pedro Lupion. Ele também destacou que a mobilização vai além da Frente: “Mais de 30 frentes parlamentares estão unidas para reverter essa medida”.
Entre os pontos mais sensíveis está a inclusão de operações com Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na incidência do IOF, além da tributação de cooperativas agropecuárias que movimentaram mais de R$ 100 milhões em 2024.
O Projeto de Decreto Legislativo é um instrumento usado pelo Congresso para anular atos normativos do Executivo que extrapolem sua função regulamentar ou contrariem leis em vigor. O PDL 214/2025 começa a tramitar pela Câmara dos Deputados, passando por comissões como a de Finanças e Tributação e a de Agricultura. Se aprovado em plenário, seguirá para o Senado. Por ser um decreto legislativo, não há necessidade de sanção presidencial para que entre em vigor.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), a medida do governo federal compromete o planejamento das safras e desorganiza o sistema de financiamento rural.
“Essa elevação do IOF é um tiro no pé do país que quer garantir segurança alimentar e competitividade global. Não é possível planejar uma safra com juros imprevisíveis e crédito cada vez mais escasso para quem está no campo produzindo”, afirmou Rezende.
Segundo o presidente do IA, os mais prejudicados serão os produtores de menor porte, que já enfrentam dificuldades estruturais. “Quem mais sofre com essa medida são os pequenos e médios produtores, que já enfrentam margens apertadas, volatilidade de preços e insegurança climática. Tirar o crédito dessas mãos é condená-los à estagnação ou à informalidade”, declarou.
O Decreto, que motivou a apresentação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 214/2025 pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também foi criticado pelo setor por gerar instabilidade normativa.
“O agronegócio precisa de previsibilidade. Não se pode alterar regras tributárias do dia para a noite, especialmente sobre instrumentos financeiros que sustentam a produção rural. Isso quebra a confiança de quem investe, de quem planta e de quem financia”, disse Rezende.
Para ele, o PDL que tramita na Câmara é uma resposta necessária à postura do governo. “O PDL 214/2025 é uma reação legítima e necessária. O Congresso tem a obrigação de conter abusos do Executivo que ameaçam a estabilidade do setor produtivo. Não é só uma questão técnica, é uma questão de sobrevivência econômica para milhares de famílias no campo”.
Rezende também destacou o impacto da nova alíquota sobre cooperativas e mecanismos alternativos de crédito, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), antes isentas da cobrança. “Tributar instrumentos como as LCAs e penalizar cooperativas é um contrassenso. Justamente esses canais surgiram como alternativas ao crédito rural subsidiado. Ao torná-los mais caros, o governo desorganiza o ecossistema de financiamento agropecuário”, concluiu.
A expectativa da FPA e de entidades do setor é que o projeto seja aprovado com agilidade, antes que os efeitos do decreto atinjam em cheio o planejamento da próxima safra. Caso a medida do governo se mantenha, os produtores podem enfrentar um cenário de crédito mais caro e menos acessível, com impactos diretos sobre os custos de produção e a sustentabilidade das atividades no campo.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Estado decreta emergência por risco de seca severa até o fim do ano
Published
9 horas agoon
9 de agosto de 2026By
Da Redação
O governo do Acre decretou situação de emergência em todo o Estado em razão do risco de seca severa e da possibilidade de desabastecimento hídrico nos próximos meses. O Decreto nº 11.932, tem validade de 180 dias e autoriza a adoção de medidas emergenciais para minimizar os efeitos da estiagem em todo o estado.
A decisão foi baseada em estudos climáticos que apontam para o fortalecimento do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. Segundo o governo, a previsão é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e agravamento da seca entre agosto e novembro, período em que o Acre já registra baixos índices de precipitação.
De acordo com o decreto, o cenário pode provocar queda significativa no nível dos rios, escassez de água potável, dificuldades na navegação, isolamento de comunidades e prejuízos à agricultura, pecuária e pesca. O governo também alerta para o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais durante o período.
A medida destaca ainda os impactos sobre povos indígenas, ribeirinhos e moradores da zona rural. As 36 terras indígenas, que abrigam 246 aldeias e 16 povos, podem enfrentar isolamento, dificuldades no abastecimento de alimentos e medicamentos, perdas na produção de subsistência e agravamento da insegurança alimentar. O decreto também cita a possibilidade de interrupção do transporte escolar em comunidades acessíveis apenas por via fluvial.
Com a publicação do decreto, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil ficará responsável por coordenar as ações de enfrentamento, em conjunto com órgãos estaduais, federais e prefeituras. Caberá ao órgão monitorar os níveis dos rios, as condições meteorológicas e os focos de calor, além de apoiar os municípios na elaboração de planos de contingência.
O governo também autorizou a realização de despesas emergenciais, como contratação de serviços, aquisição de insumos, instalação de abrigos e distribuição de água por carros-pipa nas localidades mais afetadas. As ações terão prioridade para comunidades indígenas, ribeirinhas e rurais, além de escolas e unidades de saúde.
Durante a vigência do decreto, também serão reforçadas as ações de prevenção e combate às queimadas, bem como campanhas de conscientização sobre o uso racional da água e os cuidados com a saúde em períodos de calor intenso e baixa umidade. O texto ainda autoriza agentes da Defesa Civil, em situações de risco iminente, a ingressar em imóveis para prestar socorro, determinar evacuações e requisitar temporariamente propriedades particulares, quando necessário, com garantia de indenização em caso de danos.
Com validade de seis meses, o decreto busca agilizar a mobilização de recursos e a adoção de medidas administrativas para reduzir os impactos da estiagem e garantir assistência às populações mais vulneráveis.
Fonte: Pensar Agro
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