AGRONEGÓCIO

Da fazenda ao prato: especialista explica como garantir a qualidade da carne bovina

Publicado em

A qualidade da carne bovina não está ligada apenas ao sabor e à maciez. Cada etapa da cadeia produtiva influencia diretamente na segurança alimentar e no resultado final que chega ao prato do consumidor. Segundo a analista de assistência técnica e gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato, fatores como genética, manejo e alimentação têm peso decisivo nesse processo.

De acordo com a especialista, a escolha da raça ou de cruzamentos bem planejados pode melhorar a conversão alimentar, tornando a produção mais eficiente e o produto final de maior qualidade.

Bem-estar animal influencia diretamente no resultado

O Brasil é reconhecido mundialmente pela qualidade da carne bovina, e um dos diferenciais está no cuidado com o animal antes do abate. O manejo calmo e sem estresse evita a liberação excessiva de glicogênio e hormônios que alteram o pH da carne, fator que compromete sabor e textura.

Transporte e cadeia de frio são essenciais

Outro ponto crítico está no transporte e na conservação durante a distribuição. Para preservar a qualidade, a carne precisa ser mantida em cadeia de frio contínua:

  • Carnes resfriadas: entre 0 °C e 4 °C
  • Carnes congeladas: a -12 °C ou menos, preferencialmente -18 °C
Leia Também:  Vino Verace Registra Crescimento de 70% em 2024 e Supera Metas

Qualquer falha nesse processo — como variações de temperatura ou embalagens danificadas — acelera a deterioração e representa risco ao consumidor.

Armazenamento correto dentro de casa

Mesmo com um transporte adequado, o armazenamento doméstico também requer atenção. Carnes devem ser mantidas cruas e separadas de frutas, verduras e alimentos prontos, evitando a contaminação cruzada.

  • Carnes resfriadas: devem ficar entre 0 °C e 4 °C em recipientes fechados.
  • Carnes congeladas: devem ser mantidas a -18 °C ou menos em embalagens herméticas.

Paula Lobato alerta que não se deve descongelar e recongelar carnes, pois isso favorece a multiplicação de bactérias e compromete textura e sabor.

Higienização e preparo garantem segurança

Na preparação, a higiene é fundamental. Facas, tábuas, mãos e superfícies precisam ser lavadas antes e depois do contato com a carne. O uso da mesma tábua para outros alimentos deve ser evitado sem a devida higienização.

Quanto ao cozimento:

  • Carne moída: deve ser bem cozida, pois a moagem aumenta a exposição a microrganismos.
  • Cortes inteiros: podem ser consumidos malpassados, desde que inspecionados e armazenados corretamente. A temperatura interna recomendada varia de 63 °C a 70 °C, enquanto para carne moída deve atingir 72 °C.
Leia Também:  Feicorte 2026 reúne especialistas internacionais para debater alta da pecuária e oportunidades da carne brasileira
Congresso em Belo Horizonte vai debater a qualidade da carne

Nos dias 18 e 19 de setembro, Belo Horizonte (MG) será palco do Congresso Nacional da Carne (Conacarne), no Expominas. Considerado o maior evento da cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, o encontro é organizado pelo Sistema CNA/Senar e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), com apoio da ABCZ.

O objetivo é reunir produtores, técnicos, indústrias e especialistas para discutir desafios e inovações do setor, alinhando a produção às exigências do mercado interno e externo.

Entre os temas em destaque:

  • Padrões de qualidade da carne para produtores
  • Tecnologias e a chamada “carne do futuro”
  • Tendências de consumo no Brasil e no exterior
  • Expectativas para o mercado do boi
  • Casos de sucesso na pecuária
  • Apresentação de cortes especiais

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

Published

on

A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

Leia Também:  Segurança Sanitária e Produção Pecuária em Goiás: Destaques Nacionais

“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

Leia Também:  Previsões Econômicas: Inflação para 2024 aumenta para 3,79% e avança para 3,52% em 2025, revela pesquisa Focus

O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA