AGRONEGÓCIO

Crescimento de 63% no Número de Produtores Orgânicos Certificados no Norte Pioneiro do Paraná

Publicado em

Nos últimos dois anos, o número de produtores de alimentos orgânicos certificados no norte pioneiro do Paraná aumentou 62,84%, refletindo um crescente interesse pela agricultura sustentável. Atualmente, a região conta com 355 certificações distribuídas em 19 municípios, um salto significativo em comparação às 218 certificações registradas em 2022, segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Esse avanço é resultado de esforços conjuntos entre instituições, governos estaduais e municipais, que têm promovido a produção de alimentos diferenciados. O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, destaca que os produtos orgânicos estão na pauta do ecossistema de inovação regional, com apoio do Comitê da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e do Comitê Territorial.

Para incentivar a produção orgânica, o Sebrae/PR, em parceria com os municípios, oferece capacitações para agricultores interessados em obter a certificação de suas propriedades. Desde 2020, mais de 200 produtores conseguiram o selo com esse suporte, reduzindo significativamente os custos de adequação e manejo.

“O aumento no número de produtos certificados é um sinal claro de que a proposta de transformar a região em referência na produção de alimentos diferenciados está avançando. Com cerca de 20 mil pequenas propriedades na área, existe um grande potencial para expandir a produção orgânica a baixo custo e atender a um mercado em crescimento”, afirma Capello.

Leia Também:  Potencial de crescimento na produção de café do Brasil, segundo a Cooxupé

Angélica da Silva Passos, que recentemente conquistou seu selo, trocou uma carreira de 28 anos na área da confecção pela agricultura orgânica em Siqueira Campos. Atualmente, produz uma variedade de hortaliças e está satisfeita com a nova fase: “Antes, eu lutava para vender no mercado local. Agora, só não vendo mais porque não consigo produzir o suficiente”, comemora.

Após a certificação, Angélica conseguiu fechar negócios com uma associação de Uraí e uma empresa de São Paulo, tornando os produtos orgânicos a principal fonte de renda da família. Com um plano de expansão, ela pretende instalar mais estufas para aumentar a capacidade de produção.

Assistência Técnica e Colaboração dos Municípios

O IDR-PR desempenha um papel fundamental ao oferecer assistência técnica aos produtores, focando no manejo adequado da terra. Maurício Castro Alves, gerente regional do IDR-PR, destaca que um plano de desenvolvimento regional foi implementado, capacitando 17 profissionais para trabalhar com a agricultura orgânica. Hoje, mais de 180 propriedades certificadas recebem suporte técnico contínuo.

organico-infografico-pr

Alves observa que o custo de produção em sistemas orgânicos é consideravelmente menor em comparação ao convencional. Enquanto um produtor investe cerca de R$ 8 mil em uma estufa de 1 mil metros quadrados para cultivar produtos orgânicos, no sistema tradicional esse custo pode chegar de R$ 18 mil a R$ 20 mil.

Leia Também:  Produção mundial de soja pode chegar perto de 400 milhões de toneladas

Um exemplo notável é o município de Cambará, onde a produção de orgânicos era considerada improvável devido à forte presença de culturas de commodities, como soja e cana-de-açúcar. Com um trabalho de sensibilização, a cidade está a caminho de certificar cinco produtores de orgânicos até o final de 2024.

“Mostramos que era possível promover a descontaminação do solo e proteger o ambiente de cultivo, resultando na certificação. Em parceria com uma universidade, conseguimos comprovar a ausência de contaminantes em uma das propriedades”, explica Angélica Cristina Cordeiro Moreira, secretária municipal de Indústria, Comércio, Turismo, Agronegócio e Inovação de Cambará.

Ela ressalta que a transição para a agricultura orgânica não apenas beneficia a saúde dos consumidores, mas também dos próprios agricultores, que, ao adotarem práticas sustentáveis, evitam o contato com agrotóxicos. Diante dos desafios climáticos, essa abordagem tem mostrado melhorias na saúde do solo e, consequentemente, na produtividade das culturas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

Published

on

Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

Leia Também:  Piscicultura Brasileira Registra Crescimento Notável nas Exportações

Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

Leia Também:  IGP-10 Acelera para 0,72% em Agosto, Superando Expectativas do Mercado

Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA