AGRONEGÓCIO
Cresce o mercado de cafés especiais no Brasil, gerando muitas oportunidades
Publicado em
2 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoO Brasil é o maior produtor e um dos maiores exportadores de café commodity do mundo, com 50,92 milhões de sacas do grão beneficiado colhidos em 2022. Mas outro segmento dentro da área que rapidamente cresce é o de cafés especiais.
Estima-se que cerca de 5% a 10% de todo o consumo brasileiro já seja de cafés especiais. Hoje em dia é muito mais fácil encontrá-los em cafeterias, restaurantes, hotéis, na internet e em diversos supermercados.
Todo esse crescimento abre um leque de novas oportunidades para o segmento, com cafeicultores podendo aumentar seus lucros e obter bons resultados com cafés de qualidade cada vez mais apreciados pelo consumidor.
Para falar sobre este mercado e as oportunidades que se apresentam ao segmento, a Agrishow Digital conversou com Vinicius Estrela, diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês).
Ótima oportunidade para cafeicultores brasileiros
No Brasil, a produção de cafés especiais vem apresentando um rápido crescimento e tendo cada vez mais consumidores no mercado interno e no exterior.
Consequentemente, é um mercado que chama a atenção de muitos cafeicultores que pretendem entrar no segmento.
Para Vinicius Estrela, o mercado de cafés especiais é uma excelente oportunidade para cafeicultores por muitos motivos. “Esses cafés são mais valorizados pelo mercado, com os compradores pagando preços condizentes à qualidade, à origem controlada e à sustentabilidade que esse produto entrega”.
O diretor da BSCA explica que se paga por um café especial a partir de 50% a mais do que se paga por um café convencional, mas pode ser muito mais alto. “Quando pensamos na venda de cafés especiais vencedores de concursos, o céu passa a ser o limite”, afirma.
Para exemplificar, Estrela cita o leilão dos vencedores do Cup of Excellence 2023, cujo campeão teve cada saca de 60 kg de seu lote arrematada pelo equivalente a incríveis R$ 84,5 mil.
Além do fator preço, o segmento dos cafés especiais também cria relacionamentos leais, de médio e longo prazos. “Tal fidelidade proporciona aos produtores desse segmento certa “garantia” de compra do produto ao longo de várias safras futuras”, complementa Estrela.
Manejos específicos conferem a diferenciação do café especial
Tanto os manejos quanto o processamento dos cafés especiais são feitos de maneira que, em cada etapa, preserve-se ao máximo a qualidade potencial dos grãos.
Para o diretor da BSCA todo esse processo começa com o mapeamento de qualidade dos diferentes talhões dentro da fazenda. “Essa medida ajuda o produtor a identificar quais talhões têm potencial para produzir lotes de alta qualidade e que virão receber cuidados especiais durante a colheita e o processamento pós-colheita”.
Nesta etapa, vários experimentos podem ser feitos para decidir qual tipo de processamento será adotado para obter os melhores resultados para um determinado lote, como o processo de colheita natural, cereja descascado, lavado ou fermentado, por exemplo.
Com o processamento definido, o lote receberá cuidado meticuloso e monitoramento contínuo para garantir a qualidade desse café.
Vinicius Estrela ressalta também que a escala de processamento de café especial é pequena, facilitando o processamento. “Microlotes de cafés de altíssima qualidade podem ser de apenas uma saca e, mesmo lotes maiores, raramente enchem um contêiner inteiro (cerca de 320 sacas de 60 kg)”.
Essa é talvez a principal diferença do café convencional para os cafés especiais. “A produção de café commodity é voltada para volume e consistência. Com raras exceções, os produtores de cafés especiais produzem grandes quantidades de café convencional e, pelo mapeamento de qualidade, identificam quais talhões irão beneficiar para processamento especial”.
Por fim, os cafés de talhões de qualidade comercial são processados com todo o devido cuidado para produzir um bom café, mas sem os atributos que o classificam como especial.
Comercialização baseada em relacionamentos de longo prazo
De forma geral, o comércio de café especial considera o preço do mercado internacional, como ocorre com o café commodity. Mas, segundo Estrela, ele é muito mais baseado em relacionamentos de longo prazo.
“A venda de cafés especiais é baseada na aproximação do produtor com seu consumidor, em contar histórias e apresentar boas experiências”.
Além disso, o segmento de Direct trade, quando o produtor exporta diretamente para torrefações e cafeterias, é crescente e vem se tornando comum no mundo dos cafés especiais.
Os lotes comercializados são menores e, às vezes, os clientes compram apenas uma saca (ou menos). “Muitos lotes de cafés especiais são transportados em navios, em contêineres consolidados com outros lotes, mas o alto valor de alguns lotes viabiliza até mesmo transporte aéreo”, ressalta o diretor da BSCA.
Muitas vezes, os cafés especiais vêm de fazendas com certificações socioambientais de sustentabilidade e/ou boas práticas agrícolas e são certificados quanto à qualidade, baseada na avaliação sensorial de cafés especiais.
Expansão do mercado abre novas oportunidades
A expansão do mercado de cafés especiais tem contribuído para o surgimento de novas oportunidades para o segmento, inclusive com novos postos de trabalho. É crescente o número de pessoas que buscam qualificação para conquistar uma vaga no setor.
Baristas e torradores de café, por exemplo, têm ganhado campo com o aumento da produção e do consumo de cafés diferenciados.
Há também um crescimento das lojas virtuais e clubes de assinaturas, dadas as muitas facilidades que oferecem ao cliente, como a praticidade de comprar uma vez e receber em casa diferentes produtos conforme a periodicidade estabelecida.
Outra fórmula que já teve muito sucesso na região da Mantiqueira de Minas, e recentemente começou no Cerrado Mineiro, combina workshops educativos sobre o café com visitas a fazendas e degustações de cafés especiais de diversos perfis sensoriais.
“Essas duas regiões, ambas Indicações Geográficas (IGs) de Denominação de Origem, são pioneiras nessa experiência gastroturística e, sem dúvida, veremos muito mais opções de turismo de café especial no futuro breve”, afirma Vinicius Estrela.
Nessa última oportunidade, Estrela destaca que a BSCA e a Embratur possuem parceria para promover os roteiros turísticos de visita às regiões do país que possuem Indicação Geográfica (IG) de produção de café.
“Essa iniciativa realiza degustação do produto dessas origens produtoras e o storytelling do café e das regiões cafeeiras brasileiras como possíveis destinos turísticos com o objetivo de fomentar o turismo nas 16 IGs do país”, finaliza.
Fonte: CCCMG
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
22 minutos agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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