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Créditos de Reposição Florestal: Receita Federal Classifica Como Ativos Intangíveis e Impõe Tributação

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A Receita Federal do Brasil publicou recentemente a Solução de Consulta COSIT nº 249, abordando a natureza jurídica dos créditos de reposição florestal (CRFs) e sua tributação pelo Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). A consulta foi levantada por uma empresa dedicada à exploração e cultivo de eucalipto para fins comerciais, especialmente para a produção de energia e na construção civil. Em virtude de suas atividades, a empresa está obrigada a realizar a reposição da floresta suprimida.

De acordo com a advogada tributarista Edna Dias da Silva, a reposição florestal representa uma responsabilidade para as empresas que exploram, utilizam ou transformam produtos e subprodutos de origem florestal, com o intuito de compensar o desmatamento de árvores nativas, seja para uso alternativo do solo ou para aproveitamento da madeira. Edna destaca que essa obrigação não deve ser considerada um dispêndio para a expansão do empreendimento econômico. Os resultados obtidos na comercialização dos créditos oriundos da reposição florestal devem ser tratados como ganhos ou perdas de capital, sendo contabilizados na determinação do lucro real, mesmo que sejam reclassificados para o ativo circulante com a intenção de venda.

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A advogada também ressalta a importância da isenção de PIS e Cofins sobre as receitas geradas pela venda de créditos de reposição florestal, conforme previsto na Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.), respaldada pela solução de consulta. Essa isenção pode trazer um impacto significativo, especialmente ao considerar o regime não cumulativo das contribuições sociais, que possui alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,6% para o Cofins. “Empresas que negociam altos volumes de créditos podem obter um alívio financeiro significativo, reduzindo sua carga tributária e tornando a comercialização dos créditos mais vantajosa frente à tributação do IRPJ e CSLL”, observa Edna.

A especialista ainda enfatiza a relevância das questões de compliance e ESG (Environmental, Social and Governance): “A isenção do PIS e Cofins pode encorajar um número maior de empresas a comercializarem créditos de reposição como parte de uma estratégia de conformidade ambiental. Além das questões tributárias, isso representa uma oportunidade de equilibrar as responsabilidades fiscais com as preocupações ambientais”.

Por fim, Edna Dias da Silva destaca a necessidade de um equilíbrio entre os interesses fiscais e a preservação do meio ambiente. “É indiscutível que, diante da realidade atual, não só no Brasil, mas em todo o mundo, existe uma tensão entre a arrecadação do Fisco e a urgência da conservação ambiental. Contudo, é essencial encontrar um meio-termo, pois as questões ambientais são emergenciais e a sociedade está cada vez mais atenta, não podendo os interesses de poucos prevalecerem em detrimento da coletividade”, conclui.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de carne suína do Brasil crescem 8,3% em abril e faturamento supera US$ 328 milhões

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As exportações brasileiras de carne suína seguiram em forte ritmo de crescimento em abril de 2026, impulsionadas principalmente pela demanda dos mercados asiáticos. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal mostram que o Brasil embarcou 140 mil toneladas de carne suína no período, considerando produtos in natura e processados.

O volume representa alta de 8,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram exportadas 129,2 mil toneladas.

A receita obtida com os embarques também apresentou crescimento expressivo. Em abril, o setor faturou US$ 328,2 milhões, avanço de 8,8% frente aos US$ 301,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Exportações acumuladas mantêm crescimento acima de 14%

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne suína alcançaram 532,2 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado entre janeiro e abril do ano passado, quando os embarques totalizaram 466 mil toneladas.

Em receita, o avanço acumulado também foi significativo. O setor somou US$ 1,244 bilhão nos quatro primeiros meses do ano, crescimento de 14,1% na comparação com igual intervalo de 2025, que havia registrado US$ 1,090 bilhão.

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O desempenho reforça o momento positivo das proteínas animais brasileiras no mercado internacional, especialmente diante da ampliação da demanda em países asiáticos.

Filipinas lideram compras de carne suína brasileira

As Filipinas mantiveram a liderança entre os principais destinos da carne suína brasileira em abril. O país importou 35,9 mil toneladas, crescimento de 20,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Na sequência aparecem:

  • Japão: 16,6 mil toneladas (+131,9%)
  • China: 11,8 mil toneladas (-21,6%)
  • Chile: 11,1 mil toneladas (+22,8%)
  • Hong Kong: 8 mil toneladas (-34,3%)
  • Vietnã: 5,5 mil toneladas (+44,6%)
  • Argentina: 5,3 mil toneladas (-8,7%)
  • Singapura: 5,1 mil toneladas (-24,3%)
  • Uruguai: 4,6 mil toneladas (+12,7%)
  • México: 4,4 mil toneladas (-40,3%)

O forte crescimento das exportações para mercados de maior valor agregado, como o Japão, vem sendo observado com atenção pelo setor.

Ásia segue como principal motor das exportações

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, o fluxo internacional da carne suína brasileira continua bastante positivo em 2026, especialmente nos países asiáticos.

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De acordo com o dirigente, além da consolidação das Filipinas como principal destino das exportações brasileiras, mercados estratégicos vêm ampliando a demanda pela proteína animal produzida no Brasil.

O avanço consistente dos embarques reforça as perspectivas otimistas do setor para o restante do ano, sustentadas pela competitividade da produção brasileira e pela forte procura internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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