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Crédito Internacional Surge como Alternativa para o Agronegócio Brasileiro em Meio a Escândalo Bancário

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Uma ação judicial movida pela Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio (ABDAGRO) trouxe à tona o que pode ser considerado o maior escândalo bancário da história do Brasil: a prática sistemática de “venda casada” em financiamentos rurais. O processo, que envolve o Banco do Brasil, revela prejuízos superiores a R$ 800 bilhões para produtores rurais ao longo de décadas. Diante desse cenário, especialistas defendem que o crédito internacional pode ser uma solução estratégica para revitalizar o agronegócio brasileiro.

Luciano Bravo, CEO da Inteligência Comercial, ressalta que o crédito internacional oferece uma alternativa viável e eficiente para os produtores rurais. “Essa modalidade proporciona taxas mais competitivas, maior transparência e independência em relação às práticas dos bancos nacionais”, afirma. Para ele, o acesso a recursos globais pode não apenas mitigar os impactos do escândalo, mas também impulsionar a competitividade do setor.

Histórico de Abusos no Crédito Rural

O crédito rural foi instituído no Brasil na década de 1960 como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento socioeconômico, especialmente para pequenos e médios produtores. Protegido pela Constituição, o mecanismo deveria fomentar a produção agrícola. No entanto, a prática da venda casada — que condiciona a liberação de crédito à compra de produtos financeiros, como seguros e títulos de capitalização — desviou bilhões de reais que poderiam ter sido investidos diretamente no campo.

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Segundo a ABDAGRO, entre 2010 e 2020, cerca de R$ 179 bilhões foram desviados ilegalmente por meio dessa prática. “A venda casada é um freio ao crescimento econômico do setor mais produtivo da nossa economia”, afirma Bravo. Além de aumentar os custos operacionais dos produtores, a prática comprometeu a sustentabilidade do agronegócio no país.

Crédito Internacional como Solução

Diante da exposição do escândalo, o debate sobre fontes alternativas de financiamento ganhou força. O crédito internacional surge como uma opção vantajosa, não apenas pelas condições financeiras mais favoráveis, mas também pela transparência exigida por organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Essas instituições operam sob regras claras, o que reduz significativamente as chances de práticas abusivas”, explica Bravo.

Entre as modalidades de crédito internacional disponíveis, destacam-se:

  • Empréstimos de instituições financeiras globais: Oferecem taxas de juros mais baixas e prazos estendidos.
  • Parcerias com organismos multilaterais: Entidades como o BID e o Banco Mundial possuem programas específicos para apoiar o agronegócio.
  • Emissão de títulos verdes (green bonds): Permitem que produtores rurais financiem projetos sustentáveis com capital externo a custos reduzidos.
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“O produtor precisa ter opções. Com ferramentas digitais e acesso ao mercado internacional, ele ganha poder de negociação e pode investir diretamente em sua produção, sem depender de produtos financeiros desnecessários”, destaca Bravo.

Transformação no Mercado Financeiro

A ação liderada pela ABDAGRO marca o início de uma possível transformação no mercado financeiro brasileiro. Enquanto aguarda uma decisão judicial definitiva, o setor busca alternativas para garantir sua sobrevivência econômica. Para Bravo, o crédito internacional representa mais do que uma solução imediata: é uma oportunidade para os produtores conquistarem autonomia financeira e transformarem a crise em um ponto de inflexão.

“O crédito internacional pode libertar os produtores de práticas abusivas e posicionar o agronegócio brasileiro como uma potência global ainda mais independente e competitiva”, conclui o especialista. Com acesso a recursos globais, o setor tem a chance de superar os impactos do escândalo e consolidar sua liderança no mercado mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.

A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.

Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.

A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.

O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.

Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.

A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.

“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.

Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.

Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.

Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.

Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.

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As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.

Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.

Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.

A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.

A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.

Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.

Fonte: Pensar Agro

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