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Cotações do Algodão Sobem no Brasil com Apoio da Bolsa de Nova York e Demanda Pontual

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As cotações do algodão em pluma no Brasil registraram alta ao longo desta semana, influenciadas pelo desempenho da Bolsa de Nova York e por uma demanda pontual no mercado doméstico. O volume de negócios foi considerado moderado, com contratos para entrega em prazos de 15 dias e negociações já voltadas para a safra 2025, conforme apontado pela Safras Consultoria.

Na quinta-feira (12), o preço pago ao produtor em Rondonópolis, no Mato Grosso, aumentou 0,83%, alcançando R$ 3,77 por libra-peso. Em relação à quinta-feira anterior (05), o ganho foi de 2,33%, quando o valor era de R$ 3,68 por libra-peso. Já no CIF de São Paulo, o preço do algodão subiu 0,76%, encerrando o dia cotado a R$ 4,00 por libra-peso, comparado a R$ 3,93 na semana anterior, representando uma alta de 1,78%.

Relatório do USDA

O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou a produção de algodão no país para a temporada 2024/25, estimando 14,51 milhões de fardos, uma redução em relação aos 15,11 milhões projetados no mês anterior. Para a safra 2023/24, a produção foi de 12,07 milhões de fardos.

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As exportações americanas de algodão estão previstas em 11,8 milhões de fardos para 2024/25, uma ligeira queda frente aos 12 milhões estimados em agosto. O consumo interno deve permanecer estável, com 1,9 milhão de fardos. Com essas projeções, os estoques finais dos Estados Unidos foram ajustados para 4 milhões de fardos na temporada 2024/25, ante 4,5 milhões de fardos projetados no mês anterior. Em 2023/24, os estoques finais foram de 3,15 milhões de fardos.

A produção global de algodão foi estimada em 116,42 milhões de fardos para 2024/25, uma leve queda em relação aos 117,64 milhões do mês anterior. A safra de 2023/24 ficou em 113,57 milhões de fardos. Já as exportações globais foram revisadas para 42,99 milhões de fardos em 2024/25, comparado a 43,54 milhões no mês anterior. O consumo mundial de algodão deve atingir 115,75 milhões de fardos, com estoques finais projetados em 76,49 milhões.

A China, maior produtora global, tem a colheita estimada em 27,8 milhões de fardos para 2024/25, enquanto o Paquistão deve produzir 5,7 milhões de fardos, ambos ligeiramente ajustados em relação às previsões anteriores. No Brasil, a safra de algodão para 2024/25 permanece estimada em 16,7 milhões de fardos, sem alterações desde a última projeção. A Índia, por sua vez, teve sua estimativa de produção ajustada para 24 milhões de fardos, ante 24,5 milhões projetados no mês anterior.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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