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Cotação do trigo no Brasil recua apesar de valorização no mercado externo — estoques elevados e importações pressionam preços

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Apesar da colheita atrasada no Sul do Brasil, principalmente no estado do Paraná, onde chuvas vêm interrompendo as operações de campo com frequência, os preços do trigo no mercado doméstico continuam em queda. Estudos do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada (Cepea) destacam que a oferta interna permanece elevada, sustentada por estoques de passagem relativamente altos, o que limita espaço para elevação de preços.

Além disso, o câmbio com o dólar por volta de R$ 5,30 e previsões de safra mundial recorde contribuem para manter a paridade de importação competitiva, reforçando a pressão sobre as cotações domésticas.

Exportações e mercado regional no Sul ficam estáveis

No Rio Grande do Sul, os preços de exportação para trigo milling com 12% de proteína se mantiveram em cerca de R$ 1.170 por tonelada sobre rodas no porto de Rio Grande, o que corresponderia a preços entre R$ 1.000 e R$ 1.020 no interior. No mercado interno, a falta de negócios entre moinhos locais e produtores deixou o mercado praticamente parado, com ofertas até R$ 1.000 e pedidos entre R$ 1.050 e R$ 1.100.

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Nas regiões produtoras, a média da saca recuou lentamente: registrou-se cerca de R$ 59,00 em Santa Rosa e R$ 60,00 em Panambi.

Em Santa Catarina, onde a colheita ainda não rendeu volumes expressivos, os moinhos procuram trigo importado do Paraná e do RS, com ofertas entre R$ 1.020 e R$ 1.250 por tonelada, dependendo da origem. Para os produtores catarinenses, os valores pagos variaram entre R$ 61,00 e R$ 65,00 por saca, com leve recuo em algumas localidades, como Chapecó e Rio do Sul.

No Paraná, os contratos para entrega em novembro (com pagamento em dezembro) giram em torno de R$ 1.250 por tonelada CIF para moinhos. O trigo argentino foi cotado entre US$ 258 e US$ 260 por tonelada no porto, e o paraguaio a cerca de US$ 245 CIF. Já o preço pago aos agricultores caiu 0,29% na última semana, resultando numa média de R$ 64,14 por saca, valor inferior em cerca de 14,06% ao custo de produção estimado (R$ 74,63).

Alta na Bolsa de Chicago: impactos limitados no Brasil

No mercado internacional, a Chicago Board of Trade (CBOT) registrou forte valorização dos contratos futuros do trigo. Para dezembro, os contratos fecharam em US$ 5,26 por bushel, alta de 2,63%. Para março de 2026, fecharam a US$ 5,42, com valorização de 2,65%. Outras posições também registraram aumentos.

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Esse movimento foi impulsionado por dois fatores principais: condições de seca em aproximadamente um terço das lavouras nas planícies dos Estados Unidos — gerando preocupação sobre a oferta — e uma queda do dólar frente a outras moedas, o que torna o trigo norte-americano mais competitivo no comércio internacional.

No entanto, apesar da valorização no mercado futuro, a demanda internacional por trigo mostrou sinais de enfraquecimento: nas inspeções de exportação dos EUA, foram registradas 258.543 toneladas nas últimas semanas — valor inferior ao período anterior (493.487 toneladas) e também abaixo do mesmo período do ano passado (294.657 toneladas). No acumulado da safra, iniciada em 1º de junho, o volume inspecionado soma 11.463.969 toneladas, ante 9.594.643 toneladas na safra anterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

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A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

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Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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