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Consórcio Público-Privado Cria Calculadora Ambiental com Apoio do Serpro

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Um consórcio formado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cinco empresas privadas, com o suporte do Serpro, está desenvolvendo uma ferramenta inovadora destinada a medir a pegada de carbono dos produtos de carne e leite no Brasil. Esta tecnologia foi escolhida em um concurso promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e tem como objetivo promover práticas sustentáveis, facilitando a obtenção de financiamentos e o atendimento a requisitos necessários para exportação.

A ferramenta estará disponível na Plataforma Agro Brasil +Sustentável, um ambiente digital criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Serpro, com lançamento programado para janeiro de 2025. Esta plataforma funcionará como um “oráculo” para a validação dos dados fornecidos pelos produtores rurais, oferecendo informações que facilitarão a análise de crédito junto a instituições financeiras, como bancos e seguradoras.

Bruno Vilela, superintendente de Relacionamento com Clientes do Serpro, explica: “A proposta é que os produtores das cadeias de pecuária de corte e de leite acessem a plataforma e informem ao governo sobre suas práticas. Com essas informações, será possível calcular a pegada de carbono e, conforme critérios disponíveis na Plataforma Agro Brasil +Sustentável, realizar a qualificação ambiental tanto da atividade quanto da propriedade como um todo.”

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O projeto é financiado pelo BNDES, que, juntamente com o Serpro, oferece sua expertise tecnológica para a integração das soluções governamentais. O desenvolvimento da metodologia que será utilizada para o cálculo será realizado pelo consórcio liderado pela FGV, em colaboração com as empresas Imaflora, Agrotools, Waycarbon, WRI e DSM.

Linhas de Crédito

A pegada de carbono poderá ser utilizada como critério para a concessão de linhas de crédito facilitadas, além de agregar valor aos produtos. Iniciativas governamentais, como o Plano Safra, já buscam oferecer mais benefícios a produtores que adotam práticas sustentáveis. Além disso, a própria cadeia produtiva já implementa programas Net Zero, que visam zerar o balanço das emissões de gases do efeito estufa, exigindo que sua rede de fornecedores tenha metas semelhantes.

A Plataforma Agro Brasil +Sustentável integrará diversas bases de dados do governo federal, promovendo a correlação dessas informações e permitindo a conformidade das atividades do produtor com a legislação vigente. Com a calculadora ambiental, os usuários poderão também contribuir, fornecendo novas informações, o que facilitará o relacionamento com entidades certificadoras e garantirá a adoção de boas práticas agrícolas e pecuárias. “Trata-se de um sistema que oferece agilidade e maior credibilidade a selos de certificação, incluindo aqueles relacionados a produtos orgânicos, de produção integrada e boas práticas agrícolas”, complementa o superintendente do Serpro.

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“Sequestro” de Carbono

Diversas técnicas de produção pecuária já possibilitam não apenas a neutralização, mas também a remoção de mais carbono do que o que é produzido, por meio do “sequestro” do carbono da atmosfera. Tecnologias promovidas pelo Plano ABC+ do MAPA são exemplos desse tipo de abordagem. Neste cenário, o governo espera consolidar um sistema de incentivos que acelere a adoção de tecnologias e metodologias cada vez mais sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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