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Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas toma posse e inicia plano municipal

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O Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMPOD) empossou, nesta quinta-feira (19), a presidente e os conselheiros titulares e suplentes, que passam a atuar na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento e à prevenção do uso de drogas em Cuiabá. A presidência do colegiado ficará sob responsabilidade da secretária municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares.

Com o desafio de estruturar uma política municipal efetiva sobre o tema, a presidente empossada afirmou que o trabalho, desenvolvido em conjunto com os 32 conselheiros, conta com o apoio das esferas estadual e federal para construir diretrizes capazes de enfrentar e dialogar com a realidade atual.

“A nossa primeira missão é assumir essa responsabilidade coletiva. Como moradores e cidadãos de Cuiabá, temos o compromisso de definir o que esperamos para o município, estabelecendo diretrizes que sirvam de base para o enfrentamento, a prevenção e o combate ao uso de drogas”, afirmou Juliana Palhares.

A presidente do Conselho também reforçou a necessidade de captação de recursos para viabilizar as ações. “Nenhuma política pública se concretiza sem orçamento. Precisamos avançar na captação de recursos estaduais e federais. O fundo já existe, a conta está criada e estamos prontos para apresentar projetos.”

A solenidade contou com um momento de espiritualidade conduzido pelo padre Pedro Canísio Schroeder, representante da Mitra Arquidiocesana de Cuiabá.

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A secretária executiva do conselho, Francismary Amorim, explicou que o COMPOD foi criado em 2013 e passou por mudanças administrativas até ser vinculado à Secretaria Municipal de Ordem Pública. Com a posse, os trabalhos começam oficialmente. “Nosso principal objetivo é elaborar o Plano Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas, já que o município ainda não possui uma legislação estruturada sobre o tema”, pontuou.

Entre os empossados está o delegado da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos, Wilson Cibulskis Junior, representante da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ele ressaltou a importância da atuação integrada, especialmente no campo da prevenção. “A participação de diferentes atores é fundamental para o sucesso dessa política. Acredito que o trabalho nas escolas, envolvendo jovens e famílias, é essencial para reduzir os índices de uso de drogas e seus impactos sociais”, destacou.

O colegiado reúne representantes de órgãos governamentais e não governamentais, incluindo secretarias municipais, a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Federação das Associações de Moradores de Bairros, instituições religiosas, clubes de serviço, conselho profissional, comunidades terapêuticas e entidades empresariais.

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CONFIRA OS TITULARES DO CONSELHO

Representantes dos órgãos governamentais
Moisés Batista Marinho
Suzana Przybyszewski Barros

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer
Fábio Bumlai Alves Pinto
Edmilson Marques de Moraes

Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão
Cleverson Leite de Almeida

Secretaria Municipal de Governo
Marília Gabrielle Figueiredo Fontes

Secretaria de Estado Segurança Pública (Sesp-MT)
Wilson Cibulskis Junior

Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp)
Juliana Chiquito Palhares
Robson Pereira dos Santos

Representantes das entidades não governamentais

Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT)
Bento Epifânio da Silva Filho

Federação das Associações de Moradores de Bairros
Helena Maria do Nascimento

Instituições religiosas
Eliana Conceição Leite, pela Mitra Arquidiocesana de Cuiabá

Clubes de serviço
Jefferson William de Oliveira, pelo Rotary Club de Cuiabá

Comunidades terapêuticas
Alonso Alcântara Moura, pela Associação Terapêutica, Ambiental e Acolhimento Paraíso

Entidades de serviços
Daniel Paulo Maia Teixeira, pela Câmara de Dirigentes Lojistas

Áreas profissionais
Ivna de Oliveira Nunes, indicada pelo Conselho Regional de Serviço Social.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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