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Congresso do Trigo Atraí Público Recorde e Discute Futuro do Setor no Brasil e no Mundo

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A 31ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizada em Foz do Iguaçu (PR) entre os dias 23 e 25 de outubro, destacou-se pelo recorde de público, reunindo mais de 600 representantes do setor. O evento proporcionou debates aprofundados sobre o desempenho global da indústria do trigo, com uma programação abrangente que incluiu 12 palestras e um workshop.

Dividido em painéis temáticos como “O Mercado do Trigo”, “Tecnologias e o Futuro do Trigo na Alimentação”, “O Trigo e a Mídia” e “Os Canais de Vendas dos Derivados do Trigo”, o congresso contou com a participação de notáveis figuras do setor, incluindo Allan Rogério de Alvarenga, Secretário Adjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); o Deputado Federal Luiz Carlos Hauly; Osvaldo Vasconcellos, Supervisor da Embrapa Trigo; e Gilberto Igrejas, pesquisador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Portugal, entre outros.

“Essa edição atendeu aos interesses de toda a cadeia produtiva do trigo. Durante os três dias de evento, recebemos representantes de todas as frentes de trabalho do setor, resultando em um grande sucesso”, destacou Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo. Segundo ele, a seleção de temas foi feita de forma direta e objetiva, com foco em apresentar o cenário real da produção global de trigo e promover o conhecimento sobre gestão e novas tecnologias.

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Destaques da Programação

Durante o congresso, Allan Rogério de Alvarenga anunciou que, a partir de 1º de dezembro de 2024, o Brasil implementará um novo sistema de gerenciamento de risco na importação de trigo argentino nos portos do país. A medida, segundo o Secretário Adjunto, visa atender a uma demanda do setor, simplificando o processo de importação sem comprometer a segurança alimentar. A fiscalização, que anteriormente incidia sobre 100% das cargas, será reduzida a 10%, com um controle realizado por meio de um sistema integrado a um portal único. “Essa mudança permitirá o monitoramento de todas as entradas, possibilitando a seleção das cargas a serem inspecionadas fisicamente”, afirmou Alvarenga.

No painel “O Trigo e a Mídia”, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) apresentou um levantamento realizado pela Buzzmonitor, que analisou o termo “glúten” nas redes sociais e em sites informativos. A pesquisa visou entender as percepções sobre o tema e identificar se as discussões eram predominantemente positivas ou negativas. Segundo Erick Garcia, gerente de Negócios da Buzzmonitor, a análise proporciona insights ao mercado para ajustar suas estratégias de comunicação, visando promover a conscientização e aproximar-se dos consumidores.

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A pesquisa revelou que a maior parte do público engajado nas redes sociais sobre o glúten é composta por mulheres (63,5%), enquanto os homens representam 36,5%. Quanto às opiniões, 46,6% das publicações expressaram uma visão positiva sobre o glúten, 31,4% tinham uma perspectiva negativa e 22% eram neutras.

Preparativos para 2025

Diante do sucesso do evento, Rogério Tondo, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, anunciou que já estão em andamento os preparativos para a próxima edição do congresso. “A palavra que define o Congresso de 2024 é ‘fantástico’. Neste ano, tivemos um aumento de 20% no número de participantes, com a presença de representantes de 16 países da América do Sul, América do Norte e Europa”, celebrou Tondo.

Ele também destacou que os números demonstram o êxito do congresso em promover a troca de informações e networking. “Para 2025, podem esperar, no mínimo, um evento tão bom quanto este ou ainda maior. Estamos trabalhando na seleção de temas e palestrantes e realizando uma pesquisa de opinião para entender melhor os interesses dos participantes”, anunciou.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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