AGRONEGÓCIO

Congresso aprovou o orçamento 2025, mas valor preocupa os produtores rurais

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Com a aprovação do Orçamento da União, os setores econômicos analisam os impactos das alocações de recursos para 2025. No agronegócio, as atenções se voltam para o Plano Safra e o Seguro Rural, cujos valores mantidos geram preocupações diante do atual cenário econômico.

O Plano Safra 2025/2026, essencial para o financiamento da produção agropecuária, enfrentará desafios diante da manutenção dos R$ 15,03 bilhões destinados à equalização das taxas de juros. A questão se agrava pelo aumento da taxa Selic, que passou de 10,5% em agosto de 2024 para 14,25% ao ano, com expectativa de novos reajustes. A falta de adequação dos recursos ao cenário de juros elevados pode dificultar a obtenção de crédito rural e tornar a produção mais onerosa.

Especialistas apontam que uma reprogramação orçamentária será necessária para garantir a viabilidade do próximo Plano Safra. No entanto, o fluxo de contratações com recursos subsidiados deve priorizar pequenos produtores e cooperativas, enquanto médios e grandes enfrentarão maior custo financeiro. A perspectiva é de que os investimentos fiquem em segundo plano até que o ambiente econômico se torne mais favorável, especialmente para os produtores com maior nível de endividamento.

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Outra preocupação recai sobre o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que teve um orçamento de R$ 1,06 bilhão aprovado para 2025. O setor produtivo e especialistas consideram o valor insuficiente, uma vez que as necessidades reais do mercado giram em torno de R$ 4 bilhões. O aumento da sinistralidade nos últimos anos tem afastado seguradoras, tornando o acesso ao seguro mais difícil para os produtores rurais. Entidades do setor defendem uma suplementação de pelo menos R$ 1,05 bilhão ao longo do ano para mitigar os impactos.

O agronegócio, motor da economia brasileira, depende de políticas públicas eficazes para manter sua competitividade e garantir a segurança alimentar nacional e internacional. Diante do atual cenário fiscal e monetário, produtores e entidades representativas seguem mobilizados para buscar ajustes que possibilitem maior previsibilidade e estabilidade ao setor.

Fonte: Pensar Agro

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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