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Confinamento bovino: Centro-Oeste reduz custos e volta a ganhar competitividade frente ao Sudeste

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O confinamento bovino brasileiro registrou uma importante mudança de cenário em maio de 2026. Após três meses consecutivos de vantagem do Sudeste, o Centro-Oeste voltou a ganhar competitividade na produção de gado terminado, impulsionado pela redução dos custos alimentares e pelo avanço da oferta de grãos no mercado interno.

Os dados são do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), indicador calculado com base em informações reais de confinamentos monitorados por tecnologias de gestão que abrangem cerca de 62% dos bovinos confinados no país, segundo levantamento do Beef Report Abiec 2025.

O principal destaque do período foi a queda de 3,97% no ICAP do Centro-Oeste, que encerrou maio em R$ 12,83 por cabeça ao dia. No Sudeste, o índice permaneceu praticamente estável, registrando leve alta de 0,25%, para R$ 12,06 por cabeça ao dia.

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Com isso, a diferença entre as duas regiões caiu significativamente, passando de R$ 1,33 para R$ 0,77 por cabeça ao dia, sinalizando maior equilíbrio competitivo no confinamento nacional.

Custos da dieta recuam e favorecem rentabilidade

A redução dos custos foi observada também nas dietas de terminação dos animais.

No Centro-Oeste, o custo da dieta apresentou retração de 1,89% em maio. Já no Sudeste, a queda foi de 0,77%.

O movimento foi puxado principalmente pela desvalorização dos volumosos, além da redução dos custos dos principais ingredientes energéticos e proteicos utilizados na nutrição animal.

Mesmo diante de uma leve queda nas cotações da arroba bovina ao longo do mês, os confinadores mantiveram níveis de rentabilidade considerados historicamente elevados.

As margens permaneceram acima de R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões analisadas.

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Centro-Oeste se beneficia da safra de grãos

No Centro-Oeste, a chegada da segunda safra de milho contribuiu para aliviar os custos dos confinamentos.

Entre os principais insumos, destacaram-se:

  • Energéticos: queda de 1,43% em relação à média trimestral;
  • Proteicos: recuo de 0,37%;
  • Volumosos: redução de 10,48%.

O milho grão seco ficou 0,7% abaixo da média dos últimos três meses, refletindo o avanço da colheita da safrinha e a expectativa de maior disponibilidade do cereal.

A casca de soja também registrou queda de 1,6%, enquanto o caroço de algodão apresentou recuo de 6,1%.

Por outro lado, alguns ingredientes continuaram pressionando os custos, como a polpa cítrica, que permaneceu 9,6% acima da média trimestral, e o DDG, que registrou valorização de 29,6%.

Sudeste mantém liderança em eficiência produtiva

Mesmo com a recuperação do Centro-Oeste, o Sudeste continuou apresentando os menores custos alimentares do país.

O custo total da dieta na região encerrou maio 3,59% abaixo da média trimestral, consolidando a tendência de redução observada desde março.

Os principais grupos de alimentos apresentaram desempenho positivo:

  • Energéticos: queda de 2,68%;
  • Proteicos: redução de 4,01%;
  • Volumosos: retração de 10,87%.

A casca de soja foi um dos destaques, operando 9,3% abaixo da média trimestral. Já o milho registrou queda de 1,8%.

Nos volumosos, a entrada da safra canavieira continuou influenciando a composição das dietas. A forte redução dos preços da casca de amendoim (-17,2%) e da silagem de mombaça (-8,6%) ajudou a manter os custos em trajetória de queda.

Lucro permanece acima de R$ 1 mil por cabeça

Apesar do ajuste nos preços da arroba física em maio, os confinadores seguiram operando com excelente rentabilidade.

  • Centro-Oeste
    • Arroba: R$ 343,00
    • Custo da arroba produzida: R$ 206,91
    • Lucro estimado: R$ 1.037,03 por cabeça
  • Sudeste
    • Arroba: R$ 343,00
    • Custo da arroba produzida: R$ 195,13
    • Lucro estimado: R$ 1.123,78 por cabeça
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Segundo o levantamento, o Centro-Oeste apresentou maior resistência à queda da arroba, com redução de apenas 1,11% na lucratividade. Já o Sudeste sofreu impacto mais expressivo, registrando retração de 6,74% nas margens.

Ainda assim, a região segue liderando os indicadores de eficiência econômica do confinamento nacional.

Exportação para a China amplia vantagem do Sudeste

Quando considerada a comercialização para o mercado chinês, o Sudeste mantém vantagem competitiva.

A lucratividade estimada alcançou:

  • Sudeste: R$ 1.192,18 por cabeça;
  • Centro-Oeste: R$ 1.082,75 por cabeça.

A diferença de R$ 109,43 por animal está relacionada principalmente ao menor custo de produção da arroba e à remuneração ligeiramente superior obtida pela região.

Cenário aponta maior equilíbrio entre as regiões

Os números de maio mostram que o confinamento brasileiro continua atravessando um dos momentos mais favoráveis dos últimos anos.

A combinação entre redução dos custos alimentares, avanço da safra de grãos e manutenção de preços remuneradores da arroba sustenta margens robustas para os produtores.

Embora o Sudeste permaneça liderando os indicadores de eficiência e lucratividade, o Centro-Oeste voltou a ganhar terreno graças à redução dos custos de alimentação, especialmente dos volumosos e energéticos.

A tendência é que a continuidade da colheita da safrinha e a maior oferta de insumos mantenham a pressão baixista sobre os custos de produção nos próximos meses, fortalecendo ainda mais a competitividade do confinamento brasileiro e ampliando as oportunidades de rentabilidade para os pecuaristas.

Boletim ICAP

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de bovinos vivos ultrapassa 1 milhão de cabeças e avança com padronização sanitária no Brasil

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Exportação de “boi em pé” bate recorde e supera US$ 1 bilhão

A exportação de bovinos vivos pelo Brasil, conhecida como comércio de “boi em pé”, atingiu um novo recorde em 2025. Foram embarcadas cerca de 1,07 milhão de cabeças, crescimento de 5,53% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav).

O desempenho reforça a consolidação do país no mercado internacional de proteína animal e acompanha o aumento da demanda por padronização sanitária, rastreabilidade e eficiência operacional em toda a cadeia produtiva.

Em termos de faturamento, o setor ultrapassou US$ 1 bilhão no último ano, alta de 26,1%, conforme dados da Scot Consultoria com base na plataforma Comex.

Os principais destinos do gado vivo brasileiro seguem concentrados no norte da África e no Oriente Médio, com destaque para Turquia e Egito.

Padronização sanitária se torna peça-chave para competitividade do setor

Com o aumento do volume exportado, a padronização de protocolos sanitários passou a ser um dos principais pilares da atividade.

Para atender às exigências internacionais, os animais são concentrados em fazendas de pré-embarque, onde passam por etapas de manejo sanitário e adaptação antes do transporte marítimo.

Esse processo, que pode levar entre 60 e 80 dias desde a contratação até a entrega no destino final, eleva o desafio imunológico dos rebanhos e exige rigor no controle sanitário, alimentar e logístico.

Segundo o presidente da Abreav, Ricardo Barbosa, a qualidade do manejo pré-embarque é determinante para o resultado da operação.

“A nossa imagem como exportador vai transparecer quando os animais chegam no destino. Se os procedimentos não são adequados previamente, esses animais têm uma tendência muito maior a ficarem doentes no trajeto. Querer economizar na recepção traz um impacto negativo enorme para a produção”, afirma.

Protocolos sanitários reduzem perdas em até 50%

Nos últimos anos, o setor avançou na adoção de protocolos sanitários padronizados. Estima-se que cerca de 85% do gado vivo exportado pelo Brasil siga atualmente o protocolo desenvolvido pela Biogénesis Bagó, em parceria com a Abreav.

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A iniciativa contribuiu para a atualização de normas técnicas e procedimentos operacionais padrão (POPs), resultando em maior eficiência sanitária e operacional.

De acordo com o setor, a padronização permitiu uma redução de até 50% nas perdas relacionadas à saúde animal, fortalecendo a competitividade brasileira em mercados cada vez mais exigentes.

Fiscalização rigorosa e rastreabilidade reforçam segurança das exportações

O modelo de exportação de bovinos vivos no Brasil opera sob regras estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com fiscalização presencial em 100% das operações de embarque.

Entre as exigências estão rastreabilidade individual dos animais, controle sanitário rigoroso e protocolos de contingência logística e sanitária.

Para especialistas do setor, esse conjunto de medidas é fundamental para garantir previsibilidade, segurança e credibilidade ao produto brasileiro no mercado internacional.

Manejo sanitário e recuperação dos animais são decisivos na operação

Segundo o gerente nacional de Demanda da Biogénesis Bagó, Bruno Di Rienzo, o desempenho sanitário dos animais é resultado direto de um modelo estruturado em três pilares: exigências internacionais, adaptação às condições brasileiras e recuperação pós-transporte.

“O nosso trabalho apoia-se em três pilares estratégicos: cumprir com rigor as exigências internacionais, adaptar a prevenção à realidade brasileira e potencializar a recuperação desses animais após o transporte até os locais de embarque”, explica.

O uso de protocolos sanitários integrados, incluindo endectocidas, antibióticos, vacinas e suplementação vitamínica, tem contribuído para reduzir estresse, perdas de peso e mortalidade durante o transporte marítimo.

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Eficiência sanitária melhora resultados econômicos da atividade

A padronização dos protocolos também trouxe impacto direto na rentabilidade da atividade.

Segundo Ricardo Barbosa, o avanço técnico permitiu reduzir em cerca de 50% a mortalidade em comparação aos primeiros ciclos da operação, especialmente em animais F1.

“O resultado econômico do negócio depende da eficiência dos animais. O retorno financeiro desse cuidado imunológico é muito rápido”, avalia.

Brasil amplia infraestrutura logística para exportação de bovinos vivos

O crescimento da atividade também impulsiona investimentos em infraestrutura logística. Novos portos vêm sendo habilitados para embarque de animais vivos, ampliando a capacidade operacional do país.

Entre os terminais autorizados estão portos no Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), São Luís (MA) e Ilhéus (BA), o que fortalece a competitividade logística do Brasil no setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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