AGRONEGÓCIO
Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas 2024 escolhe os melhores cafés do estado
Publicado em
26 de novembro de 2024por
Da Redação
O julgamento das amostras finalistas do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais ocorreu nesta segunda-feira, 25 de novembro, no mezanino do supermercado Verdemar Sion, em Belo Horizonte. Durante a avaliação, foram analisadas 40 amostras, divididas igualmente entre as categorias Natural e Cereja Descascado. A premiação dos vencedores será realizada em dezembro, em data a ser confirmada.
O painel de degustação contou com a participação de oito especialistas com certificação internacional e qualificação avançada na avaliação de cafés arábicas. As amostras foram submetidas a uma análise sensorial detalhada, seguindo a metodologia da Associação de Cafés Especiais (SCA). Entre os atributos observados estavam fragrância, aroma, sabor, acidez, corpo, uniformidade, ausência de defeitos, doçura, finalização, equilíbrio e avaliação global. Gilmar Cabral, um dos jurados, destacou a alta qualidade dos cafés avaliados, com todos atingindo notas superiores a 85 pontos (em uma escala de 100), conforme as normas da SCA. “Os cafés são excepcionais, com perfis diferenciados, verdadeiramente raros”, comentou o degustador.
Impulsionando a qualidade do café mineiro
Para Gelson Soares Lemes, diretor técnico da Emater-MG, o concurso tem sido fundamental para a melhoria da qualidade do café em Minas Gerais. “Este concurso tradicional nas regiões cafeeiras envolve um grande número de participantes a cada edição. Muitos produtores veem no concurso uma oportunidade de agregar valor ao seu produto e fortalecer a cafeicultura local”, afirmou Lemes.
Na edição de 2024, o concurso recebeu 1.406 amostras de 146 municípios mineiros, distribuídos pelas quatro macrorregiões produtoras do estado: Matas de Minas, Sul, Cerrado e Chapada de Minas. Ivana Marques Macedo, gerente corporativa do Verdemar, enfatizou a importância do concurso para a sustentabilidade da agricultura e a valorização dos agricultores familiares. “É um orgulho fazer parte dessa competição, que tem transformado a vida de muitos produtores”, destacou Ivana.
Premiação e reconhecimento
O concurso premiará 24 campeões, três por região produtora, em cada uma das categorias (Natural e Cereja Descascado). O maior destaque entre os vencedores será nomeado o Grande Campeão Mineiro de 2024. Também serão homenageados a cafeicultora e o extensionista de destaque, além do cafeicultor do programa Certifica Minas Café com melhor pontuação. Uma novidade deste ano é o prêmio de sustentabilidade, que reconhecerá a importância da qualidade de vida e do meio ambiente, além da qualidade do café na xícara.
O concurso é promovido pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Emater-MG e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe) e a Oficina do Espresso. Conta com o patrocínio do Sicoob Crediminas e do supermercado Verdemar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
2 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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