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Comércio Internacional e Segurança Alimentar: Necessidade de Transparência e Normas Científicas

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Em um painel realizado durante a 44ª reunião do Comité Executivo do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), especialistas alertaram sobre a importância de um comércio internacional livre, transparente e fundamentado em normas científicas para assegurar a segurança alimentar global. O debate reuniu Ministros de Agricultura das Américas e outros altos funcionários do setor para discutir a situação atual do comércio agropecuário e o posicionamento dos países do continente.

O encontro ocorreu em um momento crucial, marcado por crises simultâneas, como a pandemia de Covid-19, conflitos bélicos e mudanças climáticas, que têm exacerbado o protecionismo global e impactado cadeias de fornecimento, afetando as comunidades mais vulneráveis.

Marcos Jank, professor e coordenador do Insper Agro Global do Brasil, e Gloria Abraham, assessora em comércio internacional do IICA e ex-Ministra de Agricultura e Pecuária da Costa Rica, foram os principais expositores. Fernando Mattos, Ministro de Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai e Presidente da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), moderou o painel.

Além dos expositores principais, contribuições significativas foram feitas por Daniel Whitley, Administrador do Serviço de Agricultura Exterior do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA); Michael James, Diretor Agrícola de Barbados; Roberto Perosa, Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil; Laura Suazo, Secretária de Agricultura e Pecuária de Honduras; e Agustín Tejeda, Subsecretário de Mercados Agropecuários e Negociações Internacionais da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina.

Desafios do Protecionismo

Marcos Jank destacou que, apesar das preocupações ambientais e climáticas, o comércio internacional é crucial para a segurança alimentar do planeta. Ele observou que a insegurança alimentar aumentou globalmente devido a eventos como a pandemia e a guerra na Ucrânia, com impactos mais graves na Ásia e na África do que na América Latina. “O problema não é apenas a falta de alimentos, mas também a qualidade das dietas; 42% da população mundial não tem acesso a alimentos saudáveis, resultando não apenas em fome, mas também em desnutrição”, explicou Jank.

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Ele ressaltou que o comércio é fundamental para a estabilização dos preços, combate à fome e à desnutrição, e melhoria dos padrões sanitários e de produtividade. Jank enfatizou que a China depende da América Latina para sua segurança alimentar, uma dependência que não deve mudar rapidamente devido à falta de terras cultiváveis na China. Ele também observou que a experiência de exportação da América Latina pode permitir à região avançar além das commodities agrícolas e oferecer produtos de maior valor agregado.

Gloria Abraham revelou que, entre 2021 e 2023, as Américas participaram com 30% das exportações globais agroalimentares, com a América Latina contribuindo com 17%. “Isso demonstra que o continente desempenha um papel fundamental na segurança alimentar global, sendo o único com superávit em exportações e importações de alimentos”, afirmou Abraham. Ela também destacou a necessidade de melhorar o comércio intrarregional na América Latina, que atualmente representa apenas 14%.

Caminhos para a Solução

Daniel Whitley, do USDA, enfatizou que o comércio é uma parte essencial da solução para os problemas de segurança alimentar. “Precisamos trabalhar com o IICA para fornecer aos produtores as ferramentas necessárias para prosperar. Com uma população mundial prevista para 10 bilhões até 2050, é crucial que os produtores tenham acesso a ferramentas baseadas em ciência para enfrentar desafios como o impacto das mudanças climáticas na agricultura”, afirmou Whitley.

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Roberto Perosa, do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, abordou os obstáculos ao comércio inter-regional e expressou o desejo de aumentar o comércio com países da região através do MERCOSUL e outras associações. Ele destacou a importância de aumentar as vendas de produtos dentro da América Latina e priorizar a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, a expansão do comércio internacional e o reconhecimento do papel dos agricultores familiares e comunidades na segurança alimentar.

Michael James, Diretor Agrícola de Barbados, enfatizou a importância do acesso ao mercado para pequenos produtores e a necessidade de estabelecer vínculos e cooperar para superar desafios. Laura Suazo, Ministra de Agricultura e Pecuária de Honduras, sugeriu a realização de pesquisas sobre os impactos dos custos de produção e o desperdício de alimentos, além de analisar o uso de recursos naturais e a erosão do solo.

Agustín Tejeda expressou preocupações com a fragmentação do multilateralismo e a crescente regulamentação ambiental, como o novo Regulamento da União Europeia sobre desflorestação. Ele destacou que, apesar das preocupações, há oportunidades para a Argentina, dada a paz consolidada no continente e práticas de produção ambientalmente amigáveis.

Na conclusão do painel, Fernando Mattos ressaltou a importância de fortalecer o multilateralismo e criar regras claras para enfrentar o protecionismo crescente. “Precisamos produzir mais conhecimento e desenvolver políticas próprias que fortaleçam nossas negociações e enfrentem barreiras impostas por questões ambientais”, concluiu Mattos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Certificação da lã gaúcha avança com atualização técnica e reforço na rastreabilidade do setor ovino

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A cadeia produtiva da ovinocultura gaúcha segue investindo em qualidade, rastreabilidade e padronização para fortalecer a competitividade da lã brasileira no mercado. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) promoveu uma atualização técnica com as comparsas certificadas pelo Programa de Certificação da Lã Gaúcha, reunindo equipes responsáveis pela esquila, classificação e certificação da produção.

O treinamento teve como objetivo alinhar procedimentos técnicos, reforçar os protocolos de qualidade exigidos pelo mercado e ampliar a capacitação dos profissionais que atuam diretamente no processo de certificação da lã no Rio Grande do Sul.

As comparsas são grupos especializados em esquila de ovinos e desempenham papel estratégico na manutenção da qualidade do velo, desde a propriedade rural até a comercialização final da produção.

Programa reforça auditoria permanente e controle da qualidade da lã

A atualização técnica foi conduzida pelo especialista Daniel Duarte, profissional com 25 anos de experiência na certificação da lã uruguaia e integrante do programa desde o início das atividades na Fronteira Oeste gaúcha.

Segundo o responsável pelo Programa de Certificação da Lã da Arco, Sérgio Muñoz, a escolha do instrutor considerou a experiência prática acumulada ao longo de décadas de atuação no setor.

“Trouxemos o Daniel como instrutor porque ele é uma referência em termos de trabalho e profissionalismo”, destacou.

Atualmente, 13 comparsas estão credenciadas para utilizar o selo da lã gaúcha, após validação técnica e cumprimento dos protocolos estabelecidos pela entidade. Conforme Muñoz, todas as equipes passam por auditorias permanentes para garantir a qualidade do serviço prestado.

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O sistema de certificação permite identificar cada lote produzido, assegurando rastreabilidade completa e acompanhamento contínuo da produção.

“Essas comparsas estão permanentemente sendo auditadas”, afirmou o gestor.

Compradores internacionais ajudam a validar padrão de qualidade

De acordo com a Arco, o retorno dos compradores de lã é um dos principais instrumentos de avaliação do programa de certificação. O acompanhamento da qualidade ocorre desde a origem da produção até o destino final da fibra comercializada.

“Quem nos dá principalmente o subsídio do trabalho, se está sendo bem feito ou não, são os compradores de lã”, ressaltou Muñoz.

O encontro também contou com a participação de representantes de empresas uruguaias compradoras de lã, que acompanharam de perto o modelo de certificação desenvolvido no Rio Grande do Sul.

Para a entidade, a presença internacional reforça o reconhecimento do mercado externo ao padrão de qualidade adotado pela ovinocultura gaúcha.

“As principais empresas compradoras de lã do Uruguai estiveram presentes no evento para ver a importância que estão dando ao nosso trabalho”, acrescentou.

Capacitação reforça exigências da indústria para lã limpa e rastreável

Além dos procedimentos de classificação e certificação, o treinamento abordou o correto preenchimento dos romanês — documentos que acompanham a lã certificada desde a propriedade rural até o destino final da carga.

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O objetivo foi reforçar a importância da emissão adequada das informações para garantir rastreabilidade, transparência e segurança comercial.

Segundo Daniel Duarte, a capacitação também esclareceu dúvidas técnicas relacionadas à preparação do velo dentro dos padrões exigidos pela indústria têxtil.

“Desde temas de barrigas, desbordes, velos A, velos B e velos inferiores, foram muitas perguntas a respeito, mas foi muito bom porque a indústria hoje exige tudo isso e exige o velo limpo”, explicou o instrutor.

Setor aponta necessidade de ampliar número de profissionais especializados

Durante o encontro, a Arco também alertou para a necessidade de ampliar a oferta de mão de obra especializada em algumas regiões do Estado. Áreas como a região das Missões já apresentam demanda crescente por comparsas capacitadas para atender a expansão da atividade ovina.

“Precisamos de mais comparsas. Existem regiões com bastante ovelha que estão desabastecidas”, afirmou Muñoz.

Para enfrentar o desafio, cursos de formação vêm sendo realizados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), buscando ampliar o número de profissionais qualificados para atuar na certificação e manejo da lã gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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