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Com técnica pioneira, UFSM inova na pesquisa de clones de erva-mate

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A UFSM e o Instituto Brasileiro de Erva-Mate (Ibramate) firmaram parceria que tem como foco a pesquisa com clones de erva-mate. Com a utilização de uma técnica na qual a Universidade é pioneira, a intenção é atingir um novo patamar no que se refere à produção destes clones, beneficiando, por meio de tecnologias de clonagem, toda a cadeia produtiva.

O professor do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais (CCR) Dilson Antônio Bisognin, coordenador do projeto e líder do Grupo de Pesquisa em Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas, explica que o principal objetivo é estabelecer clones da cultura utilizando a técnica de miniestaquia e disponibilizá-los para os produtores, em parceria com o Ibramate e empresas ervateiras do Rio Grande do Sul.

Embora a UFSM já tenha diversos trabalhos desenvolvidos com indústrias do setor, a parceria com o Ibramate é mais recente: este é o segundo projeto em conjunto, com aporte de R$ 60 mil provenientes do Fundomate e prazo de duração de 24 meses. Mas o professor explica que, considerando o tempo necessário para o desenvolvimento das plantas, os resultados desses materiais poderão ser consolidados no prazo de oito a dez anos. Portanto, trata-se de um estudo de médio a longo prazo.

Histórico consolidado

A UFSM já tem um histórico consolidado neste ramo. De acordo com Bisognin, os estudos com erva-mate no Campus Sede remontam ao início dos anos 2000, inicialmente com orientação de alunos de pós-graduação. Atualmente, no jardim clonal de erva-mate do Departamento de Fitotecnia, já são produzidas mudas. Recentemente foi concluído outro projeto, também em parceria com o Ibramate, voltado ao estudo da concentração de fitoquímicos no produto e de como isso varia nos diferentes polos ervateiros. “Aqui no Campus Sede, a erva-mate é tratada em diversos aspectos dentro da cadeia produtiva, vinculado a produtores e à indústria. Estamos buscando as principais demandas da cadeia e tentando resolvê-las”, ressalta.

Centralizadas no Departamento de Fitotecnia do CCR, especialmente no Laboratório de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas (MPVP), as pesquisas relacionadas à erva-mate são interdisciplinares. O Departamento de Química, por exemplo, é parceiro para a análise de fitoquímicos e outros compostos existentes no produto, enquanto no Departamento de Solos também são realizadas análises. Já com o Setor de Paisagismo, a parceria é para a utilização da erva-mate na recomposição de áreas com plantas nativas.

O trabalho é realizado principalmente por alunos de graduação e de pós-graduação em Engenharia Florestal da UFSM. Alguns conduzem seus projetos de dissertação e tese apoiando estes convênios firmados. Parte do projeto de mestrado da aluna Denize Gazzana, por exemplo, foi fundamental tanto para o desenvolvimento de novos clones quando para o aprimoramento da técnica de miniestaquia para a produção de mudas de erva-mate.

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Estudos genéticos e a quantificação de fitoquímicos e pigmentos em folhas de plantas em produção em polos ervateiros são partes dos projetos de mestrado da Chakira Londero e de doutorado de Larissa Bitencourt junto ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal.

“É gratificante entender como uma espécie que está presente em nossa vida desde a infância pode nos trazer diversos benefícios, e compreender os processos pelos quais isso ocorre”, afirma Chakira, que é formada em Engenheira Florestal pela UFSM Campus Frederico Westphalen e há poucos dias defendeu a dissertação intitulada “Composição de fitoquímicos e pigmentos em plantas de erva-mate cultivadas no RS”.

Já Larissa estuda a variabilidade e estrutura genética da erva-mate em produção comercial no Rio Grande do Sul. “Conhecer a variabilidade genética e como se dá a sua distribuição nas populações é importante para definirmos estratégias de melhoramento para o desenvolvimento de novas cultivares, principalmente clonais, o que é inovador para a cadeia produtiva da erva-mate”, afirma a doutoranda.

Inovação da UFSM

A criação de clones de erva-mate por miniestaquia utilizando sistema fechado de cultivo sem solo, desenvolvido pelo coordenador do projeto, é uma inovação significativa. De acordo com ele, a miniestaquia é uma variação da técnica da estaquia, um método de propagação vegetativa de plantas que consiste no plantio de pequenas propágulos oriundos de caule, raízes ou folhas que, em condições adequadas, desenvolvem-se em novas plantas.

A diferença é que a miniestaquia usa, primeiramente, pedaços de plantas menores, oriundos de plantas que já foram propagadas por alguma técnica, como a estaquia. “A miniestaquia a partir de plantas conduzidas em minijardim clonal no sistema fechado de cultivo, com areia como substrato, é uma tecnologia única da UFSM. Realizamos muitos estudos para, por exemplo, definir quando coletar essas brotações, qual é o tamanho das miniestacas, qual é o substrato que vamos utilizar para o enraizamento, quais as condições de enraizamento etc.”, destaca.

Em seguida, passa-se para a etapa do clone, que é a propagação vegetativa de uma planta idealmente selecionada para as suas características. A vantagem do clone é que se trata de uma cópia genética idêntica da planta de onde foi retirada a miniestaca. “A partir do momento que identificamos uma planta que é boa para ser produzida comercialmente, nós vamos multiplicá-la e podemos produzir grandes áreas somente com aquela genética, com plantas mais produtivas, que resultem em um produto comercial de melhor qualidade”, afirma Bisognin.

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A saúde de quem não dispensa um chimarrão também é uma preocupação. O professor exemplifica que, se o produto precisar de maiores teores de fitoquímicos, que são metabólitos secundários produzidos pelas plantas de erva-mate, como antioxidantes, as plantas serão trabalhadas com este direcionamento, pelos efeitos benéficos para a saúde dos consumidores.

Clones para todo o RS

Com a produção de mudas na UFSM, deverão ser estabelecidos povoamentos clonais em várias regiões do estado. Segundo Bisognin, há cinco polos ervateiros gaúchos, e a intenção é levar os clones a cada um deles, considerando as especificidades de cada ambiente, como tipo de solo, relevo, fertilidade e disponibilidade hídrica. Na região de Venâncio Aires, por exemplo, os produtores utilizam cultivos anuais nas entrelinhas da erva-mate, o que pode afetar a produtividade e a qualidade do produto. “Temos manejos diferentes, condições diferentes, e deverá haver uma interação entre os clones que estamos produzindo e as práticas de manejo que mais se adaptam”, relata.

“Vamos melhorar a produtividade e a qualidade da produção de erva-mate no Rio Grande do Sul, impactando diretamente a indústria e o produtor”, afirma o professor, lembrando que o trabalho está conectado a demandas da cadeia produtiva. O financiamento via Fundomate atesta a relevância do estudo. “Essa forte conexão com o setor produtivo nos fortalece como Instituição junto aos produtores e à indústria ervateira”, ressalta.

Importância para acadêmicos

Além de representar uma forte conexão da Universidade com o setor produtivo, o projeto também irá proporcionar ainda mais o treinamento de recursos humanos por meio da pesquisa e de trabalhos a campo. “Isso permite que os alunos viagem, executem atividades a campo, enxerguem as dificuldades e os problemas e participem do processo de resolução”, afirma o professor.

Chakira relata que o trabalho desenvolvido com a erva-mate durante o mestrado foi de grande importância, não só para compreender melhor a cadeia produtiva e avaliar trabalhos a campo, mas também para seu desenvolvimento acadêmico.

Da mesma forma, Larissa destaca a relevância do projeto. “Ter a possibilidade de trazer informações pertinentes, que auxiliem na melhoria do setor produtivo da erva-mate do Rio Grande do Sul, é muito gratificante, e trabalhando com uma ótima equipe, com total apoio do professor e da Universidade, é mais importante ainda para meu crescimento e aprendizagem, não só acadêmica, mas pessoal também”, diz.

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Fonte: Assessoria de Imprensa Universidade Federal de Santa Maria

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho ganha força com demanda aquecida e exportações, mas clima segue no radar para a safra 2026/27

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O mercado brasileiro de milho vive um momento de sustentação dos preços, impulsionado pela demanda doméstica aquecida, pelo ritmo das exportações e pelas incertezas climáticas que cercam a próxima safra. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um ambiente de maior atenção dos agentes do mercado diante dos desafios para o ciclo 2026/27.

Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, considerada uma das mais importantes para o abastecimento nacional, os preços seguem encontrando suporte na forte demanda dos setores de proteína animal, etanol de milho e exportação.

Segundo os analistas, a dinâmica do mercado indica que a disponibilidade do cereal deve aumentar nos próximos meses, mas fatores climáticos e logísticos continuarão influenciando a formação dos preços.

Demanda doméstica continua sendo principal sustentação

A indústria de carnes, especialmente os segmentos de aves e suínos, mantém elevado consumo de milho para ração. Além disso, o crescimento da produção de etanol de milho segue ampliando a participação do cereal na matriz energética brasileira.

Esse cenário contribui para absorver parte importante da oferta gerada pela safrinha, reduzindo a pressão de baixa sobre os preços mesmo em um período de maior entrada do produto no mercado.

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As exportações também permanecem como um componente relevante para o equilíbrio entre oferta e demanda, favorecidas pela competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

El Niño aumenta preocupação com a próxima temporada

Embora o cenário atual seja relativamente confortável para o abastecimento, o mercado já começa a monitorar os impactos do fenômeno El Niño sobre a safra 2026/27.

De acordo com o Itaú BBA, a confirmação do fenômeno climático eleva os riscos para o calendário agrícola brasileiro, especialmente em regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de irregularidade das chuvas e ao encurtamento da janela ideal de plantio da próxima safra, fatores que podem comprometer o potencial produtivo do cereal.

Além dos desafios climáticos, os produtores também enfrentam um ambiente de custos ainda elevados, exigindo maior planejamento e gestão de risco para a próxima temporada.

Oferta da safrinha deve ampliar disponibilidade do cereal

Com o avanço da colheita da segunda safra, a tendência é de aumento gradual da oferta física de milho no mercado interno durante os próximos meses.

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Apesar desse movimento, a expectativa é de que a demanda consistente limite quedas mais acentuadas nas cotações, especialmente em regiões com forte presença da indústria de proteína animal e das usinas de etanol de milho.

Outro fator que segue no radar é o comportamento do dólar, que influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras e a formação dos preços domésticos.

Mercado deve seguir atento ao clima e ao cenário global

Além das condições climáticas no Brasil, os agentes acompanham o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, principal produtor mundial do cereal. Alterações no potencial produtivo norte-americano podem gerar reflexos diretos nos preços internacionais e, consequentemente, no mercado brasileiro.

Para o Itaú BBA, o milho entra no segundo semestre com fundamentos relativamente positivos, mas em um ambiente que exige atenção redobrada ao clima, à evolução da demanda e ao comportamento das exportações.

Diante desse cenário, a gestão comercial e o monitoramento dos riscos climáticos serão determinantes para produtores e investidores do setor ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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