AGRONEGÓCIO
Com mais de R$ 3 bi no tanque, Inpasa acelera produção de etanol e olha além do milho
Publicado em
11 de abril de 2024por
Da RedaçãoCom as unidades, que foram anunciadas entre o final do ano passado e o começo deste ano, a empresa dará um salto na produção. A capacidade de processamento subirá de 7,5 milhões de toneladas para 12 milhões de toneladas de grãos por ano, resultando em cerca de 5 bilhões de litros do biocombustível, um crescimento de mais de 40% sobre os atuais 3,5 bilhões.
A aposta é alta e tem sido reforçada antes mesmo de as novas fábricas ficarem prontas. Para a planta de Sidrolândia, por exemplo, a Inpasa havia projetado um investimento inicial de R$ 1,2 bilhão, anunciado no ano passado. Mas já recebeu um acréscimo de R$ 800 milhões, totalizando R$ 2 bilhões.
“Esse investimento dobra a capacidade de moagem dessa unidade, que era prevista inicialmente para 1 milhão de toneladas e agora vai esmagar 2 milhões por ano”, afirmou ao AgFeed o vice-presidente da empresa, Rafael Ranzolin.
“Isso representa em torno de 800 milhões de litros de etanol anuais, com o diferencial de trabalharmos ‘multicereal’”, reforçou. A unidade de Balsas, por sua vez, receberá um investimento de R$ 1,2 bilhão e esmagará 1 milhão de toneladas de grãos por ano.
Criada no Paraguai em 2007, a Inpasa atua no Brasil desde 2018. Aqui, foi uma das pioneiras a vislumbrar o potencial do etanol de milho e tem feito investimentos consistentes. A unidade em Sidrolândia, que deve entrar em funcionamento no final deste ano, será a sexta planta da companhia. A de Balsas, que ainda não tem data estimada para conclusão, a sétima.
Atualmente, a empresa conta com duas unidades no Paraguai e três no Brasil, sendo duas em Mato Grosso, em Sinop e Nova Mutum, e uma no Mato Grosso do Sul, em Dourados.
A estratégia da Inpasa, porém, já vislumbra ir bem além do milho. O plano “multicereal”, como define Ranzolin, inclui a um processamento cada vez maior de outros grãos nas suas plantas. O sorgo, por exemplo, já é utilizado nas unidades, mas, segundo o executivo, ainda é um “gigante adormecido”.
Em seus cálculos, o Brasil produz hoje cerca de 4 milhões de toneladas desse grão por ano. Apenas os projetos de Sidrolândia e de Balsas têm um potencial de esmagamento de 2 milhões de toneladas anuais desse grão.
“O sorgo é uma cultura que entra na segunda safra onde o milho não entra”, explica. “É um grão que possui menos exigência de água, o que faz a janela de plantio ser maior. Com a nossa nova capacidade, podemos aumentar a capacidade produtiva do grão e, consequentemente, fomentar a industiralização”, afirma.
Ranzolin projeta também a entrada de outros grãos no pipeline de moagem da Inpasa. De acordo com o executivo, tudo que possui amido em sua composição tem potencial de conversão em etanol.
“Já existem plantas de empresas no Rio Grande do Sul que usam trigo e alguns estudos já começam a falar do milheto. O que tiver amido e for uma cultura que aproveite uma janela de segunda ou terceira safra, podemos transformar nesse etanol de cereais”, afirmou.
Segundo ele, o processo de cada grão tem poucas mudanças, não de equipamento fabril, mas sim na adição de algum produto na composição, a depender do nível de proteína em cada cereal.
“Esses processos já estão sendo estudados e testados. Queremos dar escala e fomentar essas áreas de segunda safra que não cultivam o milho”, acrescenta Ranzolin.
A empresa não descarta a construção de novas plantas, além das duas em implantação, mas Ranzolin afirma que 2024 será o ano de verticalizar a empresa. “Também olhamos atentos os mercados de carbono e, a partir de agosto, começaremos a processar etanol para torná-lo neutro.
Com isso, podemos destiná-lo para a indústria alimentícia, a de cosméticos e a farmacêutica”, afirmou.
E o DDG?
Para a indústria de etanol de milho, um dos subprodutos da produção mais atraentes é o DDG (sigla que vem do inglês, Dried Distillers Grains, que significa grãos secos de destilaria), um importante insumo para ração animal.
Geralmente, uma tonelada de milho processada em uma usina rende em média de 441 litros de etanol, 20 kg de óleo vegetal e cerca de 300 quilos de DDG. O produto conquistou pecuaristas e a indústria de ração como ingrediente para fornecer alta performance na nutrição animal.
A Inpasa produz atualmente 1,8 milhão de toneladas de DDG por ano e, segundo Ranzolin, as novas plantas devem permitir um grande salto também nesse mercado, elevando a capacidade da empresa para 3 milhões de toneladas.
Uma parte susbtancial dessa produção, algo entre 30% e 40%, é vendida para o mercado externo. “O DDG está em uma escala ascendente junto com o etanol de milho, pois um não pode ser produzido sem o outro. E o mercado internacional é promissor ao extremo”, afirma. Ao mesmo tempo, a pecuária nacional também tem grande potencial de expansão, segundo o executivo.
No etanol, a imensa maioria do volume produzido ? cerca de 95% ? é consumida internamente. E a previsão é de mais demanda nos próximos anos, de acordo com Ranzolin. “Existe um potencial gigantesco para a conversão de grãos em etanol, e o mercado nacional e da América Latina tem muito a ser explorado. O mundo precisa de etanol”.
Fonte: Inpasa
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crise do crédito dominou debates no Summit Pensar Agro
Published
6 minutos agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
Em um momento de forte pressão financeira sobre o agronegócio brasileiro, o Summit Pensar Agro reuniu na última sexta-feira (29.05), em Cuiabá, representantes do setor produtivo, especialistas, lideranças empresariais e autoridades para discutir alternativas voltadas à competitividade e à sustentabilidade econômica da atividade rural. O encontro integrou a programação da GreenFarm 2026, realizada no Parque Novo Mato Grosso.
O evento ocorreu em meio a um cenário marcado pelo aumento do endividamento dos produtores rurais, retração do crédito agrícola e impactos provocados por adversidades climáticas em diversas regiões do país. Dados do Ministério da Agricultura apontam desaceleração nas contratações do Plano Safra 2025/2026, com redução nas operações de custeio e investimento, enquanto lideranças do setor defendem medidas para ampliar o acesso ao financiamento e garantir condições para a continuidade da produção.
A internacionalização do agronegócio brasileiro esteve entre os principais temas debatidos durante o Summit. No painel dedicado às oportunidades no mercado internacional, representantes diplomáticos e integrantes de câmaras de comércio discutiram caminhos para ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados estratégicos da Ásia e da América Latina, reforçando o potencial de Mato Grosso como um dos principais fornecedores globais de alimentos.
Outro destaque da programação foi o debate sobre segurança jurídica no campo. Especialistas abordaram temas relacionados à sucessão familiar, regularização ambiental e previsibilidade regulatória, apontados como fatores essenciais para garantir investimentos e a continuidade das atividades agropecuárias ao longo das próximas gerações.
A questão financeira também ocupou espaço central nas discussões. Durante o painel sobre inteligência financeira, especialistas defenderam o uso de ferramentas de gestão, planejamento e tecnologia para aumentar a eficiência das propriedades rurais em um cenário de margens mais apertadas e custos elevados. O tema ganhou relevância diante das dificuldades enfrentadas por produtores para acessar crédito e renovar operações de custeio para a próxima safra.
Sob curadoria de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o Summit Pensar Agro reuniu nomes de destaque do cenário nacional e internacional. Entre eles, o embaixador da Indonésia no Brasil, Andhika Chrisnayudhanto, que participou do painel sobre oportunidades de mercado para o agro brasileiro, além de representantes das câmaras de comércio Índia-Brasil e Brasil-Peru, especialistas em segurança jurídica, gestão financeira e lideranças de entidades ligadas à agropecuária, indústria e formulação de políticas públicas.
O encerramento ocorreu com o Fórum Brasil Central, que reuniu representantes de entidades do agronegócio, da indústria e do poder público para discutir estratégias de desenvolvimento regional, infraestrutura e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária.
Além do Summit Pensar Agro, a GreenFarm 2026, que terminou neste sábado (30.05) manteve durante toda a semana uma extensa programação de exposições, palestras técnicas, leilões e rodadas de negócios. Com mais de uma centena de expositores, a feira consolidou-se como uma das principais vitrines do agronegócio do Centro-Oeste e reforçou seu papel como espaço para debates sobre os desafios e oportunidades do setor em um período marcado pela busca de soluções para a crise de crédito que afeta produtores em diversas regiões do país.
Fonte: Pensar Agro
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