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Com mais de R$ 3 bi no tanque, Inpasa acelera produção de etanol e olha além do milho

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Com as unidades, que foram anunciadas entre o final do ano passado e o começo deste ano, a empresa dará um salto na produção. A capacidade de processamento subirá de 7,5 milhões de toneladas para 12 milhões de toneladas de grãos por ano, resultando em cerca de 5 bilhões de litros do biocombustível, um crescimento de mais de 40% sobre os atuais 3,5 bilhões.

A aposta é alta e tem sido reforçada antes mesmo de as novas fábricas ficarem prontas. Para a planta de Sidrolândia, por exemplo, a Inpasa havia projetado um investimento inicial de R$ 1,2 bilhão, anunciado no ano passado. Mas já recebeu um acréscimo de R$ 800 milhões, totalizando R$ 2 bilhões.

“Esse investimento dobra a capacidade de moagem dessa unidade, que era prevista inicialmente para 1 milhão de toneladas e agora vai esmagar 2 milhões por ano”, afirmou ao AgFeed o vice-presidente da empresa, Rafael Ranzolin.

“Isso representa em torno de 800 milhões de litros de etanol anuais, com o diferencial de trabalharmos ‘multicereal’”, reforçou. A unidade de Balsas, por sua vez, receberá um investimento de R$ 1,2 bilhão e esmagará 1 milhão de toneladas de grãos por ano.

Criada no Paraguai em 2007, a Inpasa atua no Brasil desde 2018. Aqui, foi uma das pioneiras a vislumbrar o potencial do etanol de milho e tem feito investimentos consistentes. A unidade em Sidrolândia, que deve entrar em funcionamento no final deste ano, será a sexta planta da companhia. A de Balsas, que ainda não tem data estimada para conclusão, a sétima.

Atualmente, a empresa conta com duas unidades no Paraguai e três no Brasil, sendo duas em Mato Grosso, em Sinop e Nova Mutum, e uma no Mato Grosso do Sul, em Dourados.

A estratégia da Inpasa, porém, já vislumbra ir bem além do milho. O plano “multicereal”, como define Ranzolin, inclui a um processamento cada vez maior de outros grãos nas suas plantas. O sorgo, por exemplo, já é utilizado nas unidades, mas, segundo o executivo, ainda é um “gigante adormecido”.

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Em seus cálculos, o Brasil produz hoje cerca de 4 milhões de toneladas desse grão por ano. Apenas os projetos de Sidrolândia e de Balsas têm um potencial de esmagamento de 2 milhões de toneladas anuais desse grão.

“O sorgo é uma cultura que entra na segunda safra onde o milho não entra”, explica. “É um grão que possui menos exigência de água, o que faz a janela de plantio ser maior. Com a nossa nova capacidade, podemos aumentar a capacidade produtiva do grão e, consequentemente, fomentar a industiralização”, afirma.

Ranzolin projeta também a entrada de outros grãos no pipeline de moagem da Inpasa. De acordo com o executivo, tudo que possui amido em sua composição tem potencial de conversão em etanol.

“Já existem plantas de empresas no Rio Grande do Sul que usam trigo e alguns estudos já começam a falar do milheto. O que tiver amido e for uma cultura que aproveite uma janela de segunda ou terceira safra, podemos transformar nesse etanol de cereais”, afirmou.

Segundo ele, o processo de cada grão tem poucas mudanças, não de equipamento fabril, mas sim na adição de algum produto na composição, a depender do nível de proteína em cada cereal.

“Esses processos já estão sendo estudados e testados. Queremos dar escala e fomentar essas áreas de segunda safra que não cultivam o milho”, acrescenta Ranzolin.

A empresa não descarta a construção de novas plantas, além das duas em implantação, mas Ranzolin afirma que 2024 será o ano de verticalizar a empresa. “Também olhamos atentos os mercados de carbono e, a partir de agosto, começaremos a processar etanol para torná-lo neutro.

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Com isso, podemos destiná-lo para a indústria alimentícia, a de cosméticos e a farmacêutica”, afirmou.

E o DDG?

Para a indústria de etanol de milho, um dos subprodutos da produção mais atraentes é o DDG (sigla que vem do inglês, Dried Distillers Grains, que significa grãos secos de destilaria), um importante insumo para ração animal.

Geralmente, uma tonelada de milho processada em uma usina rende em média de 441 litros de etanol, 20 kg de óleo vegetal e cerca de 300 quilos de DDG. O produto conquistou pecuaristas e a indústria de ração como ingrediente para fornecer alta performance na nutrição animal.

A Inpasa produz atualmente 1,8 milhão de toneladas de DDG por ano e, segundo Ranzolin, as novas plantas devem permitir um grande salto também nesse mercado, elevando a capacidade da empresa para 3 milhões de toneladas.

Uma parte susbtancial dessa produção, algo entre 30% e 40%, é vendida para o mercado externo. “O DDG está em uma escala ascendente junto com o etanol de milho, pois um não pode ser produzido sem o outro. E o mercado internacional é promissor ao extremo”, afirma. Ao mesmo tempo, a pecuária nacional também tem grande potencial de expansão, segundo o executivo.

No etanol, a imensa maioria do volume produzido ? cerca de 95% ? é consumida internamente. E a previsão é de mais demanda nos próximos anos, de acordo com Ranzolin. “Existe um potencial gigantesco para a conversão de grãos em etanol, e o mercado nacional e da América Latina tem muito a ser explorado. O mundo precisa de etanol”.

Fonte: Inpasa

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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