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Com certificação internacional, exportações de goiaba crescem 580% em três anos, no Paraná

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Um negócio praticamente artesanal e muito rentável. A comercialização de goiaba, com Indicação Geográfica (IG) e selo Global G.A.P, em Carlópolis, norte pioneiro do Paraná, deu um salto nos últimos três anos. Desde que abriu as portas para o mercado externo, a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (Coac) viu o volume de exportações da fruta crescer 580%. De 2020 a 2023, saiu de 16.730 kg para 113.703 kg. E o aumento nas vendas internacionais só não foi maior porque a capacidade de produção foi afetada por efeitos climáticos.

O policial militar Juliano Azevedo de Oliveira Bicudo começou a cuidar das terras do pai em 2016, sem nenhuma experiência no campo. Com o apoio da Coac, iniciou o plantio da goiaba e, em 2018, colheu as primeiras frutas. Investiu nas certificações e no processo de ampliação da produção, que hoje contempla uma área de aproximadamente três hectares, onde estão 1,6 mil pés da fruta. Em pouco tempo, comemora os resultados.

“A exportação é um excelente negócio. O preço da goiaba fica estável o ano todo, em torno de R$ 5,00 o quilo. Meu objetivo é direcionar 20% da minha produção para o mercado externo”, projeta Bicudo.

Ele conta que produz, em média, 1,2 toneladas de goiaba por ano, mas pretende expandir o negócio a partir do plantio de mais 2 mil novos pés da fruta em 2024. Segundo o fruticultor, existe um mercado promissor para quem se prepara e investe em produtos de qualidade. Pelas suas contas, desde que conquistou as certificações, conseguiu agregar, no mínimo, 50% mais de valor ao preço da fruta. Apesar de trabalhar como servidor público, ele diz que a sua maior renda vem do sítio.

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Na avaliação do produtor, as vendas só não são maiores porque ainda falta capital humano na cooperativa para atuar no processo de separação da fruta, que exige tempo e cuidado.

“Neste ano, vamos investir na capacitação de mão de obra para aumentar a nossa capacidade de processamento e as exportações”, conta Bicudo, que tem a ajuda de três funcionários na propriedade.

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Goiaba tem preço valorizado no mercado externo e os selos IG e Global G.A.P têm contribuído para agregar mais renda aos produtores de Carlópolis.

A produtora de goiaba certificada e gerente de vendas da Coac, Inês Yumiko Sato Sasaki, diz que o ano começou com alta procura pela fruta. Além de exportar para clientes na Inglaterra, Portugal e Canadá, a cooperativa ampliou o número de parceiros no mercado interno e está presente, além do Paraná, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e no Amazonas. Ela explica que o preço da fruta no mercado nacional oscila bastante, porque existe muita oferta, especialmente no primeiro trimestre do ano, que é época de goiaba.

Como os produtores de Carlópolis trabalham com a poda escalonada, conseguem ter goiaba para venda o ano todo. As certificações conquistadas graças ao manejo especial da fruta agregam valor ao preço final e atraem a atenção de clientes no exterior. Hoje, a Coac possui 40 associados, que colhem a goiaba, enviam para a sede da cooperativa, que faz a seleção por peso e manda para o mercado nacional ou internacional.

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“Conseguimos acertar a poda no ano passado, depois da geada, em 2021, e chuva de pedra, em 2022. Se continuar nesse ritmo, sem nenhum desastre natural, devemos ter goiaba o ano todo”, afirma Inês.

O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, destaca que os números só confirmam o quanto um produto certificado interfere positivamente no resultado.

“Por meio da organização dos produtores e da busca de IG e Global G.A.P., conseguimos abrir o mercado internacional. Ninguém acreditava em exportar goiaba. Hoje, a logística permite que a goiaba de Carlópolis chegue mais cedo à Europa do que em algumas regiões do Brasil”, aponta.

Ele lembra que o trabalho de busca pelas certificações tem o objetivo de levar mais visibilidade ao produto e ampliar mercado, agregando renda e oferecendo mais qualidade de vida para os pequenos produtores rurais do norte pioneiro do Paraná. Isso só foi possível graças ao trabalho conjunto de diversas entidades, como o próprio Sebrae/PR, a Prefeitura de Carlópolis, o IDR-Paraná e a Coac.

Fonte: Assessoria de Imprensa Sebrae/PR

Fonte: Portal do Agronegócio

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Certificação da lã gaúcha avança com atualização técnica e reforço na rastreabilidade do setor ovino

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A cadeia produtiva da ovinocultura gaúcha segue investindo em qualidade, rastreabilidade e padronização para fortalecer a competitividade da lã brasileira no mercado. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) promoveu uma atualização técnica com as comparsas certificadas pelo Programa de Certificação da Lã Gaúcha, reunindo equipes responsáveis pela esquila, classificação e certificação da produção.

O treinamento teve como objetivo alinhar procedimentos técnicos, reforçar os protocolos de qualidade exigidos pelo mercado e ampliar a capacitação dos profissionais que atuam diretamente no processo de certificação da lã no Rio Grande do Sul.

As comparsas são grupos especializados em esquila de ovinos e desempenham papel estratégico na manutenção da qualidade do velo, desde a propriedade rural até a comercialização final da produção.

Programa reforça auditoria permanente e controle da qualidade da lã

A atualização técnica foi conduzida pelo especialista Daniel Duarte, profissional com 25 anos de experiência na certificação da lã uruguaia e integrante do programa desde o início das atividades na Fronteira Oeste gaúcha.

Segundo o responsável pelo Programa de Certificação da Lã da Arco, Sérgio Muñoz, a escolha do instrutor considerou a experiência prática acumulada ao longo de décadas de atuação no setor.

“Trouxemos o Daniel como instrutor porque ele é uma referência em termos de trabalho e profissionalismo”, destacou.

Atualmente, 13 comparsas estão credenciadas para utilizar o selo da lã gaúcha, após validação técnica e cumprimento dos protocolos estabelecidos pela entidade. Conforme Muñoz, todas as equipes passam por auditorias permanentes para garantir a qualidade do serviço prestado.

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O sistema de certificação permite identificar cada lote produzido, assegurando rastreabilidade completa e acompanhamento contínuo da produção.

“Essas comparsas estão permanentemente sendo auditadas”, afirmou o gestor.

Compradores internacionais ajudam a validar padrão de qualidade

De acordo com a Arco, o retorno dos compradores de lã é um dos principais instrumentos de avaliação do programa de certificação. O acompanhamento da qualidade ocorre desde a origem da produção até o destino final da fibra comercializada.

“Quem nos dá principalmente o subsídio do trabalho, se está sendo bem feito ou não, são os compradores de lã”, ressaltou Muñoz.

O encontro também contou com a participação de representantes de empresas uruguaias compradoras de lã, que acompanharam de perto o modelo de certificação desenvolvido no Rio Grande do Sul.

Para a entidade, a presença internacional reforça o reconhecimento do mercado externo ao padrão de qualidade adotado pela ovinocultura gaúcha.

“As principais empresas compradoras de lã do Uruguai estiveram presentes no evento para ver a importância que estão dando ao nosso trabalho”, acrescentou.

Capacitação reforça exigências da indústria para lã limpa e rastreável

Além dos procedimentos de classificação e certificação, o treinamento abordou o correto preenchimento dos romanês — documentos que acompanham a lã certificada desde a propriedade rural até o destino final da carga.

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O objetivo foi reforçar a importância da emissão adequada das informações para garantir rastreabilidade, transparência e segurança comercial.

Segundo Daniel Duarte, a capacitação também esclareceu dúvidas técnicas relacionadas à preparação do velo dentro dos padrões exigidos pela indústria têxtil.

“Desde temas de barrigas, desbordes, velos A, velos B e velos inferiores, foram muitas perguntas a respeito, mas foi muito bom porque a indústria hoje exige tudo isso e exige o velo limpo”, explicou o instrutor.

Setor aponta necessidade de ampliar número de profissionais especializados

Durante o encontro, a Arco também alertou para a necessidade de ampliar a oferta de mão de obra especializada em algumas regiões do Estado. Áreas como a região das Missões já apresentam demanda crescente por comparsas capacitadas para atender a expansão da atividade ovina.

“Precisamos de mais comparsas. Existem regiões com bastante ovelha que estão desabastecidas”, afirmou Muñoz.

Para enfrentar o desafio, cursos de formação vêm sendo realizados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), buscando ampliar o número de profissionais qualificados para atuar na certificação e manejo da lã gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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