AGRONEGÓCIO
CNI eleva projeção do PIB para 2% em 2026, com impulso da indústria extrativa e revisão positiva da safra
Publicado em
17 de abril de 2026por
Da Redação
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo o Informe Conjuntural do 1º trimestre, divulgado nesta sexta-feira (17), o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 2%, acima da estimativa anterior de 1,8%.
A previsão para o crescimento da indústria também foi ajustada, passando de 1,1% para 1,6%. Serviços e agropecuária seguem a mesma tendência de revisão positiva, com projeções de alta de 2,1% e 1,1%, respectivamente.
Indústria extrativa e safra impulsionam revisão do PIB
De acordo com a CNI, a melhora nas projeções está relacionada a três fatores principais: o desempenho acima do esperado da indústria extrativa, a revisão positiva da safra agrícola e o avanço do setor de serviços.
A produção de petróleo e minério de ferro tem sido determinante para o crescimento da indústria extrativa, movimento que deve se manter ao longo do ano. Ao mesmo tempo, a expectativa de queda na safra foi revertida, contribuindo para a recuperação das projeções do agronegócio.
O setor de serviços também deve ser beneficiado pela expansão fiscal e pelo aumento da renda disponível.
Crescimento econômico ainda preocupa pela baixa qualidade
Apesar da revisão positiva, a CNI alerta para a qualidade do crescimento econômico, que segue desequilibrado entre consumo e investimento.
Segundo a entidade, o aumento do consumo sem avanço proporcional dos investimentos pode comprometer a sustentabilidade da economia no médio prazo, limitando a capacidade de expansão futura.
Consumo das famílias cresce, mas investimento desacelera
A expectativa é de que o consumo das famílias avance 2% em 2026, impulsionado por fatores como aumento da massa salarial, estímulos fiscais e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Por outro lado, os investimentos devem crescer apenas 0,6%, abaixo do registrado em 2025. O cenário reflete o impacto dos juros elevados e o alto nível de endividamento das empresas.
Indústria extrativa lidera crescimento industrial em 2026
A indústria extrativa deve novamente ser o principal motor do setor industrial, com projeção de crescimento elevada, revisada de 1,1% para 7,8%.
Menos sensível às altas taxas de juros, o segmento se beneficia também da valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada por tensões geopolíticas.
Indústria de transformação enfrenta cenário desafiador
Enquanto isso, a indústria de transformação deve continuar enfrentando dificuldades. A projeção de crescimento foi reduzida para 0,3%, refletindo fatores como:
- Custos financeiros elevados devido aos juros
- Queda na demanda por bens industriais
- Aumento das importações
- Elevação dos custos de mão de obra e carga tributária
No cenário externo, a volatilidade do preço do petróleo também pode impactar setores como transporte e energia.
Construção cresce, mas ainda limitada por juros altos
A indústria da construção deve registrar crescimento de 1,3% em 2026, com impulso vindo do aumento no lançamento de imóveis e políticas de estímulo habitacional.
Apesar disso, o setor segue pressionado pelas taxas de juros elevadas, o que limita uma expansão mais robusta.
Serviços e agropecuária apresentam perspectivas mais positivas
O setor de serviços deve crescer 2,1%, apoiado pelo aumento da renda dos trabalhadores, expansão dos gastos públicos e maior disponibilidade de renda com a ampliação da isenção do Imposto de Renda.
Já a agropecuária deve avançar 1,1%, com melhora nas perspectivas para a safra e continuidade do bom desempenho da pecuária.
Mercado de trabalho segue aquecido, mesmo com desaceleração
A CNI projeta crescimento de 1% na população ocupada em 2026, com a taxa de desemprego atingindo 5,2% ao final do ano.
Mesmo com menor ritmo de expansão econômica, o mercado de trabalho deve continuar sustentando ganhos reais de renda, com alta de 4,7% na massa salarial.
Inflação resistente e juros devem cair mais lentamente
Apesar de sinais de desaceleração econômica, a inflação ainda apresenta resistência, especialmente no setor de serviços.
Diante desse cenário, a taxa básica de juros (Selic) deve encerrar 2026 em 12,75%, acima da projeção anterior de 12%. Como consequência, o crédito deve crescer em ritmo mais moderado, com expansão de 2,2%.
Gastos públicos e endividamento seguem em alta
O crescimento econômico também será influenciado pela expansão dos gastos públicos, principalmente em programas de transferência de renda, como previdência, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A expectativa é de aumento real de 4,4% nas despesas federais em 2026. A arrecadação também deve crescer, impulsionada pela atividade econômica e pela alta do preço do petróleo.
Ainda assim, o governo deve encerrar o ano com déficit de R$ 61,3 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB. O endividamento público deve atingir 82,2% do PIB, acima dos 78,6% registrados em 2025.
Exportações crescem e balança comercial segue positiva
No setor externo, a expectativa é de crescimento de 1,1% nas exportações, que devem alcançar US$ 354,3 bilhões, impulsionadas pela valorização das commodities, melhora no acesso ao mercado norte-americano e recuperação da economia argentina.
As importações, por outro lado, devem cair 3,2%, refletindo a menor atividade industrial interna.
Com isso, a balança comercial brasileira deve registrar superávit de US$ 72,8 bilhões em 2026, mantendo o país em posição favorável no comércio internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
1 dia agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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