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CNA avalia os impactos da MP do Equilíbrio Fiscal no setor agropecuário

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou, na quinta-feira (6), uma nota técnica detalhando os efeitos da Medida Provisória 1.227/2024 no setor agropecuário e na vida dos produtores rurais. Essa medida altera a legislação tributária federal, incluindo a limitação da compensação de créditos de PIS/Cofins.

Segundo a nota, a “MP do Equilíbrio Fiscal”, como é conhecida, foi criada para compensar a manutenção da desoneração da folha de salários pelo Governo Federal, ajustando distorções do sistema tributário sem aumentar impostos. No entanto, a CNA alerta que as novas restrições prejudicam tanto produtores rurais quanto a agroindústria e recomenda que o Congresso Nacional rejeite integralmente o texto da medida.

Impactos dos Benefícios Fiscais

A CNA aponta que a MP impõe novas exigências para a utilização de benefícios fiscais concedidos pela União. Primeiramente, exige-se a entrega de uma nova declaração eletrônica à Receita Federal, aumentando a burocracia e os riscos de multas para os contribuintes. O descumprimento dessa obrigação acessória pode resultar em multas que variam de 0,5% a 1,5% do valor da receita bruta do contribuinte.

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Além disso, as novas condicionantes para o usufruto dos benefícios fiscais acarretam custos adicionais para os produtores rurais e para a agroindústria, dificultando o uso dos incentivos fiscais e impactando negativamente as operações e os custos de produção.

Julgamento do Imposto Territorial Rural (ITR)

A delegação da competência para julgar controvérsias sobre o Imposto Territorial Rural (ITR) para Municípios e Distrito Federal é outro ponto de análise da MP 1.227. Segundo a CNA, essa mudança pode resultar em uma aplicação desigual das normas relativas ao ITR, gerando maior desigualdade na apreciação de casos semelhantes em diferentes municípios.

Além disso, a qualidade das discussões administrativas sobre o ITR pode ser comprometida, uma vez que a análise feita pelos municípios pode não ter o mesmo nível de rigor das discussões realizadas em Tribunais de composição paritária.

Restrição de Créditos de PIS/Cofins

A medida provisória também impõe restrições ao uso de créditos de PIS/Cofins não cumulativos em compensações e ressarcimentos. A assessora técnica da CNA, Maria Angélica Feijó, explica que essa limitação afetará o fluxo de caixa dos produtores rurais e da agroindústria, uma vez que não poderão mais utilizar esses créditos para pagamento de outros tributos ou para fins de ressarcimento.

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Por exemplo, a agroindústria não poderá mais usar os créditos acumulados como resíduos tributários para ressarcimento ou pagamento de outros tributos, o que pode levar ao aumento do preço dos produtos para o consumidor final ou à absorção desses custos pelos produtores.

Produtos agropecuários como carne bovina, suína e de aves, miúdos animais, linguiças, gorduras, leite, insumos agropecuários, hortícolas, frutas, café, laranja, derivados de soja e cana-de-açúcar, entre outros, estão entre os que serão afetados pela impossibilidade de ressarcimento dos créditos presumidos em caso de cumulatividade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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