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Cinco transformações cruciais para enfrentar a crescente volatilidade no sistema alimentar global

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O sistema alimentar global passa por uma transformação profunda, marcada por crescentes incertezas e desafios. Segundo relatório da RaboResearch Food & Agribusiness, elaborado por especialistas como Harry Smit, Cyrille Filott, Marjan van Riel e Andy Duff, o setor enfrenta uma combinação de pressões: crescimento mais lento da demanda, limitações de produção, enfraquecimento dos acordos comerciais multilaterais, impactos sobre as cadeias de suprimentos e redistribuição de responsabilidades entre governos e empresas. O estudo mapeia cinco transformações principais que devem guiar o setor nos próximos anos.

1. Crescimento desacelerado da demanda por alimentos

Apesar de ainda estar atrelado ao crescimento populacional e econômico, o ritmo da demanda por alimentos está diminuindo em diversas regiões. Enquanto países da África e do Oriente Médio continuam com alta taxa de crescimento demográfico, regiões como China, Japão, Coreia do Sul e Europa enfrentam retração populacional. Com isso, mercados maduros tendem a priorizar qualidade e serviços, e não necessariamente volume.

O relatório também destaca a concorrência crescente entre alimentos, rações e biocombustíveis, cuja produção aumentou desde o início dos anos 2000. A redução do apoio político aos biocombustíveis, especialmente nos Estados Unidos, poderá afetar esse segmento, embora não se espere sua extinção, dado seu papel em metas ambientais e de segurança energética.

Além disso, doenças associadas à má alimentação têm alterado os hábitos de consumo. Regiões de alta renda convivem com altas taxas de obesidade e diabetes, o que pode reduzir a demanda por produtos como açúcar e proteínas animais — cujo consumo parece ter atingido o pico. Já em regiões de baixa renda, a desnutrição continua sendo o principal desafio.

2. Redução do ritmo de crescimento da produção agrícola

O avanço da produtividade agrícola vem perdendo força nas economias mais desenvolvidas. Fertilizantes sintéticos, sementes melhoradas e mecanização, outrora grandes propulsores, hoje oferecem retornos decrescentes. A aquicultura, contudo, destaca-se por seu rápido crescimento e menor demanda por recursos naturais.

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Com o esgotamento de soluções convencionais, o setor aposta agora no uso estratégico de insumos, sustentabilidade e novas tecnologias como inteligência artificial (IA), fermentação de precisão e edição genética. Estas ferramentas prometem ganhos de produtividade, menor impacto ambiental e adaptação às mudanças climáticas — embora exigem alto investimento e digitalização no campo.

3. Volatilidade impulsionada pelo enfraquecimento do comércio multilateral

O sistema global de comércio agrícola, antes sustentado por acordos multilaterais, passa a ser influenciado por estratégias macroeconômicas nacionais. O estudo mostra que a América do Sul superou a América do Norte como maior exportadora líquida de produtos agrícolas, enquanto China, Japão, Oriente Médio e Coreia do Sul tornaram-se grandes importadores.

As tensões geopolíticas e novas barreiras comerciais aumentam a volatilidade. Como resposta, países têm buscado garantir autonomia estratégica, fortalecendo suas indústrias alimentares e reduzindo a dependência externa. Ainda assim, os desequilíbrios entre oferta e demanda locais tornam difícil a reversão completa da globalização do setor.

4. Cadeias de suprimentos cada vez mais vulneráveis

A desaceleração do crescimento da produção, aliada a riscos climáticos e aos limites planetários, tem ampliado a instabilidade nas cadeias de suprimentos. O aumento da frequência de eventos extremos — secas, enchentes, incêndios — agrava ainda mais o cenário. A produção agrícola, que crescia a taxas superiores a 3% na década de 1960, hoje avança menos de 2% ao ano.

Essa instabilidade força empresas do setor a adotar novas estratégias: equilibrar contratos de longo prazo para garantir o fornecimento e atuar no mercado à vista quando há abundância. Isso também pressiona por margens maiores para absorver oscilações nos preços de matérias-primas. A consolidação do setor, da produção à distribuição, tende a continuar, especialmente em mercados de baixo crescimento.

5. Redistribuição das responsabilidades entre os setores público e privado

Empresas do setor alimentício têm assumido metas voluntárias de sustentabilidade, muitas vezes em resposta a políticas públicas ou pressões de mercado. Grande parte das 15 maiores varejistas globais de alimentos já adota objetivos ambientais, que vão além de suas operações diretas e incluem toda a cadeia produtiva (emissões dos escopos 1, 2 e 3).

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Contudo, observa-se uma racionalização dessas metas: algumas companhias estão reduzindo sua abrangência ou abandonando compromissos diante de dificuldades técnicas, custos elevados e resistência pública. Ao mesmo tempo, instituições como a Science Based Targets initiative (SBTi) e a metodologia Product Environmental Footprint (PEF) da União Europeia buscam padronizar essas metas.

Os provedores de capital também são pressionados a considerar riscos climáticos e regulatórios em seus investimentos. Entretanto, como muitos investimentos têm prazos curtos, nem todos os riscos são devidamente precificados. Há ainda movimentos de recuo, como o de bancos norte-americanos que deixaram alianças climáticas internacionais.

Na União Europeia e nos EUA, planos ambiciosos como o Green Deal e o Inflation Reduction Act estão sendo revistos, com foco em simplificação e competitividade. A tendência atual dos governos é reduzir sua atuação direta em sustentabilidade e transferir mais responsabilidades ao setor privado — alinhando essas metas à segurança estratégica e à realidade local, como escassez de água, solo e biodiversidade.

Conclusão

O sistema alimentar global caminha para uma nova fase, caracterizada por menor previsibilidade e maior volatilidade. O crescimento limitado da produção, aliado à fragilidade das cadeias logísticas e às mudanças nos padrões de consumo, impõe uma série de desafios à segurança alimentar. As cinco transformações mapeadas pela RaboResearch destacam a urgência de adaptação estratégica por parte de governos, empresas e produtores. Em um cenário de mudanças rápidas, decisões orientadas por inovação, sustentabilidade e resiliência serão cruciais para garantir o equilíbrio entre pessoas, planeta e lucros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cuiabá avança na reforma de poltronas e entrega novos equipamentos na rede de saúde

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria Adjunta de Atenção Secundária, segue avançando na reestruturação das unidades de saúde da capital. No último sábado (2), foram entregues seis poltronas totalmente reformadas à Policlínica do Pedra 90, ampliando o conforto e a qualidade do atendimento aos pacientes.

A entrega faz parte de um conjunto de ações voltadas à melhoria da rede municipal. Com as novas unidades, o município já contabiliza 40 poltronas reformadas entregues, de um total de 50 previstas. Outras 10 seguem em processo de reforma, com previsão de conclusão até o final de maio.

Além da Policlínica do Pedra 90, as poltronas também foram destinadas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Morada do Ouro e Verdão, fortalecendo a estrutura dos serviços de urgência e emergência da capital.

Outro avanço importante é a reforma de 12 longarinas, que já estão em fase final e devem ser entregues até a próxima sexta-feira. As demais unidades também serão encaminhadas para reforma, ampliando ainda mais as melhorias nos espaços de espera e atendimento das unidades de saúde.

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As intervenções integram a Programação Anual de Saúde (PAS) 2026 e têm como foco a qualificação dos espaços assistenciais, promovendo mais conforto, segurança e dignidade aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Todas essas ações são realizadas com planejamento estratégico, garantindo que a população não fique desassistida durante os processos de reforma e manutenção das unidades.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os investimentos fazem parte de um planejamento contínuo. “Estamos trabalhando para garantir que nossas unidades ofereçam não apenas atendimento de qualidade, mas também conforto e dignidade para a população. Essas melhorias fortalecem toda a rede municipal de saúde”, afirmou.

O secretário adjunto de Atenção Secundária, Odair Mendonsa, ressaltou o impacto direto das ações no atendimento. “A reforma das poltronas contribui para um ambiente mais acolhedor e seguro, beneficiando tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde”, pontuou.

As ações fazem parte de um pacote mais amplo de intervenções na rede municipal. Na UPA Morada do Ouro, por exemplo, já foram substituídas 16 poltronas, sendo 11 destinadas à enfermaria e cinco ao setor de medicação.

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Já a UPA Verdão passou por uma ampla reforma estrutural, com melhorias que incluem pintura, adequações nos banheiros, substituição de portas, reorganização de espaços e instalação de equipamentos dentro dos padrões exigidos pela Vigilância Sanitária.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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