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Chuvas Retornam e Favorecem Semeadura de Grãos nas Principais Regiões Produtoras do Brasil

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O Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (24), aponta a retomada das chuvas nas principais regiões agrícolas do país nas primeiras semanas de outubro, permitindo o início da semeadura dos cultivos de primeira safra em diversas áreas. Na terceira semana do mês, as precipitações foram intensas e melhor distribuídas, reduzindo o déficit hídrico em solos do Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Já na região do Matopiba, que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, persistem restrições hídricas nas áreas sem irrigação.

Mesmo com o atraso na semeadura da soja, o índice de vegetação tem mostrado melhora no Norte do Mato Grosso e no Oeste do Paraná, beneficiados pelo clima recente. Em contrapartida, no Sul de Goiás e no Sudoeste de Mato Grosso do Sul, o atraso no retorno das chuvas e a irregularidade no regime hídrico nas últimas semanas limitaram o desenvolvimento das lavouras de soja.

Na região Sul, as precipitações foram regulares, mas em alguns casos, intensas, prejudicando lavouras de trigo. Apesar disso, dados espectrais indicam boas condições das lavouras em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Paraná, no entanto, as condições foram menos favoráveis devido à irregularidade das chuvas e às altas temperaturas que impactaram o ciclo das plantações.

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O BMA é publicado mensalmente e resulta da parceria entre Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam) e colaboradores que contribuem com dados de campo.

Boletim de Monitoramento

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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