AGRONEGÓCIO

Chuvas intensas afetam a safra de trigo no Sul do Brasil

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As recentes chuvas intensas no Sul do Brasil têm gerado impacto significativo na safra de trigo, afetando diretamente a produção agrícola na região. Os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina enfrentam desafios decorrentes do volume excepcional de precipitação durante o período crucial de desenvolvimento das plantações.

De acordo com o produtor Pedro Basso, da Sementes com Vigor, no período de cultivo (de junho a novembro) choveu de quatro a cinco vezes mais do que a cultura necessita. “Estávamos prevendo colher 7 mil toneladas de trigo em um total de 1300 hectares. Com as chuvas, a previsão é de que tenhamos uma perda de, pelo menos, 30%”, avalia Basso lembrando que, em outras regiões e propriedades, a quebra pode chegar a 50%. Pedro explica que os resultados da propriedade se devem ao plantio tardio realizado em Vacaria (RS), além do investimento em melhorias genéticas e tecnologia que possibilitam uma melhor adaptação às variações climáticas. “Apesar do prejuízo, ainda estamos com vantagem em função dos investimentos realizados em melhoria genética”, destaca.

Sem dúvida, a pesquisa genética está entre os fatores que vêm contribuindo para o aumento da qualidade e da produtividade do trigo brasileiro. O Brasil está entre os líderes mundiais em melhoramento genético de trigo tropical e subtropical, adaptado às condições climáticas e aos desafios fitossanitários da região. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, desenvolveu diversas cultivares de trigo com alta produtividade, resistência a doenças e pragas, tolerância ao estresse hídrico e qualidade industrial. Além da Embrapa, outras instituições públicas e privadas também investem em pesquisa e inovação na área de triticultura.

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Um exemplo é a empresa Semevinea, de Ernestina no Rio Grande do Sul, que desenvolve cultivares de trigo com alto potencial genético e tecnológico. A empresa possui um portfólio diversificado de variedades, que atendem aos diferentes segmentos do mercado de trigo. Entre elas, destacam-se as cultivares Semevinea TSZ Chiaro e TSZ Dominadore que já provaram no campo o alto potencial produtivo, excelente qualidade tecnológica e ampla adaptação às regiões tritícolas brasileiras. “Os resultados mostram que a genética que desenvolvemos pode ser protagonista para superar o peso climático”, destaca Márcio Só e Silva, sócio-diretor da SEMEVINEA Genética Avançada de Sementes, que acaba de retornar da Angola onde foi convidado para falar sobre o trigo brasileiro.

E vislumbrando cenário futuro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq/USP) alerta para os riscos da prolongação da Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que deve continuar a afetar a oferta e os preços do cereal no mundo. Esse cenário deveria abrir mais portas para o produto nacional, mas os efeitos do EL Niño podem mudar as expectativas para o ano que vem.

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Olhando o mercado de trigo para 2024, ele ainda segue com muitas incertezas sobre a oferta, pois não depende apenas da evolução da demanda mundial, mas, também, das condições climáticas nas principais regiões produtoras, segundo o Ministério da Agricultura do Brasil a questão do excesso de chuva. O que já se pode verificar no 2º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Conab, no início de novembro, onde o volume da produção brasileira de grãos deve atingir cerca de 316 milhões de toneladas na safra 2023/2024, 1,5% (ou 4,7 milhões de toneladas) abaixo do obtido em 2022/23. Hoje, a área semeada está aquém do registrado na safra anterior, reflexo do El Niño com chuvas excessivas na Região Sul e Sudeste e as baixas precipitações no Centro-Oeste, segundo a Conab.

Fonte: Kátya Desessards Collaborative Intelligence

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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