AGRONEGÓCIO
Chuvas intensas afetam a safra de trigo no Sul do Brasil
Publicado em
19 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoAs recentes chuvas intensas no Sul do Brasil têm gerado impacto significativo na safra de trigo, afetando diretamente a produção agrícola na região. Os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina enfrentam desafios decorrentes do volume excepcional de precipitação durante o período crucial de desenvolvimento das plantações.
De acordo com o produtor Pedro Basso, da Sementes com Vigor, no período de cultivo (de junho a novembro) choveu de quatro a cinco vezes mais do que a cultura necessita. “Estávamos prevendo colher 7 mil toneladas de trigo em um total de 1300 hectares. Com as chuvas, a previsão é de que tenhamos uma perda de, pelo menos, 30%”, avalia Basso lembrando que, em outras regiões e propriedades, a quebra pode chegar a 50%. Pedro explica que os resultados da propriedade se devem ao plantio tardio realizado em Vacaria (RS), além do investimento em melhorias genéticas e tecnologia que possibilitam uma melhor adaptação às variações climáticas. “Apesar do prejuízo, ainda estamos com vantagem em função dos investimentos realizados em melhoria genética”, destaca.
Sem dúvida, a pesquisa genética está entre os fatores que vêm contribuindo para o aumento da qualidade e da produtividade do trigo brasileiro. O Brasil está entre os líderes mundiais em melhoramento genético de trigo tropical e subtropical, adaptado às condições climáticas e aos desafios fitossanitários da região. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, desenvolveu diversas cultivares de trigo com alta produtividade, resistência a doenças e pragas, tolerância ao estresse hídrico e qualidade industrial. Além da Embrapa, outras instituições públicas e privadas também investem em pesquisa e inovação na área de triticultura.
Um exemplo é a empresa Semevinea, de Ernestina no Rio Grande do Sul, que desenvolve cultivares de trigo com alto potencial genético e tecnológico. A empresa possui um portfólio diversificado de variedades, que atendem aos diferentes segmentos do mercado de trigo. Entre elas, destacam-se as cultivares Semevinea TSZ Chiaro e TSZ Dominadore que já provaram no campo o alto potencial produtivo, excelente qualidade tecnológica e ampla adaptação às regiões tritícolas brasileiras. “Os resultados mostram que a genética que desenvolvemos pode ser protagonista para superar o peso climático”, destaca Márcio Só e Silva, sócio-diretor da SEMEVINEA Genética Avançada de Sementes, que acaba de retornar da Angola onde foi convidado para falar sobre o trigo brasileiro.
E vislumbrando cenário futuro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq/USP) alerta para os riscos da prolongação da Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que deve continuar a afetar a oferta e os preços do cereal no mundo. Esse cenário deveria abrir mais portas para o produto nacional, mas os efeitos do EL Niño podem mudar as expectativas para o ano que vem.
Olhando o mercado de trigo para 2024, ele ainda segue com muitas incertezas sobre a oferta, pois não depende apenas da evolução da demanda mundial, mas, também, das condições climáticas nas principais regiões produtoras, segundo o Ministério da Agricultura do Brasil a questão do excesso de chuva. O que já se pode verificar no 2º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Conab, no início de novembro, onde o volume da produção brasileira de grãos deve atingir cerca de 316 milhões de toneladas na safra 2023/2024, 1,5% (ou 4,7 milhões de toneladas) abaixo do obtido em 2022/23. Hoje, a área semeada está aquém do registrado na safra anterior, reflexo do El Niño com chuvas excessivas na Região Sul e Sudeste e as baixas precipitações no Centro-Oeste, segundo a Conab.
Fonte: Kátya Desessards Collaborative Intelligence
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
Published
10 horas agoon
27 de setembro de 2026By
Da Redação
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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