AGRONEGÓCIO
China compra trigo australiano e francês após danos na safra
Publicado em
31 de outubro de 2023por
Da RedaçãoOs comerciantes disseram que a compra frenética da China provavelmente dará suporte aos preços globais, que caíram mais em mais de um quarto este ano — com base no preço de referência dos futuros de Chicago –, em meio à oferta abundante do principal exportador, a Rússia.
Maior produtora e consumidora de trigo do mundo, a China comprou cerca de 2 milhões de toneladas métricas de trigo australiano da nova safra em outubro, para embarques a partir de dezembro, disseram fontes comerciais à Reuters.
A China também reservou cerca de 2,5 milhões de toneladas métricas de trigo francês desde setembro, para embarques entre dezembro e março, disseram eles, observando que esses eram volumes excepcionalmente grandes para esta época do ano.
No geral, as importações pela China em 2023 devem atingir cerca de 12 milhões de toneladas, disseram dois traders de Cingapura, superando o recorde de 9,96 milhões de toneladas de 2022, e as compras devem continuar em 2024.
“A China teve problemas com a qualidade da safra este ano e a Austrália, que é o principal fornecedor de trigo para a China, terá uma safra muito menor”, disse um dos traders de Cingapura, que trabalha em uma empresa internacional que vende trigo para a China.
“Eles estão comprando o máximo que podem e o mais cedo possível. Os suprimentos acabarão se reduzindo, especialmente da Austrália”, disse o trader.
A China disse que sua safra de trigo encolheu 0,9% este ano, para 134,5 milhões de toneladas, o primeiro declínio em sete anos, apesar do aumento da área cultivada, depois que uma forte chuva atingiu os grãos maduros na principal região central de cultivo pouco antes da colheita.
Pequim não forneceu uma avaliação da qualidade da safra.
No entanto, de acordo com as estimativas dos dois negociantes de Cingapura e de um negociante em Sydney, cerca de 25 milhões de toneladas, ou cerca de 20% da colheita da China neste ano, foram danificadas pelas chuvas.
Parte desse trigo danificado pelas chuvas só será adequado para ração animal ou para ser misturado com trigo importado de melhor qualidade antes de ser moído e transformado em farinha.
O Ministério da Agricultura da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A China provavelmente estava analisando os riscos climáticos crescentes nos principais países exportadores e “fazendo preparativos” para o próximo ano.
As importações de trigo pela China de janeiro a setembro aumentaram 53,6%, para 10,17 milhões de toneladas métricas, segundo dados da alfândega, incluindo 6,4 milhões de toneladas da Austrália e 1,8 milhão de toneladas do Canadá. Esses números não refletem os pedidos feitos para entrega futura, como as recentes compras de trigo soft vermelho de inverno dos EUA.
Diferentemente de outras commodities, as importações chinesas de trigo australiano não foram afetadas pelas tensões bilaterais entre os dois governos nos últimos anos. De fato, essas tensões foram atenuadas nos últimos meses.
A grande compra de trigo australiano por Pequim pode forçar importadores rivais, como a Indonésia e o Japão, a buscarem alternativas na América do Norte e na região do Mar Negro, disseram os traders.
As compras chinesas de trigo estabilizaram os preços globais do trigo, disse um dos traders de Cingapura.
“Mas esperamos que os preços subam daqui para frente, quando a China começar a comprar mais volumes de trigo de melhor qualidade dos EUA, já que os suprimentos australianos ficarão mais restritos”, disse o trader.
Fonte: Reuters
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
Published
5 horas agoon
14 de agosto de 2026By
Da Redação
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro
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