AGRONEGÓCIO
China Aumenta Compras de Trigo Canadense e Australiano Em Meio a Ameaças Climáticas à Safra Nacional
Publicado em
12 de maio de 2025por
Da Redação
Impactos Climáticos na Produção de Trigo na China
Recentemente, a província de Henan, responsável por cerca de um terço da produção de trigo da China, emitiu um alerta de risco devido às condições de calor e seca, que ameaçam severamente as plantações locais. A escassez de oferta interna, resultante do clima extremo, levou o país a buscar alternativas no mercado internacional.
Aumento das Compras de Trigo da Austrália e Canadá
Traders informaram que os compradores chineses adquiriram entre quatro e cinco carregamentos de trigo da Austrália, com cerca de 55.000 toneladas cada, para entrega entre julho e agosto. Além disso, a China comprou aproximadamente 200.000 toneladas de trigo canadense. Esses grãos são de qualidade destinada à moagem, e as compras australianas marcam o retorno da China a este fornecedor desde o ano passado. A COFCO, principal empresa estatal chinesa responsável pelas importações de trigo, não comentou oficialmente sobre as transações.
Tendências de Importação e Redução da Produção Interna Chinesa
Nos últimos anos, a China tem sido um dos maiores importadores de trigo, adquirindo cerca de 11 milhões de toneladas, equivalentes a US$ 3,5 bilhões em 2024. No entanto, devido à colheita de safras recordes de trigo e milho no ano passado, as importações diminuíram consideravelmente. A previsão de produção de trigo na China para 2025 foi reduzida em aproximadamente 5 milhões de toneladas, embora o país ainda possua grandes estoques de grãos.
Efeitos das Relações Comerciais e da Economia Chinesa no Mercado
A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China tem sido um fator crucial para as escolhas de importação do gigante asiático. Traders indicam que a China evitou comprar trigo dos EUA devido às tarifas impostas, redirecionando suas compras para países como Canadá e Austrália. A desaceleração econômica interna da China também tem impactado a demanda por grãos, uma vez que os estoques de trigo disponíveis são elevados e a demanda por ração é estável.
Queda nos Preços e Expectativas para o Futuro
A diminuição das importações chinesas no início da temporada 2024/25 tem pressionado os preços internacionais do trigo, com os futuros em Chicago se mantendo próximos à mínima de quatro anos, alcançada em julho do ano passado. No entanto, os preços mais baixos podem ter atraído compradores chineses de volta ao mercado, à medida que a temporada 2025/26 se aproxima.
Aumento nas Importações de Cevada
Além do trigo, a China também tem feito compras significativas de cevada. Traders reportaram a aquisição de seis grandes embarcações Panamax, carregando cerca de 360.000 toneladas de cevada da nova safra francesa ou ucraniana, com entrega prevista para os meses de julho e agosto. Alguns estimam que o volume total de cevada comprado pela China neste período possa alcançar até 1 milhão de toneladas. O preço das transações foi de US$ 250 a US$ 254 por tonelada.
As compras de trigo e cevada indicam um retorno da China ao mercado global de grãos após um período de compras reduzidas, refletindo o impacto das condições climáticas e a necessidade de garantir o abastecimento alimentar interno.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Queda dos preços anula avanço da safra e reduz receita do campo em R$ 66 bilhões
Published
4 minutos agoon
23 de agosto de 2026By
Da Redação
O aumento da produção de grãos não deve trazer alívio proporcional ao caixa do produtor rural em 2026. Com os preços agrícolas em queda e os custos ainda elevados, o Brasil poderá encerrar o ano com redução de R$ 66 bilhões no faturamento bruto das propriedades, apesar de colher 8,5 milhões de toneladas a mais.
A combinação lança um alerta para a safra seguinte. Menos recursos disponíveis dentro da porteira significam menor capacidade para comprar insumos, corrigir o solo, contratar seguro, renovar máquinas e adotar tecnologias. Em propriedades endividadas, parte maior da receita também tende a ser direcionada ao pagamento de financiamentos anteriores.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estima que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária alcance R$ 1,398 trilhão em 2026. O indicador, que representa o faturamento bruto obtido com a produção dentro dos estabelecimentos rurais, havia atingido R$ 1,464 trilhão em 2025. A retração projetada é de 4,5%.
Isan Rezende
“O número que interessa ao produtor não é apenas quanto saiu da lavoura, mas quanto permaneceu no caixa depois da comercialização. Produzir mais exige capital, tecnologia e risco. Quando esse esforço resulta em menor receita, a propriedade perde capacidade para iniciar o ciclo seguinte nas mesmas condições”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT).
A perda ocorre justamente quando o país se aproxima de um novo recorde físico. O 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê 360,8 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, crescimento de 2,4% sobre a temporada anterior.
A expansão foi sustentada principalmente pelo aumento da área cultivada, que chegou a 83,5 milhões de hectares, 2,1% acima do ciclo passado. A produtividade média nacional foi estimada em 4.322 quilos por hectare, mantendo-se próxima do resultado anterior.
Os dados da safra e do VBP possuem metodologias e períodos de referência diferentes. O primeiro levantamento mede a produção física de grãos ao longo do ciclo agrícola. O segundo calcula o faturamento de 17 lavouras e cinco atividades pecuárias com base na quantidade produzida e nos preços recebidos. Ainda assim, os dois indicadores expõem um movimento comum: o crescimento do volume não está sendo acompanhado pela valorização dos produtos.
A pressão é maior na agricultura. O faturamento bruto das lavouras deve recuar 6% e ficar em R$ 893,331 bilhões. Na pecuária, a previsão é de R$ 504,866 bilhões, redução de 1,7%.
A soja deve permanecer praticamente estável, com R$ 336,028 bilhões, mas outras cadeias importantes apresentam perdas. O VBP do milho foi calculado em R$ 158,408 bilhões, queda de 6,6%. Na cana-de-açúcar, o recuo chega a 8,8%, para R$ 108,746 bilhões. O café perde 11,6%, com previsão de R$ 103,471 bilhões, enquanto o algodão registra redução de 5,7%, para R$ 34,252 bilhões.
As quedas mais acentuadas aparecem no cacau, cujo valor de produção diminui 57%; na laranja, com retração de 41,8%; e no trigo, com perda de 25,4%. Apenas banana, batata-inglesa, feijão, mandioca e tomate apresentam crescimento entre as lavouras acompanhadas pelo ministério.
“A reação começa no planejamento. Diante de uma margem menor, o produtor revê a área, troca de cultura e corta investimentos que não consegue financiar. O risco é entrar em um processo no qual a baixa rentabilidade reduz o uso de tecnologia e essa redução compromete a produtividade futura”, diz Rezende.
O trigo já apresenta sinais desse ajuste. A área plantada com o cereal diminuiu 20,4%, enquanto a produção deve cair 26,2%, para aproximadamente 5,8 milhões de toneladas. A retração está relacionada às condições de mercado, que levaram produtores a reduzir a exposição a uma cultura de custo elevado e rentabilidade incerta.
O aperto também alcança os demais elos da cadeia. O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), elaborado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A maior retração ocorreu no segmento primário, de 4,15%. Também houve perdas nos insumos, nos serviços ligados ao agronegócio e na agroindústria. A participação estimada do setor na economia brasileira caiu de 25,2% em 2025 para 22,8% em 2026.
O resultado reforça a necessidade de políticas voltadas não apenas à expansão da colheita, mas à proteção da renda rural. Crédito acessível, seguro, armazenagem, logística e melhores condições de comercialização podem determinar se o recorde atual será convertido em capacidade produtiva para os próximos anos.
“Uma agricultura forte não pode ser medida somente pela quantidade que embarca ou entrega ao mercado. É necessário garantir condições para que o valor gerado permaneça na propriedade e seja reinvestido. Sem renda, até uma safra recorde pode deixar como herança endividamento, redução de tecnologia e menor disposição para plantar”, afirma Rezende.
Fonte: Pensar Agro
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