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Cesta básica recua em metade das capitais em fevereiro, apontam Neogrid e FGV IBRE

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Os preços da cesta básica apresentaram queda em quatro das oito capitais brasileiras analisadas em fevereiro, segundo levantamento da Neogrid em parceria com a FGV IBRE. O cenário indica um comportamento heterogêneo dos alimentos essenciais, com recuos relevantes em algumas regiões e altas pontuais em outras.

Rio de Janeiro segue com a cesta mais cara do país

O Rio de Janeiro manteve a liderança como a capital com a cesta básica mais cara, mesmo após queda de 1,65% em fevereiro, passando de R$ 989,40 para R$ 973,11.

No acumulado de seis meses, o recuo foi de 2,07%, mas os preços seguem elevados, influenciados por fatores como logística mais cara, alta densidade urbana e maior pressão sobre alimentos frescos e proteínas.

São Paulo apresenta estabilidade nos preços

Em São Paulo, a cesta básica ficou praticamente estável em fevereiro, com leve alta de 0,03%, atingindo R$ 953,56.

No semestre, o avanço foi de 1,38%, com trajetória gradual e sem oscilações bruscas, caracterizando a capital paulista como a mais estável do levantamento.

Belo Horizonte registra maior alta mensal

A capital mineira, Belo Horizonte, teve a maior alta mensal entre as capitais, com avanço de 0,86%, elevando o custo da cesta para R$ 723,64 — ainda o menor valor entre as cidades analisadas.

No acumulado de seis meses, a alta foi de 2,64%, refletindo aumentos em itens como laticínios e alimentos processados.

Salvador mantém alta moderada e contínua

Em Salvador, a cesta subiu 0,12% em fevereiro, chegando a R$ 850,03. No semestre, o crescimento foi de 1,68%, com trajetória constante, sem quedas ao longo do período.

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Manaus e Fortaleza lideram quedas no mês

Manaus registrou a maior queda mensal, de 2,69%, com a cesta recuando para R$ 837,60. No semestre, a variação também foi negativa (-0,87%).

Já Fortaleza teve recuo de 2,22% em fevereiro, acumulando queda de 1,30% em seis meses, com aceleração do alívio nos preços no último mês.

Brasília apresenta maior alta no semestre

A Brasília registrou alta de 0,81% em fevereiro e acumulado de 3,81% no semestre — o maior entre todas as capitais analisadas.

O movimento foi marcado por aumentos consecutivos ao longo dos seis meses, indicando encarecimento persistente da cesta básica.

Curitiba lidera quedas no mês e no semestre

Curitiba apresentou a maior queda mensal, de 4,21%, com a cesta caindo para R$ 771,88. No semestre, a retração foi de 3,77%, também a maior entre as capitais.

O resultado indica que a queda registrada em fevereiro foi determinante para reverter o comportamento anterior de preços mais elevados.

Diferença entre capitais supera 34%

A análise geral mostra que o Rio de Janeiro permanece com a cesta mais cara (R$ 973,11), enquanto Belo Horizonte registra o menor custo (R$ 723,64), uma diferença de 34,5%.

Esse cenário reflete desigualdades estruturais entre as regiões, como custos logísticos, tributação (ICMS) e concentração de oferta.

Itens que mais pressionaram os preços em fevereiro

Segundo a Neogrid, os principais itens que pressionaram a cesta básica no mês foram:

  • Legumes (destaque em Salvador: +12,76%)
  • Ovos (São Paulo: +6,39%)
  • Feijão (Brasília: +6,27%)

Outros itens como carne bovina também contribuíram para a alta em algumas capitais.

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Produtos que ajudaram a conter a inflação

Por outro lado, itens essenciais ajudaram a reduzir o custo médio da cesta:

  • Açúcar (queda de 3,62% em São Paulo)
  • Arroz (recuo de 4,02% no Rio de Janeiro)
  • Óleo (queda de 3,20% em Manaus)
  • Manteiga (queda de 3,49% em Belo Horizonte)

Essas reduções evitaram uma alta mais generalizada nos preços dos alimentos.

Cesta ampliada também apresenta comportamento misto

A cesta ampliada — que inclui produtos de higiene e limpeza — registrou queda na maioria das capitais em fevereiro.

Entre os destaques de queda estão:

  • Rio de Janeiro: -1,40% (R$ 2.220,68)
  • Curitiba: -1,45% (R$ 1.790,69)
  • Manaus: -1,30% (R$ 1.854,83)

Já Belo Horizonte (+0,97%) e São Paulo (+0,06%) foram as únicas a registrar alta.

Pressões vêm de industrializados e higiene

Entre os produtos que mais pressionaram a cesta ampliada estão:

  • Creme dental (alta de até 5,16% em Curitiba)
  • Enlatados e conservas (alta de 4,98% no Rio de Janeiro)
  • Chocolate e verduras, com aumentos em diversas capitais
Cenário aponta diferenças regionais no custo de vida

O levantamento evidencia que não há uma tendência única para o custo da cesta básica no Brasil. Cada capital responde a fatores próprios, como logística, oferta e demanda local.

No acumulado de seis meses, a diferença entre a maior alta (Brasília: +3,81%) e a maior queda (Curitiba: -3,77%) foi de 7,58 pontos percentuais, reforçando a importância do monitoramento regional para entender o impacto da inflação no orçamento das famílias brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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