AGRONEGÓCIO
Cenário internacional pode impulsionar agro brasileiro, aponta Tecnoshow COMIGO
Publicado em
11 de abril de 2025por
Da Redação
Perspectivas para o agro brasileiro em 2025
O cenário político e econômico internacional, apesar das incertezas, pode trazer vantagens competitivas para o agronegócio brasileiro no próximo ano. Essa foi a principal conclusão dos especialistas convidados para a programação técnica do quarto dia da 22ª edição da Tecnoshow COMIGO, que ocorre até esta sexta-feira (11), no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO).
O sócio-diretor da AgrInvest Commodities, Marcos Araújo, analisou o panorama global dos grãos e afirmou que a safra 2025/2026 se inicia com grandes desafios, tanto no Brasil quanto em outros países. Um dos pontos de atenção, segundo ele, é o acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos e outras nações.
“No nosso caso, é essencial observar os desdobramentos da relação entre EUA e China, principal compradora da soja brasileira. Cerca de 80% da nossa exportação do grão tem como destino o mercado chinês. Caso o conflito comercial se intensifique, há chance de a China redirecionar compras ao Brasil, o que pode valorizar os prêmios já no próximo ano”, explicou Araújo.
No setor de proteínas, o pesquisador do CEPEA-Esalq/USP, Thiago Bernardino, avaliou que 2025 deve ser promissor diante de um cenário de oferta global restrita. “O câmbio tende a favorecer as exportações brasileiras, o que impacta positivamente na rentabilidade do pecuarista. Mas para aproveitar esse momento, é essencial investir em pastagens, nutrição e genética, que influenciam diretamente o desempenho do rebanho”, destacou.
Sustentabilidade e compromisso com o carbono zero
Com o objetivo de zerar suas emissões de carbono, a organização da 22ª Tecnoshow COMIGO vem implementando uma série de ações sustentáveis. Um inventário de emissões de CO₂ está sendo realizado ao longo do evento, e, após a coleta de dados, haverá a compensação por meio da compra de créditos de carbono junto a instituições que atuam com projetos ambientais.
Além disso, a feira oferece uma programação técnica com especialistas em sustentabilidade. Foram realizadas palestras sobre gestão de riscos climáticos, com Eduardo Monteiro (COMIGO/Embrapa), e sobre mudanças climáticas e descarbonização, com Fernando Beltrame (COMIGO/ECCAPLAN). Nesta sexta-feira (11), o tema será aprofundado na palestra “Sustentabilidade no Agronegócio: Panorama, desafios e oportunidades reais”, ministrada por Rogério Melo (COMIGO/UPL).
Entre outras ações de impacto ambiental positivo, destacam-se a distribuição de 22 mil mudas de espécies nativas e a tradicional coleta seletiva, que neste ano pretende atingir 80 toneladas de materiais recicláveis, como papel, plástico, alumínio e metais, todos destinados a cooperativas de reciclagem.
Paisagismo como atração visual da feira
Um dos elementos mais aguardados da feira, o paisagismo recebeu investimento dobrado nesta edição, totalizando R$ 200 mil. O objetivo é encantar os visitantes com a exibição de 100 mil mudas de 12 espécies florais diferentes distribuídas por diversos pontos do evento.
O destaque especial deste ano é o painel de flores, composto por cerca de 6 mil vasos distribuídos em quatro faces, simbolizando o agronegócio, o cooperativismo e os 50 anos da COMIGO, celebrados em 2025.
Atrações educativas e culturais para toda a família
Buscando envolver o público de todas as idades, a feira lançou um álbum de figurinhas comemorativo pelos 50 anos da cooperativa COMIGO. A publicação contém 188 imagens ilustradas que retratam a trajetória da instituição e foi desenvolvida pela ilustradora rioverdense Ana Desenha. O material é distribuído gratuitamente aos cooperados e vendido aos visitantes por R$ 25, com figurinhas também disponíveis em ações ao longo do ano e pontos de troca próximos à loja da COMIGO.
Outra atração que tem cativado o público infantil é a peça “Cuidando da Fazendinha”, que aborda de forma lúdica o tema da sucessão familiar no agronegócio. A história é encenada por personagens como um fazendeiro, seu sobrinho e animais típicos de fazenda, com quatro sessões diárias no Pavilhão 4, próximo à exposição de bovinos.
O pecuarista Leandro Guimarães Carvalho, que levou a filha Alice, de cinco anos, elogiou a iniciativa: “A peça é muito boa e a abordagem sobre sucessão familiar é muito pertinente. A Alice adorou, estava muito animada para tirar foto com o personagem do cavalo”.
Educação, pesquisa e inovação em destaque
Além da vitrine de tecnologias, a Tecnoshow COMIGO se firmou como espaço de compartilhamento de conhecimento. Instituições de ensino com forte atuação em Goiás marcam presença na feira, como a Universidade de Rio Verde (UniRV), que participa com as faculdades de Agronomia e Medicina Veterinária, além dos programas de mestrado em Produção Vegetal e em Direito do Agronegócio e Desenvolvimento.
O estande da UniRV apresenta inovações em pesquisa e soluções tecnológicas, além de funcionar como uma verdadeira sala de aula prática para acadêmicos da área de ciências agrárias.
O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) também participa, destacando sua atuação por meio de 13 unidades espalhadas pelo estado. A instituição, avaliada com conceito institucional máximo (nota 5) pelo Ministério da Educação, apresenta projetos de pesquisa e inovação desenvolvidos pelo Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre), iniciativa que conta com o apoio da Fapeg e da Prefeitura de Rio Verde.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
16 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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