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Cenário divergente entre Nova York e dólar influencia mercado de café no Brasil

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O mercado físico de café no Brasil inicia esta sexta-feira com um cenário de cautela. A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) mantém o ritmo de valorização observado na quinta-feira, ainda refletindo as possíveis consequências do frio no desenvolvimento das lavouras de café no país. Contudo, a queda do dólar frente ao real pode restringir as negociações destinadas ao mercado internacional.

Na quinta-feira (15), os preços do café no Brasil registraram alta, seguindo o movimento positivo tanto do arábica em Nova York quanto do robusta em Londres. Apesar disso, o volume de negócios permaneceu limitado, com transações envolvendo pequenos lotes. Segundo a Safras Consultoria, a alta no preço do arábica não estimulou muitos vendedores, uma vez que os compradores se mantiveram retraídos, sem alcançar as bases de venda desejadas.

No Espírito Santo, o mercado de conilon também reflete essa cautela. Conforme análise da Safras Consultoria, os compradores não estão acompanhando as elevações registradas na Bolsa de Londres.

No sul de Minas Gerais, o café arábica de boa qualidade, com 15% de catação, foi cotado entre R$ 1.405,00 e R$ 1.410,00 por saca, contra R$ 1.385,00 e R$ 1.390,00 no dia anterior. Já no cerrado mineiro, o arábica de bebida dura, com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.415,00 e R$ 1.420,00 por saca, acima dos R$ 1.400,00 e R$ 1.405,00 registrados anteriormente.

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Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica “rio” tipo 7, com 20% de catação, teve preço de R$ 1.195,00 a R$ 1.200,00 por saca, comparado aos R$ 1.185,00 a R$ 1.190,00 da véspera. Enquanto isso, em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 foi cotado entre R$ 1.305,00 e R$ 1.310,00 por saca, superando os R$ 1.295,00 e R$ 1.300,00 de anteriormente.

COLHEITA DE CAFÉ

O clima seco continua beneficiando a colheita de café no Brasil, que avança em ritmo acelerado. De acordo com o acompanhamento semanal da Safras & Mercado, até 13 de agosto, 96% da colheita havia sido concluída, representando um avanço de 4 pontos percentuais em relação à semana anterior. Esse progresso é mais rápido do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 91% da colheita havia sido realizada, e supera a média dos últimos cinco anos, que é de cerca de 93%.

A Safras Consultoria destaca que a colheita do conilon está quase concluída, restando apenas alguns ajustes finais. Já a colheita do arábica alcançou 94% da produção, indicando que também está próxima do fim. No mesmo período do ano passado, 87% da produção havia sido colhida, enquanto a média de cinco anos é de cerca de 89%.

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NOVA YORK

Os contratos futuros de café com entrega em dezembro de 2024 registram uma leve alta de 0,14% na Bolsa de Nova York (ICE), com um acréscimo de 0,35 centavos, cotados a 238,40 centavos de dólar por libra-peso. A posição dezembro fechou em 238,05 centavos, com valorização de 3,40 centavos, ou 1,4%.

CÂMBIO

O dólar comercial opera em baixa de 0,26%, cotado a R$ 5,4675. O índice do dólar (DXY) registra queda de 0,22%, situando-se em 102,75 pontos.

INDICADORES FINANCEIROS

As principais bolsas da Ásia encerraram o pregão em alta, com Xangai subindo 0,07% e Tóquio registrando um expressivo ganho de 3,64%. Na Europa, o cenário é misto: Paris sobe 0,13%, Frankfurt 0,52%, enquanto Londres cai 0,55%. No mercado de petróleo, o WTI para setembro recua 2,44%, cotado a US$ 76,30 por barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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