AGRONEGÓCIO

Cenário de oferta enxuta valoriza o trigo e impulsiona uso de tecnologia

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O mercado global e nacional de trigo caminha para um ciclo de oferta mais ajustada, um cenário que, se por um lado exige cautela no planejamento, por outro abre excelentes oportunidades de valorização para o produtor rural brasileiro que investir em eficiência. Relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam uma retração nos estoques e na produção, o que tende a manter os preços do cereal em patamares atrativos ao longo da safra 2026/27.

De acordo com o USDA, a produção mundial de trigo deve registrar uma queda de 2,9%. Como o consumo global segue firme e praticamente estável — estimado em 823,23 milhões de toneladas —, os estoques internacionais vão encolher 1,5%. Na prática, a relação entre o que o mundo tem guardado e o que ele consome vai cair para 33,4%. Para o agricultor, esse mercado “apertado” significa que cada saca colhida terá maior peso estratégico e comercial na hora da venda.

No cenário doméstico, a Conab projeta uma safra de 6,38 milhões de toneladas, volume 18,9% menor que o do ciclo anterior. Esse recuo é explicado principalmente pela redução de 12,5% na área plantada (que ficou em 2,14 milhões de hectares), reflexo de um momento em que os produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul pisaram no freio devido aos custos de produção elevados e ao crédito mais seletivo na largada da safra.

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Apesar da redução geral de área, o plantio da nova safra já mostra sinais de arrancada e boa qualidade no campo:

  • Paraná na frente: Até o início de maio, os produtores paranaenses já haviam semeado cerca de 35% da área prevista, com 100% das lavouras classificadas em boas condições.

  • Média nacional: No consolidado do País, o plantio atingia 17,5% da área total estimada pela Conab, com o Rio Grande do Sul concentrando os trabalhos no preparo do solo.

Com uma colheita nacional menor, os moinhos internos precisarão disputar o trigo disponível, o que joga a favor de quem decidiu manter o cereal no solo e focar em alta produtividade.

O grande desafio desta safra está do lado de fora da porteira: a confirmação de um fenômeno El Niño mais intenso em 2026. Historicamente, ele traz chuvas acima da média e oscilações bruscas de temperatura no Sul do País, o que pode atrapalhar o enchimento de grãos. No entanto, em vez de aceitar as perdas, o triticultor brasileiro está usando a tecnologia para transformar o risco climático em estabilidade.

A grande aliada do campo nesta safra tem sido a chamada “elicitação fisiológica”, uma ferramentas tecnológicas que estimulam as respostas e defesas naturais da própria planta para enfrentar o estresse do clima, seja o excesso de água ou a variação de temperatura.

Especialistas do setor afirmam que fazer esse manejo entre as fases de crescimento e pré-reprodução mantém a folha verde e ativa por mais tempo, garantindo que o trigo continue se desenvolvendo de forma regular mesmo sob clima instável. Mais do que buscar apenas recordes isolados, o foco do produtor moderno migrou para a previsibilidade: garantir que a lavoura responda de forma uniforme e segura ao longo de todo o ciclo.

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Os números validados por centros de pesquisa comprovam que proteger a lavoura contra o clima cabe perfeitamente no bolso. O uso dessas soluções fisiológicas avançadas gera um incremento médio de 266 quilos por hectare em comparação ao manejo tradicional. Em áreas onde foram aplicadas tecnologias de alta performance, o ganho produtivo saltou para 423 quilos por hectare, o que significa cerca de sete sacas adicionais por hectare, ou um aumento de até 11% no rendimento final.

Em termos econômicos, empresas de biotecnologia que atuam no campo reportam que o retorno sobre o investimento (ROI) dessas ferramentas supera a casa de 3 para 1. Ou seja, para cada R$ 1,00 que o agricultor investe para blindar sua lavoura contra o estresse climático, o campo devolve mais de R$ 3,00 em produtividade e qualidade do grão.

Diante de um mercado comprador aquecido e com menos produto disponível, a tecnologia de manejo fisiológico consolida-se como o passaporte do produtor para garantir uma safra rentável, segura e altamente competitiva.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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