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Cenário atual do mercado de cacau: Desafios climáticos impactam produção global

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A Consultoria Agro Itaú BBA divulgou em fevereiro de 2024 um panorama detalhado do mercado global de cacau, destacando importantes tendências na produção, consumo e preços dessa commodity fundamental.

Produção

Atualmente, mais de 70% da produção mundial de cacau concentra-se no continente africano, liderado pela Costa do Marfim, Gana, Equador, Camarões e Nigéria. O Brasil, figurando como o sexto maior produtor global, destaca-se com uma produção de 220 mil toneladas por ano, sendo os estados do Pará e Bahia responsáveis por aproximadamente 96% da oferta nacional.

Consumo

A distribuição do processamento das amêndoas de cacau é mais igualitária entre os continentes, liderada pela Europa, seguida por África, Ásia & Oceania e Américas. A indústria do chocolate, por sua vez, tem Costa do Marfim, Holanda, Indonésia, Alemanha e Malásia como os principais países processadores, totalizando 5 milhões de toneladas de amêndoas processadas em 2022/23, segundo a ICCO.

Mercado de Cacau

O mercado global de cacau enfrenta uma persistente escassez de oferta, resultando em um déficit na safra global pelo terceiro ano consecutivo. Fatores climáticos, incluindo um clima mais seco na Costa do Marfim, excesso de chuvas, El Niño e ventos Harmattan, afetam a produção africana. O Brasil, especialmente o sul da Bahia, também sofre com os reflexos do El Niño, impactando a produção.

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Preços

Devido às questões relacionadas à oferta, o cacau teve uma valorização de 63% na bolsa de Nova Iorque em 2023. No Brasil, em Ilhéus, os preços subiram 56% no último ano. Em 2024, as cotações continuam em alta, registrando elevações de 29% em Nova Iorque e 22% em Ilhéus nos primeiros meses do ano. A curva de preços futuros indica patamares elevados ao longo de 2024, sustentada pelo consumo forte e demora na regularização da oferta, mas ajustes podem ocorrer diante de uma possível destruição da demanda devido aos preços elevados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil busca reverter histórico de subinvestimento e impulsiona expansão ferroviária com novos aportes

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O Brasil inicia um novo ciclo de investimentos no setor ferroviário, impulsionado pela Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, anunciada pelo Ministério dos Transportes no fim de 2025. A iniciativa prevê a realização de novos leilões e investimentos que podem ultrapassar R$ 140 bilhões em 2026, com potencial de movimentar cerca de R$ 600 bilhões ao longo do ano. O objetivo é ampliar a malha ferroviária e retomar projetos estruturantes, em um movimento considerado inédito nas últimas décadas.

Expansão ferroviária busca reduzir dependência do transporte rodoviário

Atualmente, entre 60% e 65% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias, segundo dados de 2024 da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Diante desse cenário, a nova política ferroviária busca reduzir a dependência do modal rodoviário e ampliar a participação das ferrovias na matriz logística nacional.

A estratégia também prioriza maior integração entre diferentes modais de transporte, com foco em ganhos de eficiência, competitividade e equilíbrio estrutural no escoamento de cargas.

Histórico explica atraso do setor ferroviário no Brasil

Para o presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, a compreensão do histórico do setor é fundamental para entender os desafios atuais.

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Segundo ele, o enfraquecimento das ferrovias está relacionado à mudança do modelo de desenvolvimento a partir da década de 1950, quando o país passou a priorizar o transporte rodoviário, impulsionado pela industrialização e pela expansão da indústria automobilística.

Redução da malha e mudança de prioridade na matriz de transporte

Até meados do século XX, o Brasil contava com cerca de 30 mil quilômetros de malha ferroviária, utilizada principalmente no escoamento do café e no transporte de passageiros.

Com o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek (1956–1961), houve uma reorientação da política de transportes, com forte expansão das rodovias e incentivo à indústria automobilística. Esse movimento reduziu os investimentos em ferrovias, resultando na deterioração da malha, desativação de trechos e perda gradual de competitividade ao longo das décadas seguintes.

Problemas estruturais agravaram a eficiência do sistema ferroviário

De acordo com Antonio Luiz Leite, fatores estruturais também contribuíram para o enfraquecimento do setor. Entre eles estão a falta de padronização técnica — especialmente em relação às bitolas —, a gestão fragmentada e as limitações operacionais da Rede Ferroviária Federal, criada em 1957.

Nos anos 1990, o processo de concessões concentrou o uso das ferrovias no transporte de commodities, o que restringiu a diversificação e reduziu a integração com outras cadeias logísticas.

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Privatizações dos anos 1990 deixaram lacunas no transporte de passageiros

A privatização das ferrovias iniciada na década de 1990 também teve impacto relevante no setor, especialmente no transporte de passageiros. A ausência de obrigações contratuais para esse segmento, somada à desativação de linhas históricas, reduziu alternativas de mobilidade no país.

Além disso, os altos custos necessários para reativação dessas linhas ainda representam um desafio para a retomada do serviço ferroviário de passageiros.

Novo ciclo exige planejamento de longo prazo e integração logística

Para a Fundação Memória do Transporte, o atual ciclo de investimentos representa uma oportunidade importante para o setor, mas ainda depende de planejamento estruturado e visão de longo prazo.

Antonio Luiz Leite destaca que decisões estruturais moldam a eficiência logística por décadas. Segundo ele, a reconstrução consistente do modal ferroviário no Brasil exige integração entre os modais, ampliação do transporte de carga geral por ferrovias e um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos sustentáveis e duradouros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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