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CCJC da Câmara aprova projeto que exclui silvicultura de lista de atividades potencialmente poluidoras

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (9), por 39 votos a 11, o relatório do deputado Covatti Filho (PP-RS) favorável ao projeto de lei (PL 1366/2022) que remove a silvicultura da lista de atividades consideradas potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais, conforme previsto na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.

A legislação em questão contém um anexo que elenca 20 atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais, tais como extração mineral e indústrias metalúrgica e química. A inclusão neste anexo impõe exigências adicionais no licenciamento ambiental e obriga o pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA) ao Ibama.

Covatti Filho afirmou que a silvicultura (cultivo de florestas através do manejo agrícola) firmou-se, ao longo das últimas décadas, como um segmento dinâmico e de impacto socioeconômico “comprovadamente positivo nos mais de mil municípios do Brasil onde está presente. Também é hoje uma atividade agrícola sustentável e benéfica ao meio ambiente,” disse.

“Pela perspectiva socioambiental, o setor se tornou uma referência mundial no manejo florestal sustentável, devido aos grandes investimentos em pesquisa e tecnologia, o que permitiu um avanço extraordinário nos ganhos em produtividade florestal”, destacou o parlamentar e concluiu afirmando que o setor gera mais de 2 milhões de empregos, entre diretos e indiretos, e é superavitário na balança comercial, com exportações na ordem de 10 bilhões de dólares.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Pedro Lupion (PP-PR), ressaltou a importância econômica da silvicultura para o Brasil, citando dados como o valor bruto de produção próximo a 34 bilhões de reais em 2022 e sua presença em 4.884 municípios.

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“O setor vem se destacando como um protagonista fundamental na gestão da extração vegetal, representando cerca de 18.5% dessa atividade no país. O foco recai não apenas na extração, mas na recomposição, agregação de valor e, crucialmente, na preservação e responsabilidade socioambiental,” disse.

“Esta atividade aborda diversas frentes essenciais, como preservação do solo, manejo de resíduos, cobertura e integração lavoura-pecuária, silvicultura sustentável, colheita e geração de biomassa para energias renováveis. Tais práticas não só beneficiam o meio ambiente, mas também preparam o país para um mercado futuro de carbono, demonstrando uma economia positiva e responsável,” completou.

Lupion ainda mencionou a visita, nas próximas semanas, de delegações parlamentares da Finlândia e da União Europeia ao Brasil para conhecer os métodos de produção de eucalipto no país, evidenciando o interesse internacional no setor brasileiro. Ele destacou o avanço brasileiro na produção de fibras longas de eucalipto para papel, superando as limitações dos pinheiros.

“A silvicultura brasileira se destaca como um setor não poluente, comprometido com a responsabilidade socioambiental e a preservação de áreas. Empresas multinacionais europeias têm investido significativamente nesse campo, reconhecendo o compromisso brasileiro com a sustentabilidade,” enfatizou.

Florestas Nativas

O deputado Kim Kataguiri (União-SP), relator do projeto de Licenciamento Ambiental na Câmara, enfatizou que a silvicultura, quando realizada dentro das regulamentações ambientais, não representa riscos significativos, como sugerido por alguns discursos contrários. “O licenciamento ambiental adequado garante a conformidade com o Código Florestal e outras legislações ambientais vigentes, protegendo assim as florestas nativas,” disse.

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O debate na CCJC girou em torno da percepção da silvicultura como atividade potencialmente poluidora e das implicações legais relacionadas ao licenciamento ambiental. Kataguiri argumentou que a silvicultura contribui positivamente para o sequestro de carbono e para o combate às mudanças climáticas.

“Um estudo da Embrapa revelou que, ao contrário do senso comum, o consumo de água pelo eucalipto é comparável ao de outras espécies florestais na mesma região, contrariando a suposição de maior demanda hídrica,” destacou o deputado.

Outro ponto discutido foi a preocupação com o corte de árvores que levam décadas para crescer. Kim Kataguiri esclareceu que o licenciamento ambiental, regido pelo Código Florestal, não permite a derrubada irresponsável de árvores centenárias. “Não há risco para espécies de crescimento lento, como árvores centenárias, dentro do contexto da silvicultura.”

O deputado também destacou a importância de compreender o licenciamento ambiental e a classificação de atividades potencialmente poluidoras antes de criticar o projeto. “Na silvicultura, os impactos ambientais são conhecidos e gerenciados e os benefícios ambientais, como a captura de carbono, são evidentes, contribuindo positivamente para o combate às mudanças climáticas”, finalizou.

Com a aprovação na CCJC, o projeto segue agora para análise no Plenário da Casa. A medida visa reconhecer a silvicultura como uma atividade fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil, alinhada com os compromissos ambientais e climáticos globais.

Fonte: Assessoria de Imprensa FPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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