AGRONEGÓCIO

Carne vermelha e saúde

Publicado em

Um desses estudos é uma revisão publicada em 2020, na revista JAMA (Journal of the American Medical Association), efetuada por pesquisadores das Universidades de Cornell e Northwestern, com cerca de 30.000 participantes. Em relação aos que não consumiam carne, os pesquisadores apontam que há um pequeno risco no consumo de duas porções semanais de carnes processadas, tendo sido 7% mais elevado para doenças cardiovasculares – ou uma diferença de risco absoluto de cerca de 2%. Duas porções de carne vermelha foram associadas a um risco 3% maior (cerca de 1% de risco absoluto). O consumo de carnes de aves foi associado a um risco similar, enquanto a de peixes não apresentou risco aumentado. Também encontraram um risco 3% maior de morte prematura, independente de causa, para porções de carne vermelha e processada, mas nenhuma diferença para aves ou peixes.

Mas há estudos que não encontraram associação entre o consumo de carne vermelha e problemas de saúde, como o assinado por 19 pesquisadores, publicado em 2019 na revista Annals of Internal Medicine. Trata-se de uma metanálise baseada em quatro revisões sistemáticas de ensaios e estudos científicos, que analisaram a ligação entre o consumo de carne vermelha ou processada e câncer, doenças cardiovasculares e a mortalidade por qualquer razão. Em uma das revisões, os cientistas analisaram 12 ensaios – totalizando 54.000 participantes – e não encontraram nenhuma associação significativa entre o consumo de carne e o risco de doenças cardíacas ou câncer.

Nas outras três revisões, analisaram estudos de mortalidade por todas as causas, totalizando quatro milhões de participantes. Eles encontraram uma redução muito pequena no risco, mas uma associação incerta. Os investigadores concluíram finalmente que as ligações eram pequenas, os riscos baixos e a qualidade das evidências era deficiente. Em decorrência, recomendaram que os adultos continuassem a comer carnes vermelhas e processadas nos níveis atuais e não viam razão para reduzir o consumo por questões de saúde.

Leia Também:  Plantio da soja inicia em Mato Grosso: cuidado com a pressa e a desinformação
A busca de uma nova abordagem

A profusão de estudos e a diversidade de resultados chamou a atenção dos pesquisadores da Universidade de Washington, que apontaram algumas variáveis não devidamente controladas, que poderiam interferir nos resultados, como: os que comem carne ingerem menos vegetais? Fumam mais ou menos? Exercitam-se ou são sedentários? Ao relatar seus hábitos alimentares, as pessoas estão sendo precisas?

Destarte, desenvolveram uma metodologia, denominada “ônus da prova de risco” (the burden of the proof of risk) que, segundo seus autores, representa um novo método estatístico para avaliar e resumir quantitativamente as evidências de risco em diferentes pares de risco-resultado. Usando a função proposta, qualquer pesquisador pode avaliar os dados publicados para um determinado risco à saúde e, em seguida, calcular um único número que se traduz em um sistema de classificação de uma a cinco estrelas.

De acordo com a metodologia, a classificação de uma estrela indica que pode não haver uma associação verdadeira entre o comportamento ou condição e o resultado de saúde. Duas estrelas indicam que o comportamento ou condição está associado a uma mudança de 0-15% na probabilidade de um resultado de saúde, enquanto três estrelas indicam uma mudança entre 15-50%, quatro estrelas de 50-85%, e cinco estrelas indicam mudanças superiores a 85%.

Leia Também:  Preços da Soja Recua em Chicago e se Mantém Abaixo de US$ 10 com Perspectiva de Safra Abundante nos EUA
A nova abordagem e o risco de consumo de carne vermelha

Para equalizar as condições dos estudos e suas conclusões, os cientistas examinaram décadas de investigação sobre o consumo de carne vermelha e as suas ligações com a saúde, valendo-se do sistema de classificação descrito acima. Suas descobertas permitem uma visão mais objetiva sobre o consumo de carne vermelha e a saúde.

Quando os pesquisadores utilizaram esta função no consumo de carne vermelha e nas seus potenciais ligações a vários resultados adversos para a saúde, verificaram que nenhum estudo obteve uma classificação superior a duas estrelas. De outra parte, observaram evidências de risco à saúde por comer poucos vegetais. Eventualmente o risco de uma dieta rica em carne seria a substituição dos vegetais – o que exige estudos comprobatórios sobre esta hipótese.

A conclusão desse estudo é que existem fracas evidências de associação entre o consumo de carne vermelha não processada e câncer colorretal, câncer de mama, diabetes tipo 2 e doença cardíaca isquêmica. Além disso, não encontraram nenhuma evidência de associação entre carne vermelha não processada e acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico.

Pela profundidade e sólida fundamentação científica, a abordagem proposta possui o potencial de tornar mais assertiva a análise de associações de causa-consequência, nos processos de metanálise de estudos científicos.

Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Expointer movimenta R$ 6,2 bilhões e máquinas puxam avanço de 40%

Published

on

A 49ª Expointer encerrou sua programação com R$ 6,18 bilhões em negócios, crescimento de 39,8% sobre a edição de 2025. O resultado superou as expectativas iniciais e mostrou disposição dos produtores para voltar a investir em máquinas, tecnologia, animais e modernização das propriedades.

O setor de máquinas e implementos agrícolas liderou as negociações, com R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% em um ano. O segmento respondeu por aproximadamente 88% de todo o volume financeiro movimentado durante os nove dias de feira no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

O desempenho ficou acima das projeções apresentadas antes e durante o evento. Representantes da indústria trabalhavam com a possibilidade de vendas próximas de R$ 4 bilhões em máquinas. O resultado final ultrapassou essa referência em cerca de R$ 1,46 bilhão.

A reação é relevante porque a compra de uma máquina representa uma decisão de investimento de longo prazo. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e equipamentos de precisão não atendem apenas à expansão das lavouras. Também permitem reduzir perdas, economizar insumos, executar as operações dentro da janela ideal e aumentar a produtividade.

Parte da procura está relacionada à necessidade de renovação da frota. Produtores que adiaram a substituição de equipamentos voltaram a avaliar compras, especialmente diante da perspectiva de recuperação dos preços de grãos e da valorização da pecuária. A proximidade da implantação da safra de verão também ajudou a colocar tecnologia e capacidade operacional no centro das decisões.

A Massey Ferguson levou 11 lançamentos à Expointer, com atenção especial aos equipamentos destinados à agricultura familiar. A empresa identificou demanda entre produtores profissionalizados que mantiveram o planejamento de médio prazo e precisam ampliar a eficiência das propriedades.

Leia Também:  Secretaria de Saúde vai realizar Curso de Capacitação para o Sistema CNES - Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde

A CNH, controladora das marcas New Holland e Case IH, também utilizou a feira para reforçar suas soluções financeiras e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. As condições oferecidas incluíram consórcios e linhas do Plano Safra, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e sua modalidade destinada ao médio produtor.

Além das linhas bancárias tradicionais, consórcios, cooperativas, financiamento das próprias fabricantes e operações de troca de insumos ou equipamentos por parte da produção ampliaram as possibilidades de negociação. A combinação dessas modalidades permitiu adequar prazos e pagamentos ao fluxo de receita de diferentes propriedades.

O resultado não ficou restrito às máquinas. O setor automobilístico movimentou R$ 668,75 milhões durante a feira. As vendas de animais alcançaram R$ 21,99 milhões, avanço de 21,02% em comparação com 2025. Ao todo, 7.926 animais foram inscritos para exposições, julgamentos e competições.

O Pavilhão da Agricultura Familiar registrou R$ 14,4 milhões em vendas, aumento de 5,57%. Os 509 estandes reuniram empreendimentos de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias, produtores de plantas e flores, artesãos e cozinhas.

Das iniciativas presentes no pavilhão, 400 eram agroindústrias familiares, 74 atuavam no artesanato e 28 comercializavam plantas, mudas e flores. A feira também reuniu 265 empreendimentos conduzidos por jovens, 179 liderados por mulheres e 69 com certificação orgânica.

Leia Também:  Mercado de Boi Gordo Estável Próximo ao Fim de Ano, com Expectativa de Impulso nas Vendas

O artesanato movimentou outros R$ 2,11 milhões. Entre os expositores estavam empreendimentos indígenas e quilombolas, ampliando a presença de diferentes formas de produção e geração de renda dentro do espaço destinado à agricultura familiar.

A movimentação econômica foi acompanhada por um público de 938.470 visitantes. Somente no domingo (6), último dia do evento, 144.516 pessoas passaram pelo parque. A presença de consumidores urbanos, famílias, estudantes e profissionais do setor reforçou a função da Expointer como ligação entre o campo, a indústria e as cidades.

Os números mostram uma feira com crescimento distribuído entre diferentes segmentos. O avanço mais forte das máquinas revela confiança na continuidade da produção e na busca por ganhos de eficiência, enquanto os resultados da agricultura familiar, dos animais e dos veículos demonstram que a movimentação alcançou propriedades de diferentes portes.

Mais do que contabilizar propostas e contratos, a Expointer funcionou como uma vitrine das decisões que deverão aparecer nas próximas safras. A renovação de equipamentos, a adoção de novas tecnologias e a procura por soluções financeiras indicam que parte dos produtores voltou a planejar investimentos.

A próxima edição terá caráter histórico. A 50ª Expointer será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027, novamente no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. A feira chegará aos 50 anos depois de encerrar 2026 com R$ 6,2 bilhões em negócios e um sinal positivo de confiança no futuro do campo.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA