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Café: Momento de ajuste nas importações da UE e expectativa para colheita do ciclo 24/25 no Brasil

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A União Europeia divulgou os dados de importação de fevereiro – mostrando recuperação, ainda que limitada. O bloco importou 3,84 milhões de sacas de café verde, queda de 5% em relação a janeiro.

Segundo Natália Gandolphi, analista de Café da Hedgepoint Global Markets, ainda assim, o movimento está bem dentro da média (-9% entre os dois meses, considerando a série histórica desde 2010), o que mostra que, embora a queda tenha respeitado a sazonalidade, foi bem mais suave do que o esperado para o período.

“Também é importante observar que o perfil das importações está se equilibrando após uma forte oscilação em direção ao arábica no final de 2023. 60% do volume importado foi de arábica, em linha com a média histórica (61%). A queda ocorreu depois que o bloco registrou a maior participação de importações de arábica desde 2010 em dezembro (72%).

A mudança reflete um equilíbrio depois que o pêndulo oscilou tanto para a faixa do arábica, mas também uma clara preocupação com o volume de estoques de robusta no bloco, com os compradores se preparando para um aperto mais intenso no mercado de robusta”, explica a analista.

Isso pode ocorrer por dois motivos principais: primeiro, o Vietnã entrará na sazonalidade de menores exportações no segundo trimestre e, embora o mercado dependa mais de outras origens no Sudeste Asiático nesse período, a Indonésia pode ter outro ciclo de oferta limitada devido ao clima adverso durante o desenvolvimento e possíveis atrasos devido à previsão de níveis mais altos de chuva nas próximas semanas.

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Nesse cenário, já se sabe que o bloco vem importando mais café de origens alternativas, inclusive do Brasil. Em março, esse volume atingiu um recorde: 2,18 milhões de sacas, de arábica e conilon (o recorde anterior na série de curto prazo foi registrado em novembro de 2020).

“Agora, com a próxima colheita do ciclo 24/25 no Brasil, o mercado espera que os volumes aliviem parte do déficit, especialmente a partir de julho. As fixações do ciclo 23/24 avançaram no último trimestre, com 96% da safra de conilon já vendida em abril. Com uma produção de 22,54 milhões de sacas, isso representaria menos de 1 milhão de sacas em estoques líquidos (estoques que só foram vendidos, e não necessariamente exportados ou consumidos internamente; como regra geral, os estoques brutos são em geral 3 a 4 vezes maiores que os estoques líquidos, mas sabe-se que isso varia muito entre as safras)”, observa.

Nesse cenário, a safra 24/25 já consolida o protagonismo, e os vendedores devem agir de acordo com as mudanças diárias nas previsões climáticas observadas para o principal produtor de robusta, o Vietnã.

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“Os níveis de umidade do solo estão consideravelmente baixos, mas a previsão mudou recentemente para sugerir que o período de seca pode estar chegando ao fim. Ao observar o desenrolar da situação no Vietnã, o mercado poderá observar pontos de pressão de venda”, acredita.

Os dados das importações de fevereiro da União Europeia mostram alguma recuperação, com 3,84 milhões de sacas de café verde importadas, 5% menos que em janeiro, mas dentro dos padrões sazonais históricos. O perfil das importações se reequilibrou para 60% de arábica, refletindo as preocupações com os volumes dos estoques de robusta e a maior retração do mercado de robusta.

Os desafios de fornecimento no Vietnã e na Indonésia também podem prejudicar ainda mais a disponibilidade do robusta no ciclo 24/25. A UE aumentou as importações de origens alternativas, inclusive do Brasil, atingindo um recorde em março. Com a aproximação da safra 24/25 do Brasil, o mercado prevê um alívio da escassez do déficit a partir de julho, mas, enquanto isso, o mercado observará atentamente a evolução do padrão climático no Vietnã.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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