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Café Brasileiro Enfrenta Desafios Climáticos para Safra 2025/26

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A cafeicultura brasileira enfrenta seu quarto ano consecutivo de desafios climáticos, colocando em risco a produtividade das lavouras. Com a colheita da safra atual praticamente finalizada, alcançando 98% segundo o último levantamento da Safras e Mercado, as estimativas apontam para uma quebra de produção entre 20% e 30% nas principais regiões produtoras do país.

Neste contexto, a colheita se encerra sob condições climáticas atípicas, marcadas por um inverno de temperaturas elevadas e ausência de chuvas em diversas áreas, o que traz novas preocupações para a florada da safra 2025.

Previsão de chuva em setembro é crucial para a florada

As atenções dos produtores se voltam agora para as chuvas esperadas em setembro, fundamentais para a florada que deve surgir nas próximas semanas. Regiões como o Alto da Mogiana Paulista, o Sul de Minas e o Cerrado Mineiro já enfrentam um sério déficit hídrico, que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras se as precipitações não ocorrerem.

De acordo com os últimos dados da Fundação Procafé, a situação é alarmante. Entre janeiro e julho deste ano, a região de Varginha, por exemplo, apresentou um déficit de 234 milímetros abaixo da média, refletindo uma realidade preocupante em todo o Sul de Minas. Na Mogiana Paulista, o déficit hídrico chegou a 220 milímetros, enquanto no Triângulo Mineiro, cidades como Araguari enfrentam uma carência de 250 mm. Patrocínio e Araxá também sofrem com déficits expressivos de 122 mm e 135 mm, respectivamente.

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Esses números, referentes ao mês de julho, podem se agravar em agosto, caso as chuvas continuem escassas, alerta a Fundação Procafé.

Temperaturas elevadas e o impacto na próxima safra

Nos últimos anos, o inverno nas regiões produtoras de café tem sido marcado por temperaturas anormalmente altas. Tanto para as variedades arábica quanto conilon, o clima seco e as temperaturas acima da média aumentam a preocupação para a safra de 2025.

Rodrigo Naves Paiva, pesquisador da Fundação Procafé, explica que a florada depende diretamente das chuvas, e a ausência delas pode prejudicar a fixação das flores. “As lavouras já estão sofrendo com o déficit hídrico e as altas temperaturas. Além disso, as plantas, debilitadas após a colheita, podem ter sua recuperação comprometida,” destaca Rodrigo.

Em julho, as temperaturas registradas ficaram 1,9°C acima da média histórica, e a previsão de ausência de chuvas até o final de agosto agrava ainda mais o cenário. Para setembro, espera-se que as regiões produtoras em Minas Gerais recebam cerca de 70 mm de chuva. Entretanto, se essa previsão não se concretizar, o estresse hídrico poderá piorar, prejudicando ainda mais a produção.

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Manejo ideal: lidar com o calor e a ameaça de pragas

Apesar das preocupações, a geada registrada no Cerrado Mineiro, conhecida como geada de capote, não representa uma ameaça significativa para a próxima safra. Contudo, o déficit hídrico é uma preocupação maior, especialmente em regiões como o Sul de Minas, onde as condições são igualmente desafiadoras.

Para os cafeicultores, a necessidade de um manejo eficiente no pós-colheita e pré-florada é imperativa. Rodrigo Naves ressalta a importância de aplicar os nutrientes necessários ao solo, retornar a palha de café à lavoura e realizar todas as adubações essenciais para preparar as plantas para as chuvas, quando elas vierem.

Além disso, o clima atual favorece o surgimento de pragas como o bicho-mineiro e o ácaro vermelho, o que exige atenção redobrada dos produtores. “Com o clima seco, a planta fica muito empoeirada, e muitas vezes não é possível aplicar defensivos, exceto em casos excepcionais,” alerta Rodrigo.

O cenário exige cautela e planejamento estratégico por parte dos cafeicultores, que enfrentam um futuro incerto em meio às adversidades climáticas, com potencial impacto na produção de café do Brasil para a safra 2025/26.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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