AGRONEGÓCIO
Bureau Veritas lança solução de rastreio da cadeia produtiva
Publicado em
1 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoO Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), lança o V-Trace, uma solução digital de rastreabilidade verificada para monitoramento e controle das cadeias de suprimentos. Por meio da ferramenta, desenvolvida em conjunto com a Optel, referência global em tecnologia de rastreabilidade, o Grupo oferece maior visibilidade e transparência sobre a origem dos insumos, a qualidade e conformidade da mercadoria e o impacto socioambiental de cada etapa do processo produtivo, contribuindo para o fortalecimento da reputação dos produtores brasileiros. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), somente no primeiro semestre de 2023, o país exportou US$ 23 bilhões em produtos para a União Europeia, que têm rígidas diretrizes sobre importações de commodities, especialmente em relação ao controle de desmatamento e proteção de direitos humanos.
“V-Trace combina nossa expertise em inspeções e certificações com nossa atuação em mais de 140 países para oferecer uma solução completa e atualizada sobre as regulamentações de diferentes mercados. À medida que a sociedade eleva o grau de cobrança sobre a responsabilidade socioambiental das empresas, surgem novas regulamentações e critérios para produção e comercialização de insumos. A rastreabilidade verificada agrega valor aos produtos e aumenta a confiança do mercado, além de proteger a marca e reduzir o risco relacionados a barreiras comerciais”, explica Andressa Lisboa, diretora de Certificação e Auditoria do Bureau Veritas.
A solução conjunta do Bureau Veritas e da Optel possibilita o mapeamento integrado das cadeias de suprimento das empresas para que elas possam monitorar todos os aspectos e se proteger de possíveis impactos negativos associados a seus fornecedores. Os dados são compilados em uma plataforma digital, de forma prática e modular para facilitar a tomada de decisões e a elaboração de relatórios de rastreabilidade. Todas as informações são verificadas por especialistas do Grupo, contribuindo para a credibilidade da empresa no mercado e obtenção de vantagem competitiva no setor de exportação. Para os consumidores finais, os detalhes sobre origem, qualidade e sustentabilidade são disponibilizados via QR Code impresso nas embalagens.
Em 2023, o volume de exportações brasileiras deve crescer 5,4%, após já ter aumentado 4,4% em 2022, segundo relatório da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Lisboa ressalta que, além de atender à legislação nacional e pressão do mercado interno por melhores práticas socioambientais e de governança, os exportadores precisam redobrar a atenção em relação às demandas dos países de destino. O Parlamento Europeu, por exemplo, promulgou uma lei que impede a entrada de commodities nos países da União Europeia que tenham sido produzidas em áreas desmatadas, degradadas ou fruto de trabalho que viole os direitos humanos e dos povos originários. A Alemanha exige que empresas com mais de 3 mil colaboradores implementem sistemas de gestão de risco de fornecedores e, a partir de abril de 2024, será obrigatória a apresentação dos relatórios de conformidade. Embora não tenha uma legislação definida, a China, outro grande importador de insumos brasileiros, vem intensificando políticas de incentivo à rastreabilidade socioambiental das cadeias de suprimento.
Fonte: Grupo Bureau Veritas
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
Published
18 horas agoon
28 de agosto de 2026By
Da Redação
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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