AGRONEGÓCIO
Bunge prevê expandir em 140% programa de agricultura regenerativa no Brasil, pagará prêmio
Publicado em
11 de abril de 2024por
Da RedaçãoA gigante do agronegócio afirmou ainda que pagará prêmio sobre o valor de mercado aos produtores que venderem à companhia soja, milho e trigo cultivados com tais técnicas sustentáveis orientadas e supervisionadas pelo programa.
Em entrevista à Reuters, o vice-presidente de Agronegócio da Bunge para a América do Sul, Rossano de Angelis Jr., disse que a multinacional quer ampliar o projeto — iniciado em 2023 com 250 mil hectares no Cerrado — para 600 mil hectares, incluindo Estados do Sul e do Sudeste, até 2026.
A companhia projeta investir em três anos pelo menos 20 milhões de dólares, que deverão ser destinados para o pagamento dos prêmios, além de ferramentas tecnológicas, rastreabilidade, coleta de dados, assistência técnica e auditoria.
“Dentro dos 20 milhões de dólares que colocamos como incentivo para o programa, vamos ter o pagamento de um prêmio, fixo, em dólar por hectare, para o volume correspondente que o produtor vender para Bunge”, disse o vice-presidente de Agronegócio da Bunge para a América do Sul, evitando divulgar o valor do pagamento adicional.
Ele acrescentou que, embora o programa da Bunge dê condições para o agricultor atuar com técnicas ambientalmente mais sustentáveis, nada impede de ele vender parte de sua produção para outras tradings ou indústrias.
No projeto piloto desenvolvido pela companhia ao longo de 2023, a Bunge identificou entre os pilares da agricultura regenerativa as seguintes práticas que devem viabilizar o pagamento dos prêmios pela Bunge: plantio direto, cultura de cobertura, rotação de cultura, utilização de bioinsumos e fertilização natural, incluindo adubação orgânica.
A adoção dos sistemas colaboram com o sequestro de carbono e evitam emissões de gases, ressaltou Angelis.
“Identificamos esses pilares da agricultura regenerativa… que entendemos que têm escalabilidade maior, tanto em volume quanto em rentabilidade”, afirmou ele, ao comentar as expectativas de ampliação do programa, incluindo com o apoio de novos parceiros, como os próprios clientes da empresa, que se mostraram interessados e poderiam colaborar com recursos.
A companhia avaliou que há interesse de clientes como indústrias do setor de alimentos e biocombustíveis de não apenas adquirir produtos cultivados com práticas regenerativas certificados, como também participarem “ativamente da jornada de transição para uma agricultura de baixo carbono”.
Isso motivou a Bunge a abrir a possibilidade para que esses clientes finais invistam em conjunto com a companhia para apoiar a adoção de práticas regenerativas nas fazendas participantes do programa. “Falando com a indústria de alimentos e biocombustíveis, alguns querem mais do que um certificado mostrando baixa emissão, eles querem ser patrocinadores, eles querem fazer parte do programa”, disse Angelis.
A Bunge está em discussões avançadas com diversos desses clientes e já fechou parceria com alguns deles, mas ainda não pode revelar os nomes por questões contratuais de confidencialidade.
EXPANSÃO E COMPROMISSOS
Na linha de ampliar o programa, a Bunge pretende expandir as regiões atendidas para incluir Pará, Goiás, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, além dos Estados já contemplados no projeto inicial (Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Mato Grosso).
Neste processo, a Orígeo, joint venture da Bunge em conjunto com a UPL, tem papel determinante, pois oferece suporte aos produtores a partir de um conjunto de técnicas de gestão e soluções de assistência técnica.
Segundo a Bunge, 100% das propriedades envolvidas nos 250 mil hectares iniciais do programa de agricultura regenerativa já utilizam o plantio direto, enquanto 21% promovem rotação de cultura. O cultivo de cobertura foi registrado em 46% das propriedades do programa.
Questionada, a empresa disse que o plantio de milho segunda safra, realizado amplamente no Brasil após a colheita da soja, não está caracterizado como cultura de cobertura, pelo protocolo do programa, assim como é considerado uma cultura de sucessão, não de rotação — técnica que requer mais de três produtos no ano para ser identificada pelas regras do programa.
O programa faz parte da estratégia de descarbonização da Bunge, que tem metas baseadas na ciência validadas pela Science Based Targets Initiative (SBTi) para redução de emissões.
A companhia, que já rastreia 97% de produtos como soja e milho de fornecedores indiretos no Cerrado — a zona agrícola com maior risco de desmatamentos –, tem compromisso de ter sua cadeia de fornecimento livre de qualquer desflorestamento em 2025.
Isso incluiria áreas desmatadas conforme permite a lei brasileira em parte das propriedades e dependendo do bioma, já que a empresa tem a política de não comprar produtos cultivados em áreas desmatadas ilegalmente.
Fonte: Reuters
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
Published
15 horas agoon
6 de setembro de 2026By
Da Redação
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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