AGRONEGÓCIO

BrasilAgro vende Fazenda Preferência, na Bahia, por R$ 141,4 milhões e garante retorno anual de 9,3%

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Venda da Fazenda Preferência

A BrasilAgro anunciou, nesta segunda-feira (14), a venda da Fazenda Preferência, situada no município de Baianópolis, oeste da Bahia. A propriedade possui 17.799 hectares totais, sendo 12.413 hectares úteis, e foi negociada pelo valor de R$ 141,4 milhões — o que corresponde a R$ 11,3 mil por hectare útil.

Investimentos e retorno esperado

A fazenda foi adquirida pela BrasilAgro em 2008 por R$ 10,7 milhões. Desde então, foram aplicados R$ 23,9 milhões em seu desenvolvimento. O valor contábil registrado no balanço da empresa é de R$ 34,7 milhões, considerando aquisição e investimentos líquidos de depreciação.

A transação apresenta uma Taxa Interna de Retorno (TIR) estimada em 9,3% ao ano, um indicador positivo para a companhia.

Comentário da diretoria

Gustavo Javier Lopez, CFO e diretor de relações com investidores da BrasilAgro, ressaltou que a venda reforça a capacidade da empresa em transformar ativos e gerar valor. “A Fazenda Preferência completou seu ciclo de desenvolvimento e agora entrega um retorno atrativo, mesmo diante de um mercado mais seletivo. Seguimos focados em alocar capital racionalmente e criar valor sustentável para nossos acionistas”, afirmou.

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Condições de pagamento da venda

Conforme comunicado oficial, o comprador realizou um pagamento inicial de R$ 2 milhões. Um segundo pagamento de R$ 40 milhões está previsto para até 30 de julho. O saldo restante será quitado em seis parcelas anuais.

O prazo médio de recebimento (duration) da operação é de 2,7 anos.

Venda atrelada ao mercado de pecuária

Como grande parte da área da Fazenda Preferência é destinada à pecuária, a negociação foi realizada com base em arrobas de boi gordo, equivalente a 452.342 arrobas — o que corresponde a 36,44 arrobas por hectare útil.

O valor das parcelas será calculado na data de pagamento conforme a cotação da arroba na praça de Barretos (SP), de acordo com relatório da Scot Consultoria. O preço mínimo garantido é de R$ 309,50 por arroba, podendo haver variação positiva.

Histórico e estratégia da BrasilAgro no mercado de terras

Nos últimos cinco anos, a BrasilAgro negociou mais de R$ 2 bilhões em vendas de propriedades rurais, com média anual de R$ 400 milhões em transações imobiliárias.

“O mercado de terras é cíclico e requer uma gestão criteriosa. Nossa estratégia é aproveitar os momentos de maior demanda e liquidez para realizar vendas, buscando as melhores oportunidades, especialmente em ativos com menor liquidez, como é o caso da Fazenda Preferência”, concluiu Lopez.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

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A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

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Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

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O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Fonte: Pensar Agro

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