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Brasil Recorre à OMC Contra Tarifas dos EUA sobre Aço e Alumínio, Anuncia Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que o Brasil irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio. A declaração foi feita durante uma entrevista concedida ao final de sua visita ao Japão.

Questionado por jornalistas japoneses sobre as tarifas norte-americanas, o presidente explicou que a decisão de recorrer à OMC já estava em consideração, mas foi agora oficialmente confirmada. As tarifas, que afetam diretamente os produtores brasileiros, foram impostas em 25% sobre o aço e alumínio a partir de 12 de março. Além disso, há a expectativa de que outras medidas possam ser anunciadas em breve.

“Temos duas opções a seguir: uma é recorrer à OMC, o que já decidimos fazer, e a outra é aplicar taxas recíprocas sobre os produtos norte-americanos que importamos. Precisamos praticar a lei da reciprocidade”, afirmou Lula. “Não podemos ficar passivos, como se só eles tivessem o direito de aplicar tarifas.”

A ideia de um recurso à OMC havia sido mencionada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que lidera as negociações sobre o aço com os EUA, mas até então não havia uma confirmação oficial. A apelação à OMC pode resultar em duas alternativas: a revisão das medidas por parte dos EUA ou, caso as mantenham, a autorização para que o Brasil adote medidas retaliatórias, o que já está sendo considerado.

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Por ora, o Brasil busca manter as negociações com os Estados Unidos na tentativa de restabelecer as cotas de exportação que vigoravam até este ano. Contudo, a falta de avanços nas conversas tem gerado apreensão, principalmente com a possibilidade de novas tarifas serem anunciadas. Há receio de que, no próximo anúncio de tarifas previsto para o dia 2 de abril, outros produtos brasileiros possam ser incluídos na lista de restrições, ou até mesmo que todas as exportações do país sejam alvo de taxas adicionais, conforme sugerido por autoridades norte-americanas.

Em sua entrevista, Lula criticou as políticas protecionistas dos Estados Unidos, apontando os impactos negativos sobre o comércio global e os riscos de inflação nos mercados norte-americanos. “O presidente Trump, como chefe dos Estados Unidos, tem o direito de tomar suas decisões. Mas ele precisa entender as consequências dessas escolhas. Acredito que essa decisão será prejudicial para os EUA, pois aumentará os preços e poderá gerar uma inflação da qual ele ainda não se deu conta”, disse o presidente brasileiro.

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Durante sua estadia no Japão, Lula concentrou esforços na expansão dos mercados para o Brasil, com discussões sobre a reabertura das negociações de um acordo comercial entre o país e o Mercosul. Além disso, enfatizou a defesa do multilateralismo e do livre comércio, questões que serão centrais na próxima reunião do BRICS, prevista para julho. Em sua fala, Lula reiterou a visão crítica sobre o protecionismo global: “Essa taxação é prejudicial, pois em vez de facilitar o comércio mundial, estamos tornando-o mais difícil. O protecionismo não ajuda ninguém. Vamos observar as consequências dessa política”, concluiu.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Monitoramento via satélite passa a ser exigência para exportações do agronegócio brasileiro

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O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com um resultado histórico nas exportações. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o setor alcançou US$ 169,2 bilhões em vendas externas, consolidando sua posição como um dos principais motores da economia nacional.

Entretanto, a manutenção desse desempenho em mercados estratégicos, especialmente na União Europeia, dependerá da capacidade das cadeias produtivas de se adequarem às novas exigências internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade.

A partir de 30 de dezembro deste ano, entra em vigor para grandes operadores o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), legislação que exigirá comprovação técnica de que produtos agrícolas comercializados no bloco não estão associados a áreas desmatadas.

Entre as cadeias mais impactadas estão as de soja e carne bovina, segmentos que possuem grande relevância na pauta exportadora brasileira e que contam com estruturas complexas de fornecimento.

Rastreabilidade digital será obrigatória

Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, a nova regulamentação representa uma mudança significativa nos processos de fiscalização e validação da origem dos produtos.

Atualmente, a comprovação de conformidade é baseada em documentos como Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias presenciais. Com a nova norma, a validação passará a exigir evidências digitais associadas à localização exata das propriedades rurais.

“Exportadores de commodities como carne bovina e soja precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas da origem de seus produtos. Sem uma rastreabilidade robusta, os produtos poderão ser classificados como de risco, comprometendo o acesso ao mercado europeu”, explica o especialista.

O novo modelo prevê o cruzamento de coordenadas geográficas das propriedades com imagens de satélite e bases de dados ambientais. Além disso, toda a movimentação da produção deverá manter um vínculo documental e digital contínuo desde a fazenda até a exportação.

“Na prática, a geolocalização da área produtiva será confrontada com mapas de cobertura florestal e imagens de monitoramento ambiental. A carga precisará manter uma trilha digital completa ao longo de toda a cadeia logística”, detalha Zuliani.

Brasil possui estrutura para atender às exigências

Apesar dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil possui condições técnicas para atender às novas demandas internacionais.

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Um estudo realizado em maio de 2026 por universidades norte-americanas, por meio da ferramenta Fields of the World, demonstrou que sistemas de inteligência artificial foram capazes de identificar corretamente 97% das áreas agrícolas brasileiras utilizando dados espaciais e monitoramento remoto.

O resultado reforça a capacidade do país de implementar sistemas de rastreabilidade em larga escala, utilizando tecnologias já disponíveis no mercado.

Além do monitoramento via satélite, ferramentas de inteligência artificial, geoprocessamento e integração de bancos de dados têm ampliado a precisão das informações utilizadas para comprovação da origem da produção agropecuária.

Sustentabilidade se transforma em vantagem competitiva

Para grandes produtores e empresas exportadoras, o processo de adequação já está em andamento. No caso dos pequenos produtores, a implementação dependerá de maior suporte técnico, assistência especializada e atuação das cooperativas para organização das informações exigidas.

Segundo Zuliani, a principal função da tecnologia não é apenas atender às exigências regulatórias, mas proteger os produtores que atuam dentro da legalidade.

“O papel mais estratégico da tecnologia é separar o produtor regular daquele que insere na cadeia produtos de origem duvidosa. A rastreabilidade fortalece a transparência e protege quem produz de forma responsável”, afirma.

Na avaliação do especialista, a integração entre dados públicos, monitoramento ambiental e plataformas digitais pode transformar a sustentabilidade em um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro.

“A garantia de origem transforma a sustentabilidade em uma evidência verificável. Se o Brasil utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, poderá demonstrar ao mercado internacional que produz em escala, com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Mais do que uma exigência regulatória, essa conformidade tende a se consolidar como uma vantagem competitiva para as exportações brasileiras”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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