AGRONEGÓCIO
Brasil quer ser autossuficiente na produção de fertilizantes e isso é bom para o mercado de Fiagros
Publicado em
15 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoHá muitas vantagens em ter um agronegócio forte. A principal delas, claro, é que ninguém vive sem se alimentar. Assim, ser autossuficiente na produção de alimentos tem um valor incalculável. Mas há outros aspectos tão importantes quanto. Entre eles o impacto que o agro tem na economia. Produzir comida hoje em dia não é como na antiguidade, em que se plantava a semente, regava, colhia e vendia in natura para as pessoas comerem. O agro é um setor gigante que envolve a participação de diversos segmentos industriais.
Um desses é o de produção de fertilizantes. O Brasil já chegou perto da autossuficiência neste insumo, mas a partir de 1992 a situação se inverteu e o país começou a importar cada vez mais. Um estudo realizado ainda no governo anterior mostra que o Brasil compra do exterior 80% dos fertilizantes de que necessita. Essa dependência é muito perigosa por duas razões.
Primeiro porque o agro é o setor que mais contribui com a balança comercial brasileira. Quando começou a guerra na Ucrânia houve grande preocupação porque boa parte dos fertilizantes eram e ainda são comprados da Rússia. O presidente em exercício na época até viajou para lá para conversar, entre outros assuntos, sobre garantias de que o comércio deste importante insumo não seria prejudicado.
A segunda razão está relacionada à própria segurança alimentar dos brasileiros. Para atender a demanda interna, o país precisa muito dos fertilizantes minerais. São eles que possibilitam essa produção em ritmo industrial. Não é por acaso que em dezembro de 2023 a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3507/21, que cria um programa para estimular a produção nacional de fertilizantes baseado em incentivos fiscais.
Esse programa, chamado Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), e que já havia sido aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, vai beneficiar empresas com projetos para implantação, ampliação ou modernização de unidades para produção de fertilizantes e de insumos. Essa iniciativa deve impulsionar bastante o mercado de Fiagros, que são fundos de investimento em cadeias agroindustriais. Ou seja, eles atendem uma gama ampla de empreendimentos, não só a agricultura e pecuária em si, mas toda a indústria em seu entorno.
As novas fábricas de fertilizantes a serem construídas e mesmo a ampliação das já existentes vão necessitar de financiamento. Certamente o governo, por meio do BNDES e bancos públicos, não tem bala na agulha para atender a todas as solicitações. O mercado tradicional, formado pelos bancos privados, também não. Uma parte dos projetos para a construção e ampliação de novas plantas pode não conseguir recursos.
A não ser que o mercado de capitais entre em ação. E aí o Fiagro surge como ferramenta para auxiliar o Brasil a atingir o objetivo de se tornar autossuficiente – e até mesmo exportador – de fertilizantes. O curioso de tudo isso, é que o Brasil conta com enormes reservas de todos os minerais usados na produção destes insumos, não precisaria importar se tivesse uma política agrícola mais sustentável.
A matéria será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação (CFT) e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas a expectativa é de que o projeto seja aprovado nessas comissões também e sancionado pelo atual presidente. A partir daí, uma nova porta de oportunidades vai se abrir para os gestores de Fiagros, seus investidores e, principalmente para o agronegócio nacional que produzirá com ainda mais segurança e sem riscos causados por guerras, mudanças políticas ou simplesmente oscilações do dólar.
André Ito é CEO da MAV Capital
Fonte: Compliance Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
10 horas agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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