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Brasil Impulsiona Produção de Biodiesel com Expansão da Capacidade de Esmagamento de Soja

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Nos últimos anos, o Brasil tem ampliado progressivamente a incorporação de biodiesel ao diesel comercializado no país, passando de 2% em 2008 para 14% em 2024. O crescimento da produção de soja e os investimentos na capacidade de esmagamento têm gerado oportunidades significativas para o setor. Com uma taxa de crescimento anual de 10% na última década, a demanda por biodiesel segue em ascensão.

Em março de 2024, um projeto de lei propôs um aumento anual de 1% na mistura de biodiesel, com a meta de atingir 20% até 2030. A legislação foi sancionada em outubro do mesmo ano, impulsionando a necessidade de maior esmagamento de soja para suprir a crescente demanda por óleo vegetal.

A expansão da capacidade de esmagamento será impulsionada pelo aumento da procura por óleo de soja. No entanto, esse crescimento resultará também em maior oferta de farelo de soja, pressionando seus preços e exigindo estratégias para atrair compradores no mercado externo.

De acordo com projeções do RaboResearch, a produção de soja no Brasil deve atingir 185 milhões de toneladas até 2030, garantindo suprimento suficiente para atender à capacidade ampliada de esmagamento e à crescente demanda interna por óleo de soja. Paralelamente, a menor demanda chinesa e as regulamentações ambientais europeias podem limitar o crescimento das exportações do complexo soja, reforçando a relevância do consumo doméstico. No entanto, a falta de investimentos em infraestrutura logística pode representar um obstáculo à expansão das exportações, tornando ainda mais essencial o fortalecimento da demanda interna.

A previsibilidade das políticas governamentais e o comprometimento do setor privado serão decisivos para garantir o sucesso do setor e mitigar os riscos associados aos investimentos na ampliação da capacidade de esmagamento.

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Crescimento da Produção de Biodiesel

O mercado de diesel no Brasil cresceu a uma taxa composta de 1% ao ano na última década, representando 50% do mercado de combustíveis líquidos do país. Como o transporte rodoviário é essencial para o escoamento da safra, o diesel segue sendo um insumo crítico no sistema logístico brasileiro. No mesmo período, a produção e a demanda por biodiesel cresceram ainda mais, impulsionadas pelo aumento da mistura obrigatória, que subiu de 5% em 2013 para 14% em 2024.

Apesar desse avanço, a previsibilidade das políticas públicas tem sido um desafio. Em 2018, o governo estabeleceu um cronograma para elevação gradual da mistura de biodiesel, com meta de 15% até 2023. Contudo, oscilações na oferta de soja e a volatilidade dos preços das commodities entre 2020 e 2022 levaram a ajustes nesse cronograma. Esse cenário gerou incertezas para a indústria de biodiesel, resultando em ociosidade em diversas plantas de produção.

Apesar desses desafios, o Brasil manteve um crescimento anual de 10% na produção de biodiesel na última década. Historicamente, o óleo de soja é a principal matéria-prima do setor, respondendo por 72% da produção em 2024, seguido por gorduras animais. A crescente demanda por óleo de soja tem sustentado a expansão do esmagamento e impulsionado a rentabilidade do setor.

Biodiesel e Sustentabilidade

A crescente produção de biodiesel reflete as políticas de descarbonização e as metas de redução de emissões de carbono estabelecidas por governos e empresas privadas. O agronegócio, setor estratégico da economia brasileira, tem sido um dos principais beneficiados pelas iniciativas de biocombustíveis.

A lei sancionada em outubro de 2024 prevê não apenas a elevação obrigatória da mistura de biodiesel, mas também a opção de adoção voluntária de teores mais elevados para setores como transporte público, ferrovias, barcaças e veículos agrícolas. Essa medida deve impactar significativamente a cadeia produtiva do complexo soja, incentivando novos investimentos.

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Além dos benefícios ambientais, a indústria de biodiesel desempenha um papel social relevante ao apoiar a agricultura familiar. Empresas do setor são obrigadas a adquirir parte da soja de pequenos produtores. Em 2021, mais de 70 mil agricultores familiares foram beneficiados pelo programa, sendo que 70% deles cultivavam menos de 40 hectares. Esse suporte reforça a importância econômica e social do biodiesel para a agricultura brasileira.

Desafios e Perspectivas

O aumento da mistura de biodiesel impõe desafios, especialmente para a indústria de esmagamento de soja. Para atender à demanda crescente por óleo vegetal, será necessário ampliar a capacidade de processamento. Estima-se que até 2030 sejam necessárias 9 milhões de toneladas adicionais de capacidade de esmagamento. Atualmente, há oito projetos de expansão ou novas unidades em planejamento, que adicionariam 6 milhões de toneladas, cobrindo apenas parte da necessidade projetada.

Outro desafio é a destinação do farelo de soja excedente, que precisará ser direcionado ao mercado exportador. Com a produção de carne no Brasil crescendo a apenas 1% ao ano, a absorção total do farelo no mercado interno é limitada. A concorrência com Argentina e Estados Unidos será intensa, exigindo estratégias para manter a competitividade internacional.

O sucesso do setor de biodiesel dependerá da continuidade dos investimentos, tanto na capacidade de processamento quanto na infraestrutura logística. Ademais, políticas públicas previsíveis serão essenciais para garantir a estabilidade e o crescimento sustentado do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pesquisas preparam agro para mercado de carbono que já gera R$ 556 bilhões por ano

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Pesquisas realizadas por universidades e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começam a dimensionar quanto o campo brasileiro pode reduzir de emissões e retirar de carbono da atmosfera por meio da recuperação de pastagens, do plantio direto, da rotação de culturas, dos sistemas integrados e do uso de microrganismos. Além do efeito ambiental, os resultados ajudam a construir as bases técnicas para a futura participação dos produtores no mercado de carbono.

As pesquisas ganham cada vez mais importância, dado o tamanho crescente do mercado mundial de carbono. Segundo o Banco Mundial, os sistemas de precificação de carbono geraram mais de R$ 556 bilhões em receitas públicas no mundo em 2025, considerando a conversão pela Ptax mais recente. O resultado reúne a arrecadação com impostos sobre emissões e sistemas regulados de comércio de carbono. Atualmente, 87 instrumentos desse tipo estão em funcionamento e alcançam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Uma dessas pesquisas reuniu cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O estudo conjunto, publicado em 2026 na revista científica Nature Communications, estimou que a conversão de áreas naturais para uso agropecuário retirou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carbono dos solos brasileiros.

O volume equivale a cerca de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. A estimativa foi calculada com base em 4.290 registros reunidos por 372 estudos realizados ao longo de três décadas, com informações dos seis biomas brasileiros.

Os pesquisadores chamam essa diferença de “dívida de carbono”: o espaço existente entre o estoque encontrado na vegetação nativa e o mantido atualmente nas áreas produtivas. Isso não significa que todo o volume possa ser recuperado, mas indica que o manejo pode devolver ao solo parte da matéria orgânica perdida.

Os resultados variam conforme o bioma e o sistema produtivo. No Cerrado, a substituição da monocultura por sistemas integrados apresentou potencial teórico de elevar em 15,3% o estoque de carbono no solo. Na Amazônia, a adoção da rotação ou do consórcio de culturas pode proporcionar incremento de 14,1%.

Parte desse potencial já foi observada em experimentos de campo. Em Sinop, no norte de Mato Grosso, a Embrapa Agrossilvipastoril e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) acompanharam durante quatro anos diferentes combinações de lavoura, pecuária e floresta.

Ao final do período, todos os sistemas avaliados apresentaram remoção de carbono superior às emissões contabilizadas. O melhor resultado foi registrado na integração pecuária-floresta, com saldo de 51,3 toneladas de dióxido de carbono equivalente por hectare. Na integração lavoura-pecuária-floresta, a diferença chegou a 39,5 toneladas por hectare.

Os valores correspondem ao resultado acumulado nos quatro anos, e não a uma taxa anual. As árvores armazenaram carbono nos troncos, galhos e raízes, enquanto as pastagens bem manejadas contribuíram para ampliar a matéria orgânica do solo. O aumento da produtividade também reduziu a emissão calculada por quilo de carne produzido.

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Outro acompanhamento da Embrapa foi realizado na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri, Goiás. A propriedade começou a adotar sistemas integrados em áreas de pastagens degradadas em 2006, combinando plantio direto, rotação de culturas, braquiária, milho, soja, pecuária e árvores.

Nos primeiros seis anos, o teor de matéria orgânica na camada de até 20 centímetros do solo passou de 1,8% para 2,8%. O aumento correspondeu à incorporação de mais de 11 toneladas de carbono orgânico por hectare.

O resultado ambiental ocorreu junto com o aumento da produção. A produtividade do milho saiu de aproximadamente 80 para 180 sacas por hectare, enquanto a produção de carne passou de duas para até 16 arrobas por hectare. O caso mostra que a recuperação do solo e o aumento do estoque de carbono podem acompanhar a elevação da produtividade.

Na pecuária, a Embrapa Gado de Corte desenvolveu os protocolos Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono. O primeiro utiliza árvores plantadas em sistemas integrados para compensar o metano liberado pelos bovinos durante a digestão.

Experimentos indicaram que cerca de 200 árvores em crescimento por hectare podem armazenar carbono suficiente para neutralizar as emissões anuais de metano entérico de 11 bovinos adultos. Isso não significa, porém, que toda a propriedade seja automaticamente neutra. A conta completa precisa incluir fertilizantes, combustível, energia, manejo do solo e todas as demais fontes relevantes de gases de efeito estufa.

Nas lavouras, outra frente de pesquisa utiliza microrganismos para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados. A fixação biológica de nitrogênio, desenvolvida e aperfeiçoada no país por instituições como a Embrapa Agrobiologia e a Embrapa Soja, permite que bactérias associadas às raízes forneçam às plantas o nutriente retirado do ar.

Na soja, essa tecnologia praticamente elimina a necessidade de aplicação de nitrogênio mineral. A Embrapa estima que a substituição do fertilizante pela ação das bactérias evite a emissão de aproximadamente 12 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. A redução ocorre tanto na fabricação e no transporte do insumo quanto pela menor liberação de óxido nitroso no solo.

Essas medições ganham importância com o avanço dos mercados de carbono. Nesse sistema, cada crédito representa, em regra, uma tonelada de dióxido de carbono equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. O ativo pode ser comprado por empresas que precisam cumprir obrigações legais ou que assumiram voluntariamente metas de redução.

O mercado mundial está dividido entre sistemas regulados, nos quais governos estabelecem limites de emissão, e mercados voluntários, formados por negociações realizadas sem obrigação legal. Em 2026, o Banco Mundial contabilizou 87 políticas de precificação de carbono em funcionamento, sete a mais do que no ano anterior. Esses instrumentos alcançavam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.

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A quantidade de créditos emitidos no mundo cresceu 8% entre 2024 e 2025, mas os preços médios recuaram. Projetos considerados mais confiáveis, com metodologias robustas e maior segurança sobre a permanência do carbono, continuaram recebendo valores superiores. Isso mostra que não basta afirmar que uma propriedade captura carbono: é necessário provar o resultado.

No Brasil, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) foi criado pela Lei nº 15.042, de 2024. A produção agropecuária primária e a infraestrutura diretamente associada aos imóveis rurais ficaram fora das obrigações impostas pelo mercado regulado.

A exclusão impede que o produtor seja obrigado a entregar cotas por causa das emissões da atividade primária, mas não o afasta das oportunidades econômicas. Projetos rurais poderão gerar créditos de carbono e, quando atenderem aos critérios oficiais, Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões, conhecidos pela sigla CRVE.

Para isso, será necessário adotar uma metodologia reconhecida, estabelecer quanto carbono havia antes do projeto, medir a redução ou a remoção obtida, demonstrar que o resultado não ocorreria sem a iniciativa e passar por verificação independente. Também será preciso garantir que o mesmo benefício ambiental não seja vendido ou contabilizado duas vezes.

O mercado regulado brasileiro ainda está em implantação. A proposta apresentada em 2026 prevê o início gradual do monitoramento, relato e verificação das emissões a partir de 2027, inicialmente em setores industriais e no transporte aéreo. As metodologias aceitas para transformar reduções e remoções em certificados oficiais ainda dependem de regulamentação.

Esse processo explica por que a pesquisa será determinante para a entrada do agro no mercado. Resultados obtidos em uma propriedade não podem ser transferidos automaticamente para outra, mesmo quando os sistemas produtivos parecem semelhantes. O estoque de carbono muda conforme o tipo de solo, o clima, a cultura, a profundidade analisada e o histórico de manejo.

Também é necessário diferenciar estoque, remoção e emissão evitada. Encontrar carbono em uma camada profunda do solo não demonstra, isoladamente, que ele tenha sido retirado da atmosfera pelo manejo atual. A comprovação exige uma linha de base, repetição das coletas ao longo dos anos e o desconto de todas as fontes relevantes de emissão.

A pesquisa brasileira avança justamente nessa direção. O objetivo não é apenas mostrar que o solo, as árvores e os microrganismos armazenam carbono, mas calcular quanto permanece, por quanto tempo e sob quais condições. Quanto mais confiável for essa medição, maior será a possibilidade de transformar o benefício ambiental em produtividade, acesso a mercados e renda adicional para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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