AGRONEGÓCIO
Bolsas globais operam mistas e Ibovespa ronda estabilidade com pressão da inflação e tensão geopolítica
Publicado em
27 de maio de 2026por
Da Redação
Os mercados financeiros globais operam em clima de cautela nesta terça-feira, com investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã, ao comportamento das commodities e aos novos indicadores econômicos divulgados nas principais economias do mundo. No Brasil, o Ibovespa abriu próximo da estabilidade, pressionado pela prévia da inflação oficial e pela volatilidade externa.
Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street registravam alta nas primeiras horas do dia. Os contratos do Dow Jones avançavam 0,45%, enquanto o S&P 500 subia 0,31%. Já o Nasdaq, fortemente concentrado em empresas de tecnologia, apresentava valorização de 0,48%, refletindo o apetite dos investidores por ações do setor de inteligência artificial e semicondutores.
Na Europa, o mercado acionário operava majoritariamente em terreno positivo. O índice pan-europeu STOXX 600 avançava 0,43%, sustentado principalmente pelas ações industriais e do setor financeiro. Na Alemanha, o DAX subia 0,7%, enquanto o CAC 40, da França, avançava 0,5%. O único destaque negativo entre as principais bolsas europeias era o FTSE 100, do Reino Unido, que recuava 0,1%.
Na Ásia, o fechamento foi predominantemente negativo. As bolsas chinesas recuaram diante das preocupações com o ritmo de crescimento da economia do país e da realização de lucros após recentes altas. O índice de Xangai caiu 1,25%, enquanto o CSI300 recuou 0,80%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,06%. No Japão, o Nikkei encerrou praticamente estável, refletindo cautela dos investidores diante da valorização do iene e das incertezas externas.
Ibovespa reage ao IPCA-15 e ao cenário internacional
No mercado brasileiro, o Ibovespa oscilava próximo dos 177 mil pontos durante a abertura dos negócios, em um pregão marcado pela divulgação do IPCA-15 de maio. A prévia da inflação oficial subiu 0,62% no mês, acima das expectativas do mercado, aumentando a percepção de cautela em relação ao cenário de juros no país.
Com a leitura inflacionária mais forte, os contratos de juros futuros passaram a operar em alta, refletindo preocupação dos investidores com o ritmo do processo de flexibilização monetária pelo Banco Central.
O dólar comercial também operava em valorização frente ao real, sendo negociado na faixa de R$ 5,03, acompanhando o movimento global de aversão ao risco e a busca por ativos considerados mais seguros.
Petróleo e commodities seguem no radar
O petróleo continua sendo um dos principais vetores de volatilidade dos mercados globais. As tensões envolvendo o Oriente Médio elevam as preocupações sobre possíveis impactos logísticos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Esse movimento mantém os investidores atentos às oscilações das commodities energéticas, que influenciam diretamente moedas emergentes, inflação global e ações ligadas ao setor de energia.
Além do petróleo, o mercado acompanha o desempenho de commodities agrícolas e metálicas, em meio às expectativas sobre demanda chinesa, política monetária dos Estados Unidos e crescimento econômico global.
Investidores mantêm cautela
Analistas destacam que o ambiente permanece sensível aos dados econômicos e às questões geopolíticas. Nos próximos dias, o foco continuará voltado para indicadores de inflação, decisões de bancos centrais e possíveis desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio.
No Brasil, investidores seguem monitorando o comportamento fiscal, a trajetória dos juros e os impactos da inflação sobre o consumo e a atividade econômica. Enquanto isso, a volatilidade externa deve continuar influenciando o humor da Bolsa brasileira e o desempenho do câmbio ao longo da semana.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
Published
6 horas agoon
27 de julho de 2026By
Da Redação
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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