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Boletim do Leite de março: preços em alta e custos pressionam o setor

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O Boletim do Leite de março, elaborado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, já está disponível e traz um panorama atualizado do setor lácteo brasileiro. A edição destaca a recuperação dos preços pagos ao produtor, o impacto da demanda sobre os derivados, além do desempenho das exportações e importações.

Oferta limitada eleva preço do leite ao produtor

Após registrar sucessivas quedas no último trimestre de 2024, o preço do leite ao produtor voltou a subir no início de 2025. Dados do Cepea apontam que a cotação média do leite captado em janeiro foi de R$ 2,6492/litro (considerando a “Média Brasil”), o que representa um aumento de 2,5% em relação a dezembro e uma valorização expressiva de 18,7% na comparação com janeiro de 2024, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de janeiro).

Demanda e custos em alta impulsionam derivados

A valorização do leite cru e o fortalecimento da demanda contribuíram para o avanço dos preços de alguns derivados. Pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) indica que, em fevereiro, o leite UHT teve alta de 1,93%, alcançando R$ 4,35/litro, enquanto a muçarela registrou leve avanço de 0,33%, cotada a R$ 33,20/kg.

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Segundo agentes de mercado consultados pelo Cepea, o aumento no consumo na primeira quinzena de fevereiro foi um dos principais fatores que impulsionaram os valores. Além disso, o encarecimento do leite cru reforçou o movimento de alta dos derivados.

Exportações recuam e importações avançam

No mercado internacional, as exportações brasileiras de lácteos cresceram 26,92% em fevereiro na comparação com janeiro, mas registraram uma queda expressiva de 63,89% frente ao mesmo mês de 2024. Já as importações avançaram 3,76% no comparativo mensal e 16,7% em relação a fevereiro de 2024.

Como consequência desse cenário, o déficit da balança comercial do setor aumentou 3,2% entre janeiro e fevereiro de 2025, atingindo 210,1 milhões de litros em equivalente leite, o que resultou em um saldo negativo de US$ 92,6 milhões.

Custos seguem em alta pelo sexto mês consecutivo

Os custos de produção da pecuária leiteira continuaram em elevação no mês de fevereiro. O Custo Operacional Efetivo (COE), calculado pelo Cepea, apresentou alta de 0,49% em relação a janeiro, considerando a “Média Brasil” (BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS).

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Apesar da estabilidade nos preços das rações, o aumento nos valores de outros insumos manteve a tendência de alta nos custos de produção, pressionando a rentabilidade dos pecuaristas pelo sexto mês consecutivo.

Boletim do Leite do Cepea

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne suína: percepção de oferta confortável pressiona preços e trava mercado no Brasil

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O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de comportamento misto entre o quilo vivo e os cortes negociados no atacado. A pressão predominante veio da percepção de que a oferta de animais segue confortável, fator que limita reajustes e mantém o setor em ritmo lento de negociações.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a indústria adotou uma postura mais reticente nas compras do suíno vivo em Minas Gerais ao longo da semana. O movimento reflete a percepção de equilíbrio — ou até excesso — na oferta disponível, o que reduz o poder de barganha dos produtores.

Ao mesmo tempo, os frigoríficos monitoram o escoamento da carne suína no mercado interno, que apresenta leve melhora, mas ainda sem força suficiente para sustentar altas mais consistentes nos preços.

Consumo pode ganhar tração na primeira quinzena de julho

De acordo com Maia, as expectativas do setor se concentram na primeira metade de julho, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de renda com o pagamento de salários.

Além disso, o avanço do inverno em diversas regiões do país tende a favorecer o consumo de proteínas, especialmente carnes de preparo doméstico. Outro fator de atenção é a competitividade da carne suína frente à bovina, o que pode ampliar a demanda no varejo.

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No cenário externo, as exportações seguem como principal variável positiva para o setor em 2026, funcionando como importante amortecedor para o mercado interno.

Preços do suíno vivo recuam na média nacional

Levantamento da Safras & Mercado apontou que a média do quilo do suíno vivo no Brasil recuou de R$ 5,34 para R$ 5,28 ao longo da semana.

No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,89, enquanto o pernil foi negociado a R$ 11,18.

Cotações variam entre estabilidade e ajustes regionais

No mercado paulista, a arroba suína subiu de R$ 101,00 para R$ 102,00, indicando leve reação pontual.

Em outras regiões, o comportamento foi mais heterogêneo:

  • No Rio Grande do Sul, o quilo vivo na integração caiu de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto no interior avançou de R$ 5,10 para R$ 5,15
  • Em Santa Catarina, a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto o interior subiu de R$ 5,05 para R$ 5,10
  • No Paraná, o mercado livre avançou de R$ 4,90 para R$ 5,00, e a integração manteve R$ 5,60
  • Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande ficou estável em R$ 5,10, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
  • Em Goiás, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50
  • Em Minas Gerais, o interior caiu de R$ 6,00 para R$ 5,90, enquanto o mercado independente ficou estável em R$ 6,10
  • Em Mato Grosso, Rondonópolis manteve R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
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O cenário geral reforça um mercado fragmentado, com variações pontuais e ausência de tendência única.

Exportações seguem em queda no comparativo anual

As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 212,827 milhões em junho, considerando 14 dias úteis, com média diária de US$ 15,202 milhões.

O volume embarcado atingiu 84,663 mil toneladas, com média diária de 6,047 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.513,8 por tonelada.

Na comparação com junho de 2025, houve:

  • queda de 5,2% no valor médio diário
  • recuo de 1% na quantidade média diária
  • redução de 4,3% no preço médio

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e reforçam um cenário de leve perda de ritmo nas exportações, apesar de o setor seguir relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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