AGRONEGÓCIO

BNDES financia quase R$ 1 bi em investimentos que ampliam capacidade de armazenagem agrícola

Publicado em

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 800 milhões à Cooperativa Agrícola Sul Mato-Grossense (Copasul) para a implantação de uma nova unidade de processamento de soja em Naviraí (MS). Em outra iniciativa, o Banco planeja aportar até R$ 175 milhões em um novo fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), em parceria com a AGI Brasil, empresa que atua na fabricação de equipamentos para armazenagem de granéis, e com a gestora de recursos Opea Capital.

As duas ações representam novos investimentos de cerca de R$ 1,6 bilhão que contribuem para ampliar a capacidade de armazenagem de grãos no país, dos quais quase R$ 1 bilhão financiados pelo BNDES.

A nova unidade industrial da Copasul, que representa investimento total de R$ 1,4 bilhão, terá capacidade de processar até 988 mil toneladas de soja ao ano, contemplando também a implantação de um complexo para recebimento, armazenagem e expedição de grãos. O projeto permite que a cooperativa agregue valor a sua produção por meio do esmagamento da soja, já que cada tonelada processada tem valor entre 30% e 35% superior à tonelada do grão in natura. Apenas em 2023, a Copasul movimentou mais de 1,2 milhão de toneladas de soja, com forte impacto econômico no estado do Mato Grosso do Sul.

Leia Também:  Vendas no Varejo Registram Crescimento de 4,2% em 2024, Impulsionadas pelo Setor de Alimentos e Bebidas

Na avaliação do diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luís Gordon, “o apoio à cooperativa está alinhado à estratégia de ampliar os investimentos em armazenagem nas diversas regiões do país, além de contribuir para fortalecer a competitividade do complexo agroindustrial brasileiro”. Ele lembra que o déficit na capacidade estática de armazenagem do Brasil é de cerca de 126,9 milhões de toneladas, o que reforça a importância desse tipo de investimento, especialmente em regiões onde há maior defasagem.

O financiamento é o primeiro contratado pelo BNDES diretamente com a Copasul e foi viabilizado com uma combinação de diferentes instrumentos. A maior parte do valor é financiado com recursos do próprio Banco, pela linha BNDES Finem, sendo o restante complementado por programas agrícolas do Plano Safra – neste caso, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop).

Já o FIDC lançado em parceria com a AGI tem perspectiva de financiar até R$ 250 milhões, ao longo de dois anos, para a compra de equipamentos de manuseio e armazenagem de grãos, atendendo principalmente ao segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Desse total, R$ 175 milhões serão viabilizados com o apoio do BNDES, por meio da subscrição de cotas do fundo.

Leia Também:  Avanço expressivo na colheita: Safra 2023/24 de soja atinge 4,7% da área, revela Conab

A diretora de Mercado de Capitais e Finanças Sustentáveis do BNDES, Natália Dias, explica que “o FIDC busca fortalecer as operações da AGI no Brasil, disponibilizando crédito com condições atrativas para que seus clientes, principalmente produtores rurais, cooperativas agroindustriais e cerealistas de pequeno e médio porte, possam realizar investimentos em projetos de armazenagem agrícola”.

O FIDC oferecerá condições mais vantajosas para regiões em que há maior déficit de armazenagem, podendo chegar a taxa equivalente a CDI mais 1,51% ao ano. O fundo prevê também que pelo menos 60% do valor investido em direitos creditórios seja associado ao segmento de MPMEs.

Em 2023, o BNDES mais que triplicou o número de operações para financiar novas estruturas de armazenagem de grãos no país. Ao longo do ano, o Banco aprovou 13 financiamentos para diferentes cooperativas e empresas do agronegócio, totalizando R$ 241,5 milhões. Já por meio de suas operações indiretas, realizadas pela rede de agentes financeiros credenciados, o BNDES emprestou cerca de R$ 1,7 bilhão no âmbito do Plano Safra 2023/2024 em programas com foco em armazenagem, como o PCA. O Banco respondeu por cerca de 30% dos recursos repassados pelo PCA na atual safra.

Fonte: BNDES Imprensa

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração

Published

on

A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.

Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.

Clima reduziu oferta de cana

Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.

A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.

A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.

Estratégia operacional também reduziu o volume processado

Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.

Leia Também:  Distrito Federal tem quase 50 pontos de vacinação neste sábado

Entre as medidas adotadas estão:

  • venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
  • hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
  • hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.

De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.

Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade

Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.

Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:

  • 53% destinado ao açúcar
  • 47% destinado ao etanol

No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.

Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.

Produção de etanol de segunda geração avança

Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).

Leia Também:  Avanço expressivo na colheita: Safra 2023/24 de soja atinge 4,7% da área, revela Conab

A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:

  • Bonfim;
  • Univalem;
  • Barra.

O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.

Perspectivas para o setor sucroenergético

O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.

Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA