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Bezerros de sobreano da marca CV Nelore Mocho são contratados por duas centrais

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A marca CV Nelore Mocho anuncia a contratação de dois bezerros de sobreano por duas das principais centrais de genética do Brasil. Os animais possuem altos índices nas avaliações da ANCP e PMGZ.

Os tourinhos da safra 2022, ILINOIS DE CV, com 14 meses, e ITALIANO FIV DE CV, com 16 meses, atestam a precocidade da seleção de Carlos Viacava, com destaque para as características de desempenho.

Ricardo Viacava, CEO da marca CV, explica que os animais são precoces, já que começam a produzir cedo e têm uma vida produtiva mais longa, possuem bom desempenho produtivo, com produção de mais carne, além de serem férteis, transmitindo suas características para seus descendentes.

Segundo ele, o uso da genômica permite identificar cada vez mais cedo os melhores animais, possibilitando a redução do intervalo entre gerações. “Pré selecionamos alguns animais e iniciamos as coletas de sêmen deles por volta dos 12 meses. E dentre eles, destacamos o ITALIANO DE CV, que produziu sêmen de qualidade já aos 13 meses, sendo que já existem vacas prenhas dele”, destaca Ricardo.

Conheça um pouco das características dos jovens reprodutores e a opinião das centrais que os contrataram:

ITALIANO FIV DE CV

ITALIANO foi contratado pela Alta Genetics. Ele é filho de Diplomata da Agronova em vaca Bug de CV, tendo em seu pedigree o sangue de grandes raçadores como Ren Espião, Ren Armador, Campeão da Mundo Novo, Quark da Colonial, Backup, Jaguarari de CV e Napoleão da SM.

O gerente técnico de Corte da Alta Genetics, Rodolffo Fontana Assis, explica que ITALIANO DE CV tem uma ótima morfologia, já que é um animal muito profundo, com um biotipo bem precoce, bem pigmentado, com a aparelho reprodutor corrigido e o caráter mocho bem evidente.

Segundo ele, o touro jovem tem avaliações genéticas espetaculares. Dos 245 touros Nelore Mocho da consulta pública da ANCP que estão em centrais de inseminação, o melhor deles atualmente tem MGTe de 30,72, que é um top 0 ,5%. Já o ITALIANO tem um índice de 32,24 e é top 0,1%. “Ele é o melhor entre todos os touros que hoje constam em central, sendo mais de 1,5 ponto acima do primeiro colocado e seria o único touro Nelore Mocho top 0,1% no sumário”, destaca Assis.

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Quando comparado com os 194 touros Nelore Mocho disponíveis em centrais na consulta do programa PMGZ da ABCZ, cujo líder tem 31.99 de índice na ABCZ, a superioridade de ITALIANO é ainda maior, com tem 37.8 no índice, sendo 5,8 pontos acima do touro que hoje está em primeiro lugar. Além disso, ele é Deca 1 em 15 das 16 características avaliadas hoje no PMGZ.

“ITALIANO foi um touro superprecoce, pois produziu sêmen com apenas 13 meses de idade, sendo o macho mais precoce da safra CV de 2022. “Ele produziu sêmen de alta qualidade, inclusive sendo usado na inseminação artificial, dando congelamento. Então, é um garrote que quando chegar aos dois anos já vai estar com seus primeiros filhos nascendo”, prevê.

ILINOIS DE CV

Contratado pela Semex do Brasil, ILINOIS é fechado na genética CV, com muita consistência genética. Ele tem Denver de CV com Wilson de CV e sangue de Jaguarari de CV, grande touro da marca. Sua mãe, que hoje está com cinco anos, pariu precocemente aos 22 meses, e nunca falhou. O touro tem base consistente e, sem sombra de dúvidas, vai ser um dos grandes touros da raça Nelore Mocho no mercado.

André de Souza e Silva, gerente de Corte Zebu da Semex Brasil, explica que há uma demanda muito grande por animais Nelore de excelente biotipo e caráter mocho bem definido com boa avaliação genética. “O ILINOIS DE CV reúne essas características, já que é um indivíduo com avaliação genética no PMGZ de 28.57, e que se fosse inserido no sumário PMGZ figuraria entre os 10 primeiros colocados”, ressalta.

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No sumário da ANCP, ILINOIS é top 2%, com equilíbrio de régua de DEPs muito interessante, com características de desempenho, habilidade materna, carcaça, precocidade e stayability, que são de grande impacto econômico na atividade pecuária. Na nova DEP para caráter mocho, ele tem mais de 80% de probabilidade de transferir essa característica para a sua progênie.

“Além de toda essa avaliação genética equilibrada, tanto no PMGZ como na ANCP, é um indivíduo de morfologia impecável, de uma composição de carcaça muito interessante, comprido, um excelente revestimento de musculatura, muita precocidade de terminação na sua carcaça, enfim, um biotipo muito interessante”, analisa Silva.

Palavra de Carlos Viacava

Para o titular da marca CV, Carlos Viacava, os animais refletem o trabalho de seleção para a precocidade sexual. Ele lembra que, antigamente, para se usar um touro era conveniente observar se suas filhas seriam boas mães, e em cinco ou seis anos teria a resposta.

“Hoje, com as novas ferramentas do melhoramento genético e graças a tecnologia que permite conhecer aspectos do DNA, podemos com muita confiança usar jovens touros de 12 meses de idade com segurança sobre sua capacidade de serem ótimos reprodutores”, explica Viacava.

A contratação desses dois bezerros pela Alta Genetics e pela Semex é um indicativo da crescente demanda por reprodutores da seleção CV Nelore Mocho. A marca é reconhecida pela qualidade genética e pelo seu trabalho de seleção voltado para a precocidade.

“Estamos confiantes de que esses animais contribuirão para o desenvolvimento da pecuária brasileira”, afirma Viacava. “Eles ajudarão os produtores a produzir mais carne, com mais eficiência e lucratividade.”

Fonte: DS Vox

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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